Entrevistas 3 anos atrás | Mozart Mesquita

A madrinha das startups brasileiras no Vale do Silício

Bedy Yang é uma das principais executivas da 500 Startups, uma aceleradora e fundo de investimento norte-americano

por Revista FHOX

startup-vale-do-silício-1Brasileira, filha de chineses, Bedy Yang, 38, foi para os EUA acompanhar o marido e acabou exercendo a máxima: a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa! “O meu marido veio por uma transferência no emprego, então, caí no Vale do Silício. Acho que tive a oportunidade. Afinal, é um parque de diversão, você faz o que você quiser”, explica Bedy com a calma peculiar de sua origem oriental. Extremamente solicitada por ser uma das melhores portas de entrada para empreendedores brasileiros que queiram se aventurar no Vale do Silício, Bedy recebeu FHOX para uma agradável conversa sobre seu papel e sua visão do Vale e das oportunidades para brasileiros por lá.

FHOX – Como foi seu começo nos EUA?
Bedy – Tive muita sorte porque eu tinha o visto, como um novo espaço para explorar sem ter que seguir uma carreira. Muitas vezes você está em uma continuidade e acaba seguindo uma carreira por inércia, por status. Fiz GV [Fundação Getúlio Vargas], trabalhei em consultoria. Vim para cá falando assim: “Consigo começar do zero”. Como sou bem empreendedora, disse: “Está bom, então vamos lá. Não tenho obrigação, não tenho nada, não tenho dívida em escola, então vamos ver o que acontece”. Isso faz dez anos. Eu queria muito trabalhar com acesso ao mercado. É um pouco a minha personalidade. Uma das coisas mais importantes para mim é gerar oportunidades para outras pessoas. E minha irmã trabalhava e ainda trabalha com a Amazônia e o uso de terra. A gente discutiu muito a questão de geração de renda, acesso ao mercado e a ideia era criar um negócio aqui no Vale que pudesse trabalhar com as comunidades minoritárias que existem no Brasil e, particularmente, com as comunidades na Amazônia. Fiz um pouquinho de pesquisa e acabei achando um negócio aqui nos EUA, que tinha outra sócia brasileira, com uma loja quase pré-montada. Falei: “Uma forma legal de acesso ao mercado é uma loja física”.

FHOX – Ainda mais há dez anos.
Bedy – Exatamente. E-commerce estava surgindo, não tinha nenhuma parte digital. Ela é jornalista aposentada. E pensei: “Acho que seria uma coisa bacana de fazer, já que ela já tem a loja, eu tenho acesso ao sourcing diretamente na Amazônia com as comunidades. Nos primeiros três anos mergulhei na loja, eu tinha facilidade de administrar, entrei como sócia. Foi ali que senti que uma das coisas mais importantes para mim é a escalabilidade. Estava muito angustiada com a falta de impacto que o negócio que eu gerava. Saí desse percurso para encontrar o que gera escalabilidade. Algo muito natural, estando no Vale do Silício… é a questão da tecnologia.

FHOX – E como evoluiu?
Bedy – Fui montando minha rede e isso gerou muita oportunidade. Eu era convidada para alguns eventos super-relevantes aqui no Vale e percebi a falta de conhecimento das pessoas aqui sobre o Brasil. O Brasil era como Colômbia. Isso de 2008 para 2009.

FHOX – E qual foi seu movimento?
Bedy – Fui para a China fazer trabalho voluntário de consultoria para acesso a mercado, geração de renda. Precisava sair um pouco do contexto. Às vezes, você está fazendo a mesma coisa e é muito difícil quebrar o ciclo. Comecei a contatar pessoas, sem funding, sem nada, só queria entender qual seria o modelo de negócio. Acho que tem muitos desafios da falta de escalabilidade e você tem que achar essa interseção. Pode ser um mundo digital. Acho que há algumas outras formas de escalar.

FHOX – Você foi em busca de lideranças do Vale?
Bedy – Sim e percebi algumas coisas. A primeira é que as pessoas eram super abertas, realmente contribuíam me ajudando a resolver ou a fazer as perguntas certas. Foi aí que comecei a entrar de fato no Vale do Silício e quem conhece sabe que é difícil falar onde começa e onde termina, não é? Mas ao acessar as pessoas e as redes, o que notei foi a falta de percepção do Brasil, do que era o país. Outra coisa, eu não tinha um negócio consolidado e era convidada para dentro. Então pensei: “Imagine se eu trouxer os melhores empreendedores brasileiros e acessar essa rede. Quanto mais sucesso eles teriam?”. Isso virou um desafio interno muito forte para mim.

