Entrevistas Fotografar 1 semana atrás | Redação

Fernando Dai Prá: Jovem, Talentoso e Promissor

Fotógrafo e empreendedor é um dos destaque do Congresso Fotografar 2019

por Revista FHOX

Fernando Dai Prá é fotógrafo e empreendedor. Ele irá ministrar a palestra “Evoluindo em Bases Solídas” dentro do Congresso Fotografar 2019, dia 03 de abril as 14h10. Para participar desta e outras palestras do congresso, os ingressos estão a venda no site oficial do evento.

Texto: Leo Saldanha

 

Fernando Dai Prá

Ele aparenta até ter mais idade. Seja pelo jeito sério ou, sobretudo, pela postura extremamente profissional. O fato é que Dai Prá se tornou uma referência no Rio Grande do Sul e rapidamente virou a bola da vez na fotografia de casamento. Agora começa a clicar eventos fora do estado e até do País. Não é pouca coisa para um fotógrafo que atua em Caxias do Sul, cidade que é considerada capital dos estúdios do Brasil com dezenas deles e excelentes fotógrafos. A concorrência de grandes profissionais faz com que o patamar da fotografia e das práticas na cidade seja de altíssimo nível.

O jovem talento, que só tem 23 anos, conta com um escritório moderno e, com a namorada, Victoria Gagarin, atende casamentos, família, newborn e formaturas. Dai Prá começou no Foto Stúdio Itália e mostra profunda gratidão com os antigos patrões. A FHOX conversou com o profissional no intervalo do evento Cabine Photo Show. Confira a entrevista: 

Fernando Dai PráFernando Dai Prá

FHOX – Como foi que começou a trabalhar solo?

Fernando Dai Prá – O meu primeiro evento sozinho foi com 16 anos. Fui subindo, fazendo aniversários infantis, formaturas, colações – na época a gente fazia… a Foto Itália faz muita colação – e aí comecei a fazer casamentos. Cheguei a fazer casamentos sozinho como 1º câmera. Aos 20
anos decidi que eu tinha que alçar voos maiores, eu acho que o negócio de empreender sempre teve meio que dentro de mim. Conversei com a Odete e com o Odacir (que deram a grande oportunidade de crescimento do fotógrafo no foto studio itália). Foi uma das decisões mais difíceis da minha vida, mais difícil do que ter saído de Guaporé com 15 anos, porque era irresponsável naquela época. Mas com 20 anos eu saí para abrir o meu próprio negócio. Não sabia para que lado iria. Eu sabia fotografar, sabia trabalhar, não tinha muita noção de marketing, não sabia como atingir os clientes. Mas eu sabia a quem eu queria atingir: um público que, por um tempo, foi do Foto Itália e que estava com outros fotógrafos.

FHOX – Você tem uma combinação que não é comum no mercado, de boa fotografia, estilo, talento e um tino para negócio muito forte. De onde veio isso?

Fernando Dai Prá – É. Eu acho que a nova geração da fotografia – eu me considero dentro dela -, tem muito talento porque tem bastante acesso ao conhecimento. Desenvolvi algumas técnicas que fazem com que eu tenha um trabalho bom e que os clientes gostem. Mas esse tino do negócio eu aprendi com o pessoal da antiga, que no passado tinha que vender as fotos. Eu tive a Odete como exemplo, a esposa do Odacir e dona do Foto Itália, que foi a minha professora máster. Eu via tudo o que ela fazia. Peguei isso do negócio dela, de querer vender, de trabalhar muito, para mim. Hoje a Foto Itália é uma empresa consolidada, tem mais de 40 anos e diversos funcionários.

A Odete chega na empresa antes de todo mundo e vai embora depois de todo mundo.Trabalha e se dedica muito, e, automaticamente, vende muito. Isso também porque ela estuda vendas. Eu sempre a observava estudando. Então esse pessoal me mostrou que eu tinha que gostar de dinheiro, porque eu não ia simplesmente conseguir viver fazendo boas fotos. Além de continuar estudando. Eu estudo muito. Estou sempre me reinventando, tentando buscar referências fora daqui, porque o mercado muda muito rápido e a gente tem que acompanhar. Hoje eu trabalho de 16 a 17 horas por dia. Meu dia é assim, eu durmo seis horas por dia. E estudei isso, fui ao médico para saber quantas horas de sono deveria ter para seguir nesse ritmo.

Fernando Dai PráFernando Dai Prá

FHOX – A parte de negócios continua sendo um problema, um desafio para todo mundo. Que dicas você daria?

