Entrevistas 4 semanas atrás | Mozart Mesquita

Iridesse: a aposta da Xerox na personalização para o ramo fotográfico

Equipamento já é um sucesso internacional de vendas e agora inicia sua jornada no mercado brasileiro

por Revista FHOX
Martyn Train da Xerox. Boas expectativas para o mercado fotográfico brasileiro para 2019

O lançamento global foi em maio. A Xerox Brasil decidiu aguardar para lançar no Brasil com o equipamento operacional e em condições de mostrar do que é capaz. Instalado na Unidade Senai de Barueri, da qual a empresa é parceira, a Iridesse chegou em outubro para marcar presença em campos que são música para os ouvidos dos laboratórios: personalização e geração de valor agregado ao impresso. Com dois toners especiais além dos quatro que compõem o clássico CMYK, o equipamento promete entrar na briga pela preferência de gráficas e laboratórios profissionais. Uma amostra desse potencial são as vendas, que já passam de 150 equipamentos ao redor do planeta, sendo que destes, 50 foram vendidos no que a Xerox considera mercados em desenvolvimento: América Latina; leste Europeu; Oriente Média e África. A Índia, país em que a indústria de casamentos demanda impressões detalhadas dos sofisticados adereços usados pelas noivas, dá uma bela amostra do potencial da Iridesse para o mercado fotográfico, “já vendemos 7 equipamentos lá, estão fazendo muito sucesso com os laboratórios profissionais fotográficos”, comenta o inglês Martyn Train, gerente geral de comunicação gráfica para mercados em desenvolvimento da Xerox, durante a coletiva de imprensa organizada pela empresa para jornalistas brasileiros. Ser um sucesso no mercado indiano é um bom sinal e anima não só Martyn, como toda a diretoria da Xerox Brasileira, afinal são cerca de 9 milhões de casamentos por ano no país, 9 vezes o tamanho do mercado brasileiro. Para saber mais sobre o equipamento, sobre sua visão do mercado global e as expectativas de penetração da Iridesse no mercado brasileiro, FHOX entrevistou Martyn, confira a seguir a conversa com o executivo.

FHOX – Qual é o diferencial da Iridesse da Xerox?

Martyn Train – É um equipamento realmente inteligente na mistura de cores e tecnologia de impressão. Consegue mesclar CYMK e prata, sem gerar conflitos. E assim criar uma cor única. Conseguimos gerar uma cor ouro ou prata puros. Todas as pigmentações e controles são possíveis e todas versões de cores que se possa imaginar. Outros sistemas do mercado não conseguem dar essa flexibilidade de impressão e de forma única para cada cor. Eles até conseguem inserir outro processo, mas não podem integrar de forma precisa e robusta como a Iridesse. E assim geramos produtos únicos e diferenciados. Aquela cor ali (apontando para uma impressão com o equipamento) é uma cor Iridesse. Seria impossível recriar em outra impressora office press. E bem difícil de replicar em outra tecnologia digital de impressão.

FHOX – E de que forma isso beneficiaria a loja de foto ou lab pro? 

Martyn Train  – Você consegue criar aplicações únicas. Essa é a grande diferença. É uma impressora de quatro cores sensacional (CYMK printing). Provavelmente a melhor da indústria. Vendemos 150 até agora no mundo. 95% dessas vendas vem com outras estações. Então quem está comprando pode levar a produção de cartões de visita para outra direção. Adicionando valor com um custo barato para quem imprime. E a percepção de valor para o consumidor é muito maior do que o custo incremental. Creio que a forma como os negócios estão adicionando outras estações Xerox é algo que torna a Iridesse única. Existem outros equipamentos com estações extras. Mas a forma de usar nesse caso é especial.

FHOX – E as vendas como estão? Existem negócios relacionados a fotografia nessas empresas que adquiriram a Iridesse?

Martyn Train  – Como disse, vendemos 150 no mundo e desses, 50 máquinas foram vendidas até agora em mercados de países em desenvolvimento. Na Índia, o mercado para fotografia é gigantesco. O mercado de casamento é enorme lá. Temos uma boa presença naquele mercado. Levamos a Iridesse para a Índia em um road show. Estivemos com eventos em Nova Deli, Bangalore, Mumbai e Calcutá. As máquinas foram vendidas mesmo antes dos eventos da Xerox acontecerem. A aceitação da Iridesse no mercado tem sido ótima. Creio que se funciona na Índia, funciona em qualquer mercado que envolve fotografia no mundo.