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VivaReal, um dos cases do portfólio de investimento da 500 Startup. Em seis anos, o VivaReal já ajudou milhares de pessoas a encontrarem a casa dos sonhos e trabalha sempre para que essa busca seja cada vez mais fácil e melhor.

FHOX – Você foi a pessoa certa no lugar certo na hora certa.
Bedy – Eu estava lá [risos]. E não tinha tanta gente fazendo, não é? Então foi mais fácil ser a pessoa certa na época. Montei uma rede no Linkedin. Falei assim: “Quero saber quem é, o que você precisa, estou aqui escutando, aqui estão os lugares que eu vou, te apresento quem você quiser”. Só que como sou obcecada com escalabilidade, eu queria ajudar as pessoas que pudessem ajudar outras. A primeira coisa que fiz foi criar um fellowship que consistia em: “Está bom, você vem para cá, você não me paga nada, você paga os seus custos. Mas você tem que levar tudo o que você vê, tudo que você fizer”…

FHOX – E disseminar.
Bedy – Exato. Então acho que o design da ideia também foi feliz no momento, e a gente trouxe pessoas. Foi muito louco, não é? No Brasil, eu estava on-line, lia e entrava no Twitter e falava: “Quer tomar um café?”. As pessoas achavam que eu era louca, mas foram lá encontrar comigo, aí montei esse primeiro grupo que hoje é o coração da rede, que são os Fellows. Os Fellows vieram para cá, abriram portas. Foi uma viagem transformadora para as pessoas que vieram porque foi um negócio superorganizado e já abertos todos os caminhos para eles aqui. Como eu já tinha esse compromisso de contribuir, a gente começou a pensar, o que é necessário não é uma ponte, mas uma rede e treinamento para o cara conseguir fazer essa tradução, não é? Você está bem no seu mundo, precisa traduzir o que está acontecendo, seja para apresentar uma ideia ou amadurecer e trazer as ferramentas que são necessárias. “Como é que a gente avança realmente o ecossistema no Brasil?”

FHOX – Deram um passo além.
Bedy – Sim. Passei a trabalhar na base, no Brasil. O pessoal estava superdespreparado, então, para prepará-los fizemos um treinamento. Uma coisa levou à outra. Isso foi o começo da Innovators em São Paulo. Quando um negócio é relevante e replicável, vou lá e ajudo a montar. Uma vez que você tem a rede fica muito mais fácil, vira uma plataforma.

FHOX – Colaborativa, não é?
Bedy – Não sei se chamo de colaborativa porque quão realmente as pessoas são colaborativas? Às vezes vêm para a rede para tirar as coisas. Tudo que senti que tinha relevância e podia criar veia e disseminar eu ficava jogando de um lado para o outro. 2010, 2011 foi um momento de muito interesse em relação ao Brasil. E eu ficava pensando assim: “Se eu tivesse dinheiro, investiria nessas pessoas” porque são talentos excelentes. As pessoas me pediam contato, eu falava: “Que bom, está aqui o investidor ‘A’, o investidor ‘B’”, fazia a apresentação ao investidor. Quando queria ir para o Brasil, montava a agenda, mandava e-mail para todos os empreendedores, o local do hotel.

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A missão da Ingresse é facilitar a compra e venda de ingressos online para qualquer tipo de evento. Ela também faz parte do case da 500 Startup.

A minha sorte era que eu conhecia o Dave McClure, que é sócio fundador da 500 Startups. Ele é uma das poucas pessoas que acreditavam no projeto. Porque uma coisa é você colocar dois milhões de dólares em um país que você está explorando, outra coisa é você falar: “50 mil dólares, vou aqui criar um portfólio de cem empresas, 50 empresas está bom”. Se 80% falhar, ele está no modelo, não é? Se 80, 90% falhar, os 10% que tiverem sucesso vão pagar pelo resto. A tese permitia fracasso, que era uma coisa que a gente precisou naquele momento no Brasil. E aí, eu tinha cinco empresas e um dia sentei com ele e falei: “Vamos dar uma olhada nessas empresas? Você não quer investir?”. Ele olhou e falou: “Vamos investir em todas. Acho que você está trabalhando para a gente”. Eu falei: “Bom, se você vai investir em todas, acho que estou trabalhando para vocês” [risos] Aí entrei como consultora.

