Entrevistas 3 anos atrás | Redação

Fotografia de família no interior do Brasil

Marina Cadore atua em sessões de família, crianças e gestante no interior de Mato Grosso

por Revista FHOX

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Marina Cadore vem de uma família com tradição na fotografia, a prova disso é que logo ao entrar no site dela o visitante encontra a frase: sou irmã, filha, sobrinha e neta de fotógrafos. A fotografia está no sangue há mais de 65 anos.

Com estúdio próprio em Primavera do Leste (MT), Marina trabalha de forma diversificada e sem parar. Um destaque são as fotos em belas locações da região. Empreendedora, ela mostra toda sua capacidade de adaptação e criatividade na fotografia mato-grossense. O resultado fotográfico mostra-se alinhado com o slogan da profissional: encantamento visual. Acompanhe a entrevista.

FHOX – Como começou na fotografia?
Marina Cadore – Venho de uma família de fotógrafos, desde meu avô (lá no Rio Grande do Sul). Neguei a fotografia por muito tempo, me formei e trabalhei em outra área. Somente depois, em 2007 que voltei para empresa da família e a partir daí passei por todas as etapas: Laboratorista, editora, assistente e segunda fotógrafa. Só então comecei a fotografar sozinha.

FHOX – Quais os principais segmentos de atuação dentro da fotografia?
MC – Famílias, gestantes e crianças acima de 6 meses do qual faço um trabalho específico de fotografia mais lúdica e mágica.

FHOX – Qual o principal desafio que enfrenta hoje?
MC – Conseguir trabalhar em outras regiões, por conta da geografia. Moro no interior do Mato Grosso, levo muito tempo para ir até a capital. E após chegar na capital, ainda preciso ir até o local do interessado. Isso acaba onerando muito para o cliente e na maioria das vezes fica inviável financeiramente, pois o frete sai mais caro que o produto.

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FHOX – Como cria os ensaios? É mais dirigido ou você deixa a sessão rolar?
MC – Trabalho de forma diferente com adultos e crianças. Com adultos consigo dirigir bastante, tenho facilidade em me comunicar, então estou sempre brincando para dar uma “quebrada no gelo”. Quando fotografo crianças eu brinco junto com elas, uma forma de me tornar amiga. Brinco de pega-pega, rolo no chão, uma farra. Assim vai acontecendo, nunca é posado com os pequenos.

FHOX  – Você tem estúdio físico? Vai mais na casa dos clientes ou marca em locações?
MC – Temos estúdio físico sim, somos um estúdio com quatro fotógrafos, porém somente com três estúdios. Sempre que eu precisava ficava sem e isso me forçava a fazer externas, assim acabou virando meu estilo e minha especialidade. Temos seis meses de chuva excessiva e seis meses de seca excessiva também, hoje já consigo saber o que fazer nessas situações, não posso ficar sem trabalho porque está chovendo ou está calor demais. Às vezes faço fotos até na época das queimadas do cerrado, que fica com um efeito bem mágico por conta da fumaça. Fica lindo, mas a gente fica cheirando à defumado no final (risos).

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FHOX – Como é atuar em MT? Como é a concorrência?
MC – Moro em um estado distante e numa cidade mais distante ainda, por muito tempo considerava a distância ruim neste sentido, mas passei a enxergar com bons olhos. Temos menos profissionais especializados por aqui, isso dá uma certa vantagem para quem corre atrás de conhecimento, você automaticamente se destaca. Outra coisa boa é que transitamos muito de uma cidade para outra. Não significa que não tenho concorrentes, na minha cidade somos em cerca de 30, mas sempre estamos buscando estar na frente, ser a referência. Com a fotografia de crianças aconteceu da mesma forma, até então fazia-se uma fotografia bem padrão, em pouco tempo já tinha fila de espera para acompanhar o crescimento dos bebês.

FHOX – Onde busca inspiração? Quais são suas referências?
MC – Minha família é minha maior referência, foi de onde aprendi tudo que sei. Quando criança convivia com minha mãe lidando com os negativos em preto e branco no laboratório. Mais tarde quando voltei para a fotografia fui assistente da minha irmã por sete anos, nesse período aprendi muito do que sei hoje, muita vezes só olhando ela fotografar. Há um tempo parei de olhar o trabalho dos outros e buscar o que eu quero fotografar de verdade, sem interferências. Tem dado certo até agora e eu me sinto mais feliz.

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FHOX – Você parece ter uma atuação de fotógrafa da família? Ocorre de você ser indicada para outras coisas dentro de uma mesma família?
MC – Sim. Foi dessa que eu comecei a fotografar gestantes, que a princípio não fazia. Entretanto, não poderia deixar o cliente que havia fotografado o noivado e o casamento na mão. Hoje é o meu maior fluxo de trabalho, aprendi a gostar.

FHOX – Que produtos oferece? Álbum, decoração com fotos?
MC – Trabalhamos sempre com o álbum impresso, demoramos muito para aceitar a venda somente de arquivos digitais, hoje temos nos nossos pacotes, mas eu converso muito com o cliente e acabo desencorajando ele de fazer isso. Nunca vendi somente os arquivos. Temos também uma impressora Noritsu D703, que quando preciso negociar muito, vendo pacotes mais simples de impressão tradicional feita neste equipamento.

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FHOX – O que espera para o futuro do seu negócio?
MC – Espero o que está acontecendo agora. Quebrar as barreiras geográficas e poder mostrar e fazer meu trabalho para quem realmente se identifica com ele, independentemente de onde for. Mostrar que fotografia de criança não é apenas de newborn, existe um outro mercado para crianças maiores e que não é explorado com a devida criatividade. Crianças são maravilhosas e sempre lindas, dá para contar muitas histórias lindas em forma de imagens com elas.

FHOX – Como define seu estilo?
MC – Tem mesmo que se encaixar em algum? Risos.

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