Entrevistas 3 anos atrás | Leo Saldanha

FHOX entrevista Martin Parr

Conversa ocorreu no último sábado, (18/6), minutos antes da abertura oficial da mostra Parrtifical no MIS SP

por Revista FHOX

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Martin Parr é conhecido pela ironia e o sarcasmo em sua obra. O clima da entrevista acompanhou este tom. Seja pelo local, uma espécie de sala de chá montada na criativa e engenhosa cenografia de Ekaterina Kholmogorova, para a exposição Parrtficial com curadoria de Iatã Cannabrava, no MIS SP. Dividia em diversos ambientes de algumas das séries mais marcantes de Parr, a mostra apresenta uma ampla retrospectiva de uma forma criativa. “Life is Beach” por exemplo, traz a praia de Parr para a realidade dos visitantes. Como se pudessem ver os turistas clicados por ele bem ali. A “Parr Square” também está por lá, um labirinto com fotos e casais entediados em retratos que dizem muito. Veja abaixo a entrevista com Martin Parr.

FHOX – O senhor poderia falar sobre esta exposição que fala das selfies, do consumismo e tantas outras questões. Sempre com ironia. Essa é sua maior exposição já feita na América Latina não?
Martin Parr – Sim. É muito bom. Iatã e Katarina cuidaram do desenho de tudo e com esta ideia de fazer tudo um pouco diferente. Sabe, na verdade é bom estar sentado aqui. A exposição traz seis ou sete dos meus projetos. Muitos deles sobre a vida moderna, consumismo, turismo e todas as coisas que as pessoas que acompanham esta entrevista fazem. Então, o grande assunto aqui é o próprio visitante da mostra.

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FHOX – Nós notamos o crescimento da fotografia com smartphones. Todo mundo achando que é fotógrafo e clicando o tempo todo. Mas isso não significa que as fotos estão ficando melhores ou estão?
Martin Parr – Nunca tivemos tantas fotos. Eu recebo bem não só as fotos ruins mas também as belas fotos que meus colegas estão criando. Porque você não sabe o que é uma foto boa até ver uma ruim. Ao menos sinto que minhas fotos trazem um propósito. E vai além da ideia de mostrar no Facebook eu e meus amigos em toda parte. Tento fazer aqui uma crítica à sociedade em que vivemos hoje. Tento mostrar as coisas cotidianas que talvez as pessoas não tenham visto.

Martin Parr fotografando a própria mostra no MIS
Martin Parr fotografando a própria mostra no MIS

FHOX – O senhor também é um colecionador de photobooks, presidente da Magnum e curador. Deve ser muito desafiador, não?
MP – Sem problemas, só acordo cedo.

FHOX – A agência Magnum é muito respeitada aqui e lá fora. Qual sugestão o senhor daria para quem quer seguir na carreira ou melhorar?
MP – Bem, deve encontrar a mensagem e o assunto em que você está envolvido e ter paixão naquilo. E precisa trabalhar pesado. A melhor coisa sobre fotografia é que não tem atalho. Você pode dizer rapidamente se é bom ou não. Se você quer que seja realmente forte deve investir tempo, energia e paixão.

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FHOX – O que o senhor acha da questão de copiar os outros? Muitos inclusive copiam o seu estilo.
MP – Tudo bem em copiar. Você aprende pela conquista de outros fotógrafos. E você terá que encontrar seu próprio estilo e visão. Muitos dos estudantes e amadores que querem se transformar em fotógrafos não terão sucesso. Para conseguir uma carreira é necessário investir tempo e paixão. Daí acontece e você encontra seu próprio estilo.

FHOX – Equipamento e as ferramentas importam muito?
MP – A única coisa que importa é a ideia e como você a expressa. Qualquer um pode fazer uma boa foto nos dias de hoje. Na verdade é muito fácil.

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FHOX – Com toda a transformação da fotografia como o senhor vê o papel da Magnum? Uma agência com 70 anos de história.
MP – Nós convidamos os fotógrafos e eles podem se inscrever. Na semana que vem vamos julgar muitos inscritos e chegar aos selecionados. Teremos um encontro em Londres para definir quem vai fazer parte e as questões de negócios.

FHOX – Como o senhor consegue captar essa ironia, o sarcasmo e a crítica nestas fotos. Está no olho ou como chegar neste resultado?
MP – Está no meu olho, claro. Além do fato de eu ter objetivos claros. E faço isso há 45 anos. Provavelmente todos os dias. Se eu não estivesse fazendo tudo isso para que serviria. Trabalho pesado deve ser recompensado.

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FHOX – O senhor tem mais de 80 livros publicados?
MP – Sim, você pode ver os vídeos sobre eles aqui no MIS. Photobook é um grande legado que você pode deixar. Estou maravilhado de ter tantos.

FHOX – Muito obrigado e parabéns pela exposição. O que o senhor acha do Brasil?
MP – O que não gostar no Brasil? Um ótimo país. A fotografia é muito rica e cheia de fotógrafos. Muito bom estar aqui.

FHOX – Quais são suas próximas etapas e ideias para projetos? Vai continuar fotografando por aí?
MP – Claro, o mundo lá fora é um lugar maluco. Existem diferentes jeitos de interpretar e mostrar isso para os que acompanham meu trabalho.

FHOX – Uma última pergunta…
MP – Os entrevistadores sempre dizem que será a última pergunta e depois ainda tem mais cinco perguntas. Então esta será a última pergunta mesmo.

FHOX – Como curador o que o senhor busca em uma foto?
MP – Trabalho forte. É a única coisa que conta.

FHOX – Muito obrigado pela entrevista. Parabéns pela mostra.
MP – Obrigado.

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