FHOX – Isso foi em?
Bedy – Foi bem no comecinho da 500, em 2011. O fundo foi criado em 2010. Houve, obviamente, outras interações; eu sabia que ele queria ir ao Brasil, então se eu pudesse levar 40, 50 investidores, empreendedores do Vale, do mundo, para o Brasil, isso ia aumentar a veia. Quando fiquei sabendo que eles estavam pensando em fazer o Kick Sampling, que é o evento que leva os empreendedores e investidores ao redor do mundo, não cheguei falando: “Quero trabalhar”, só falei: “Como posso te ajudar a fazer um negócio relevante no Brasil?”. Ajudei a montar toda a agenda no Brasil. Durante a viagem mostrei as empresas e falei: “Já que você está aqui, deixe-me te mostrar onde eu investiria”. Logo depois da viagem acabei me juntando à organização e hoje a gente está em 50 países.

FHOX – Você acabou sendo propulsora de um modelo para outros países?
Bedy – Exatamente. A gente acabou tendo vários formatos.

FHOX – Você participou ativamente em outros países também?
Bedy – Participei de vários países. Estava muito próxima à operação. Realmente, o grande pulo de rede para o fundo, é porque, primeiro, acho que tem um componente global muito forte. São poucos fundos que realmente têm uma atuação tão global. E, depois, a outra parte, posso convencer cem pessoas de que o Brasil é maravilhoso. Agora acabei de assumir a operação no México. Posso convencer as pessoas de que o México é maravilhoso. Realmente gera uma alavanca catalisadora muito forte em lugares em que a Five Hundred estava porque, basicamente, “O Vale está vindo a nós”, e é difícil isso acontecer.

FHOX – Sua formação, na FGV, foi em quê?
Bedy – Administração de empresas. Fiz a GV que é uma excelente escola. Quando vim para os EUA, fiz um mestrado, chama Master of Liberal Arts. É o equivalente a um mestrado em humanas. Superamplo, você tem de pegar pelo menos três matérias em departamentos diferentes. Então me aprofundei em East Asia porque a ideia inicial era fazer a ponte da Ásia, particularmente, China com o Brasil. Acabei aproveitando um pouco essa minha estadia nos EUA para conectar com a China. E aí eu fazia aulas ligadas a isso. Fiz Filosofia, East Asian Studies e Political Science. É muito bacana porque diferentes departamentos forçam você a pensar de forma diferente.

FHOX – Isso ajudou a estimular uma certa transversalidade?
Bedy – Exatamente. É a palavra certa, “transversalidade”, que eu nunca tinha tido acesso. A nossa formação no Brasil é mais singular. A não ser algumas pessoas que prestam várias universidades. Os EUA permitem essa abundância.

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“Empreender e focar em expandir ” faz parte do lema da ContaAzul, case da 500 Startup.

FHOX – Como você está vendo este momento do Brasil?
Bedy – Um momento muito bom para investir. Fiz 30 investimentos até hoje e nunca quis montar aceleradora no Brasil. Prefiro trazer os empreendedores a serem acelerados aqui. Primeiro porque eu não preciso montar a estrutura de curso, no Brasil ia ser muito caro. E o valor das empresas é muito alto também. Acho que o Brasil vai voltar [a crescer], porque a gente passa por ciclos. O que eu estava convencendo os sócios daqui é para a gente investir muito mais no Brasil. Mas isso é a minha concepção porque tenho conhecimento do Brasil.