FHOX  – E são negócios que imprimiam com tecnologia fotográfica? Do processo tradicional com papel, químicos e minilabs? 

Martyn Train  – Sim, gente de fotografia. Essas impressoras no mercado indiano estão conectadas com milhares de fotógrafos que atuam por lá. Sobretudo, por conta dos serviços on-line que oferecem  photobooks na região. O mercado indiano é o mais crítico quanto a qualidade de impressão de fotografia no mundo. Eles prestam atenção nos tons de pele, nos grãos. Diria que fazem um trabalho forense na análise das impressões. São muito exigentes examinando fotos. Na Índia, o retorno que tivemos com a Iridesse foi imediato. Até então o mercado de alta qualidade de impressão por lá era dominado pela HP Indigo. O retorno que tivemos nos últimos meses demonstrou que agora eles veem uma alternativa. Temos uma boa presença naquele mercado. Creio que se funciona na Índia, funciona em qualquer mercado que envolve fotografia no mundo. Só que alternativa com um diferencial. Em especial na impressão de fotos em que aparecem joias nos casamentos, com toques de cor melhorando as cores prata e ouro com tecnologia Iridesse. E outros ajustes e efeitos de impressão, com custo baixo. E cobrando de forma rentável por esses serviços. Estou muito entusiasmado com a aceitação da Iridesse no mercado fotográfico indiano. Porque esse é o meu benchmark. Estamos confiantes e sabemos das diferenças de mercados locais e em desenvolvimento. Com a Iridesse o negócio de foto pode imprimir uma foto ou meio milhão por mês. Essa tecnologia está realmente está nos levando para o mercado fotográfico. Sempre estivemos nesse ramo, mas agora estamos com mais força aprimorando nossa presença.

FHOX – Quais as tendências de impressão para os próximos anos na sua visão?

Martyn Train  – Vai além da impressão CYMK. É inclusive uma hashtag que usamos no Linkedin. E na verdade muitos estão usando essa hashtag de ir além da impressão quatro cores. Essa tem que ser a tendência. Todas essas máquinas hoje são ótimas para impressão quatro cores. É como quando você compra um carro. Você sabe que vai ter aquele motor e que outros modelos terão um motor igual. A questão agora é: o que dá para fazer além disso com os equipamentos de impressão? Os brancos, a mistura de cores e texturas metálicas. A tendência para mim, é ir além do CYMK. O que podemos fazer com brancos, ouro e prata. De como usar prata com CYMK por exemplo. E assim produzir aplicações únicas que antes não podiam ser produzidas. O que vemos em termos de quantidade de impressão varia por segmento. Contas de luz, extratos e outras contas estão em declínio na impressão. Por conta de contas digitais, laptops e smartphones. Algumas vezes os governos se voltam contra impressão de algo desse tipo. Sobretudo nesse mundo de transações. Às vezes é obrigatório imprimir por questões legais, etc.

FHOX – E na fotografia?

Martyn Train  – Em alguns países cresce por conta do digital. Até porque a tecnologia melhora cada vez mais. Photobooks e afins. O que mais cresce no mundo são os álbuns e em especial os livros coloridos e monocromáticos. Os publishers estão em uma tendência de tiragens menores. Muito difícil agora alguém imprimir 10 mil livros em uma tiragem. O que ocorre agora é do publisher ou editora vender o livro e tentar imprimir sob demanda. E assim levantar o dinheiro de forma rápida. O antigo processo de imprimir 10 mil unidades para depois torcer para vender não vai acontecer mais. Então essa é uma tendência muito forte do “on demand”. Passou de 10 mil edições para 5 mil e agora mil unidades. Ele até pode imprimir 10 mil. Mas vai fazer isso em tiragens de mil peças e aos poucos. O problema é que os equipamentos offset costumam não funcionar bem para tiragens pequenas. Com a Xerox conseguimos imprimir uma peça sem desperdício. Nessa semana que estive no Brasil passei a maior parte do tempo com editoras que imprimem livros. Inkjet é uma tendência tecnológica de impressão para esse novo formato. Packging em termos de investimento é ainda pequeno, mas cresce de forma rápida. um mercado em crescimento, mas com demanda interessante e ainda pequeno. Creio que a tendência de impressão em pequenas quantidades para embalagem também vai ocorrer da forma como será para os livros nos próximos 3 a 5 anos.