FHOX – Como você define o funcionamento da Five?
Bedy – Somos uma plataforma global em que a gente ajuda tanto os empreendedores, como os investidores a terem sucesso. Porque, se todo mundo tiver sucesso e a gente tem algo investido nas empresas, elas passam a ter um valor muito maior. Se trabalharmos só com os empreendedores, às vezes, é muito difícil porque o empreendedor acaba não tendo capital seguinte. Nesse contexto, deixamos de ser simplesmente um fundo e passamos a ser uma plataforma global, quase como se a gente pudesse exportar o Vale do Silício para outros lugares. Obviamente, a forma mais tradicional de pensar é um fundo de investimento, mas achamos que não somos um fundo de investimento. É que o modelo de fundo de investimento está quebrado. Estamos fazendo uma revolução nesse mercado de venture capital. Porque o modelo tradicional dos fundos é o seguinte: você capta um fundo e a sua receita, você tem 2% do fundo captado normalmente. Você tem uma taxa de administração que é paga a seus funcionários. Aí você tem um retorno, o que a gente chama de carry. Se a empresa tiver sucesso, retorno, você fica com uma porcentagem. Se a empresa tem cem milhões e depois de dez anos você vendê-la e tiver 200 milhões com agregados, desses cem milhões, você fica com 20%. Então, no modelo tradicional é net 2-20. Dois por cento de taxa de administração com 20% de carry. Só que isso foi fundado no passado em que as tecnologias não aconteciam de uma forma tão espontânea. Hoje, as plataformas de distribuição, custo da empresa, é cem mil para você poder levar, ou muito menos. Você consegue gerar um negócio relevante com uma necessidade de capital muito menor. A verdade é que houve uma transformação depois das plataformas, Facebook, YouTube, Twitter…
Somos uma aceleradora? Sim, somos um fundo de investimento, mas a gente criou uma série de serviços e acaba sendo uma plataforma para fundadores. Lançamos treinamentos para investidores, em conjunto com Stanford, por exemplo. Se, no Brasil, investidores começam a investir como o pessoal aqui no Vale, os empreendedores que a gente investiu passam a ter mais sucesso.

FHOX – Quer dizer, é uma tentativa de trazer a academia para perto?
Bedy – Acho que está todo mundo aberto, as empresas, a academia, os fundos. É um momento muito feliz para trabalharmos. Porque, como o fundo já tem quase seis anos, vamos sentindo essa transformação, e já está mais robusto. Hoje tem cem pessoas na equipe que podem fazer o fundo crescer.

FHOX – Você sente também maturidade lá na ponta? Mudança no empreendedor brasileiro em relação ao Vale do Silício?
Bedy – Sinto. Os empreendedores estão mais preparados, têm mais acesso, já têm um primeiro ciclo que aconteceu com o boom de 2010. Então, ou eles têm sucesso, ou fracasso; tendo fracasso, pergunto se recicla ou não.

FHOX – Qual seria o caminho das pedras para quem criar um relacionamento e vender suas ideias para investidores aqui?
Bedy – Tem tantos caminhos. Para o empreendedor, o ponto mais importante é identificar um produto relevante para um mercado grande. Se você consegue fazer isso, o investidor acaba sendo consequência.

FHOX – Aquilo que você falou no início, escalabilidade, impacto.
Bedy – Exatamente. Porque aqui a gente facilita o acesso. Como se fosse uma plataforma, você entra, pluga, a gente já tem os mentores, os programas, todo mundo já circula por aqui.

FHOX – Vou pegar pelo segmento de fotografia e imagem. Você nota potencial bom para empresas de fotografia e imagem em uma época que as principais marcas têm na imagem e fotos muitos trunfos, a imagem pauta a sociedade. Vocês têm um olhar para imagem de alguma forma, ou não é nada específico?
Bedy – Interessante… [silêncio]. Nada específico. Acho que o fato é, sim, a imagem é uma forma de expressão, muita coisa vai para o vídeo. Antigamente não tinha essa flexibilidade. E a gente sabe que muitas vezes, distribuição e curadoria acabam sendo mais importantes do que produção. Isso para quase tudo. Você pensa em educação, a pergunta é: “Tem, ou não, conteúdo? Precisa gerar, ou não, conteúdo?”. É uma questão de distribuição ou existe uma transformação em cima disso? São algumas coisas que a gente se pergunta, se eu tivesse de criar uma tese de investimento em cima de imagem, seriam algumas coisas que a gente olharia. Mas hoje não tem. Mas a gente, por exemplo, olha muito o mercado de vídeo. Então a gente foi fazer um trap. Na aceleradora, a gente tem se especializado.

FHOX – Segmentações?
Bedy – É, basicamente a Five Hundred traz sócios que têm especialização de rede, de acesso e têm lá sua tese específica de como quer fazer um investimento. A primeira coisa que a gente vai fazer, no mundo ideal, é que essas pessoas consigam criar um fundo dedicado para isso, e pode ser em várias áreas. Hoje, a gente tem um grupo de FinTech, são 50 empresas que estão aqui, das quais dez são empresas de FinTech. Tenho um empreendedor que vendeu a empresa dentro de FinTech, e ele selecionou as empresas, ele traz para dentro da rede e tenta achar formas em tudo que já está preexistente. Acho que para imagem, se a gente estender, por exemplo, a questão da GoPro, acho que tem bastante oportunidade, se você entrar em vídeo.