FHOX – Qual a sua percepção sobre o mercado brasileiro? 

Martyn Train – Estou nessa posição faz 7 anos. E o mercado brasileiro estava bem forte sete anos atrás quando estive aqui. O Brasil era um mercado muito importante para a Xerox. Agora menor, obviamente. Por conta dos últimos quatro anos de recessão. Espero que com o novo governo tenhamos estabilidade da moeda e do próprio governo. Todos os empresários que conversei aqui no país tem ambição e querem crescer de forma agressiva. Desde de que o ambiente permita. Creio que nos últimos quatro anos o ambiente não foi favorável e não permitiu isso. Seja pela cotação do dólar, da instabilidade do governo, falta de crédito. Tudo um pouco. Vejo que as coisas já estão melhorando. Estive aqui faz umas semanas e o dólar já tinha caído 10 a 15%. Acredito pelo que vi que o ambiente e a percepção vai melhorar.

FHOX – A Xerox parece crescer no mercado fotográfico daqui? É uma percepção correta?

Martyn Train – Sim. Crescemos na Índia e no Brasil também. Nossos produtos começaram devagar, mas nos últimos dois anos cresceu. Nos laboratórios e  no mercado fotográficos estamos acelerando. Notamos isso na instalação de equipamentos Xerox no mercado fotográfico.

 

FHOX – O senhor pode falar sobre o que aconteceu no caso da aquisição da Fujifilm? O que houve com a negociação que envolveu a compra da Xerox pela Fujifilm?

Martyn Train – Posso falar do que sei. Em essência, o que aconteceu foi que no negócio que foi anunciado em janeiro deste ano, dois dos grandes investidores da Xerox acreditaram que a marca foi negociada em um valor abaixo de mercado. Se devemos concordar ou não, esses dois acionistas majoritários acreditaram nisso. E a partir daí, a finalização da negociação ficou complicada de seguir em frente. Seguimos em conversas e sei que o CEO John Visentin da Xerox está buscando o melhor para a marca pensando nos acionistas. Visentin foi escolhido como novo Chairman e CEO nesse ano bem na época do acordo. E agora ele quer que esse negócio seja o melhor para os acionistas. O valor das ações da Xerox sobe nesse ano e ele comanda a empresa para que as coisas sigam na direção correta. E as conversas entre Fuji e Xerox continuam abertas. Ainda é possível, até porque as duas marcas são parceiras pelos últimos 50 anos. É uma joint venture das duas organizações. Quem é dono de quem é uma das discussões que ocorre nesse momento também. Somos parceiros com metade de participação nos negócios pelos últimos 50 anos. Pode ser que a parceria siga ou não. Todas opções estão na mesa.

FHOX – O senhor poderia falar do potencial de impressão para fotografia a partir dos smartphones?

Martyn Train – Não posso falar das soluções e softwares. Sei que a Xerox atende parceiros que trabalham de olho nos smartphones. A posição da Xerox é de que não seremos desenvolvedores de aplicações para os usuários. Somos mais a solução tecnológica para quem quer atender na produção nesse mercado. 

FHOX – E em termos de tendência tecnológica. O senhor vê avanços de realidade aumentada e inteligência artificial para o mercado fotográfico? 

Martyn Train – De novo, temos um parceiro que cuida disso com software. A Solimar. Eles têm um case na Irlanda para contas de telefone impressa e o usuário usando realidade aumentada consegue interagir com a conta. O consumo da conta acaba sendo visual com essa tecnologia. Uma barra dinâmica que aparece graças a realidade aumentada. Inteligência artificial e realidade aumentada não são foco principal. Somos um suporte secundário para essas soluções. Sei que qualquer que seja a necessidade ou gatilho que uma empresa necessite nossas impressoras podem atender. Com a Iridesse dá para criar um gatilho especial com realidade aumentada. Algo que a Solimar já está usando inclusive. Não é algo que vendemos, na verdade oferecemos como uma integração de solução.

Um parceiro Xerox que usa realidade aumentada

FHOX: mais que uma revista, uma ferramenta indispensável para quem vive fotografia

Se você tem uma matéria, um relato, uma coluna, um tutorial ou qualquer outro tipo de conteúdo e quer contribuir com o FHOX.com.br, nos envie! Nosso departamento de redação vai analisar e, se aprovado, será publicado e assinado por você, respeitando todas as regras do direito autoral. Colabore clicando aqui: Você na FHOX.