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Outro produto da 500 Startup é o Descomplica, um site de educação que ajuda o estudante a ter mais chances de passar na prova do ENEM e Vestibulares.

FHOX – Como levantar recursos? O que você recomenda?
Bedy – Às vezes, você pensa assim: “Vou captar um milhão de dólares”, parece tanto dinheiro. É tentar quebrar em pequenas partes. Muitas empresas têm que fazer aceleradora? Não, não acho que têm que fazer aceleradora. Mas, se você fizer uma aceleradora, muitas vezes é difícil trazer o primeiro cara, ou a primeira mulher a acreditar no seu negócio. Então é só uma forma de impulso para o primeiro passo. Por exemplo, para as empresas que estão aqui, já receberam capital da Five Hundred, já têm 100, 150 mil dentro de investimento. Mas, normalmente, assim que elas terminam, precisam fazer uma próxima rodada. Sempre tem aqueles fundos lindos, maravilhosos, que todo mundo quer que eles invistam, só que quanto mais famoso for, muitas vezes, ele é cada vez mais distante. Todo investidor funciona um pouco como manada. Tem uma pessoa indo, todo mundo vai. A pergunta é como você gera esse momento manada? Recomendo ao empreendedor montar uma lista, quanto maior for, melhor, e montar um processo de venda nessa lista. Aí segmenta quem você mais quer, quem é mais provável. Começa a praticar venda em cara que é menos provável, isso vai ficando cada vez melhor na venda para os caras que você mais quer…

FHOX – Você usa os menos prováveis como aprendizado, é isso?
Bedy – Exatamente. E aí, para os investidores, eu também classificaria quem é perfil de investidor. Tem investidor que entra muito rápido. Tem investidor que vai entrar, mas quer ser o último. Tente a estratégia: quem que é esse cara muito rápido, quem vai demorar, e aí tem também como você compõe isso. Tente montar um pouco de processo em cima do fundraising, acho que é bem importante. Ter uma apresentação em que você consegue comunicar; praticar é também importante nesse contexto. E aí, muitas vezes, é muito mais fácil você fazer uma captação com pessoas menos famosas, que pode ser seu pai, sua mãe e seus amigos ou gente de indústria, e aí você compõe e vai aumentando, não é? Então começa pequeno…

FHOX – E ganha alguma roupagem.
Bedy – Ganha escala, roupagem, confiança. As três coisas que eu faria: montar um pipeline grande; pensar em minipedaços, começa pequeno para que você possa chegar ao grande. E uma terceira forma de aumentar a probabilidade é pegar gente de indústria porque, o que acontece em startup? Tudo é risco, não é? Então coisas que fariam os investidores pensarem que o seu risco é menor. Mas o mais importante é ter um produto relevante em um mercado grande. O resto vem.

FHOX – Vi aqui muitos brasileiros envolvidos no Vale do Silício, uma certa imagem de criatividade nossa. Isso procede?
Bedy – Acho que sim, o brasileiro é criativo pela demanda, é treinado a ter que resolver os problemas. A gente é bem criativo, é mais espontâneo. O importante na criatividade, o que gera inovação e criatividade, é a diversidade das ideias também. Então, às vezes, brigo com os empreendedores que a gente investe. Você entra no “about us”, aí tem dez pessoas, das quais todo mundo parece que se formou na mesma escola, é da mesma classe social, do mesmo perfil. Não tem diversidade, então como é que você gera criatividade? As pessoas podem até ser criativas. Todo mundo veio para o Vale, mas cadê a diversidade real que vai gerar a criatividade, ou a inovação? Então acho que é só prestar um pouco de atenção. Muitas vezes, a gente não é criado em ambiente tão multicultural, canso de ver empresas que só têm homem. Não acho que precisa contratar uma mulher, mas traz outra discussão, outra audiência quando você vai recrutar. É só achar esse balanço e definir melhor a questão da criatividade/inovação, não é?

FHOX – Você pode citar um pouco seus cases de sucesso?
Bedy – Sim, sim. Acho que as empresas que hoje estão bem, Viva Real, Conta Azul, Descomplica, Ingresse, são empresas que, dependendo da área que você está, o pessoal acaba conhecendo.