Fernando Dai Prá – Eu, hoje, consigo juntar muito bem. Quando eu comecei fiquei muito focado no business e consegui ter muito trabalho dessa forma cobrando bem. Só que chegou num momento que deixei. Não que eu tenha deixado de lado, continuei fazendo, mas eu quis me preocupar com a fotografia também. E com isso eu consegui cobrar mais ainda. E dá para juntar, precisa estudar, se dedicar, tem que buscar referências fora do mercado da fotografia, ler livros, buscar canais no YouTube, participar dos congressos.

Na Feira Fotografar, por exemplo, tem gente falando sobre marketing e sobre vendas. Eu acho que tem que sair um pouco dessa caixa e não ver simplesmente
o concorrente. Eu consegui crescer muito dentro de Caxias porque muitos fotógrafos até hoje acham que eu cobro menos. E eu sei que eu cobro mais do que eles.

FHOX – Escritório e estúdio são importantes no seu negócio?

Fernando Dai Prá – A loja é uma necessidade para atender um outro tipo de público. Com certeza, o meu escritório vai continuar existindo. É moderno. Eu investi nele, fiz um projeto com uma arquiteta e eu vou atender os meus noivos lá. A loja é para aquele cliente de estúdio, para fazer sessão de Natal, Páscoa, ou cowboy, muita foto de criança e foto de formatura. Volume. Porque isso vende muito, só que feito de uma forma, fazendo bem feito. Não simplesmente ser mais um desses estúdios no mercado. Quero vender uma experiência.

Eu tenho muito sério na minha cabeça que, quando eu tiver essa loja, eu vou ter uma cafeteria dentro dela e vou deixar o cliente à vontade. Vai ter um atendente só para ele, uma babá cuidando das crianças. Vou fazer com que as pessoas se sintam bem lá dentro. Eu acredito que é um erro muito grande das lojas simplesmente empurrarem os produtos ou trazer a pessoa para dentro apenas para vender. A venda vai ser uma consequência de toda a experiência que ela está vivendo dentro da loja. E ela vai comprar. Porque quando tu se sente bem e vê um trabalho bonito, tu passa a comprar dessa pessoa. Ponto. É simples! E daí
é isso que a gente quer promover para esses futuros clientes.

Fernando Dai PráFernando Dai Prá

FHOX – Como vê esse momento de crise na fotografia de casamento no Brasil?

Fernando Dai Prá – Eu acredito que a fotografia nunca vai deixar de existir. A gente pode se adaptar às realidades do mercado, quem sabe ser o único profissional de foto e vídeo, mas ela sempre vai continuar a existir. As pessoas sempre vão consumir fotografia. Só que cabe a nós, fotógrafos, mostrar o porquê nós somos melhores do que o tio que tem uma câmera, do que a prima que está cursando Fotografia.

FHOX – Agora, fotógrafo quer ganhar dinheiro, mas muitas vezes não tem postura também? Isso não é complicado?

Fernando Dai Prá – Eu sempre quis me vestir bem e eu sempre busquei isso, e se vestir bem não é gastar para se vestir, não é isso. Uma calça jeans e uma camiseta da Hering, um tênis bacana, compondo o corpo inteiro, tu está bem vestido. Para atingir os clientes que eu quero, eu devia frequentar alguns lugares, que no começo eu não podia, mas eu fui conquistando isso dentro da fotografia, porque eram lugares que eu queria frequentar.

Então, hoje eu sou sócio de um clube lá na cidade e assim convivo só com marajás. Eu consegui o respeito dessas pessoas. E não é por causa de dinheiro, porque dinheiro ainda não tenho, eu vou ter. Mas é porque eu sei me portar junto deles. E para isso, você coloca no YouTube “curso de ética” e vai aprender. Eu fiz muito disso, ir para a internet, como se portar, como se vestir, como falar, e eu ainda faço isso. Já fiz até curso de dicção, quando eu comecei a dar as palestras.

Fernando Dai PráFernando Dai Prá

FHOX – Seu ritmo está intenso, a impressão que dá é que sua dedicação é total ao trabalho?

Fernando Dai Prá – De domingo a domingo. Quando eu digo domingo a domingo, então é até o ano que vem. A partir de 2020, domingo a gente não vai mais trabalhar, nem ensaio nem nada. A gente
vai deixar de fazer trabalhos no domingo, para ele ser só nosso.

FHOX – Tem que ter o domingo para vocês?

Fernando Dai Prá – Até o final do ano que vem vai ser dessa forma. A Victoria menos porque ela tem um pique menor que o meu. Isso eu entendi. É uma tarefa difícil. Eu rodei muitas pessoas trabalhando comigo porque eu queria que eles todos fossem que nem eu. Que trabalhassem 15,
16 horas, não me importava em pagar. Só que não é só o dinheiro que importa para as pessoas. Então eu sou assim, eu trabalho 15-16 horas, a Victoria já é um pouco menos. Os funcionários eu tenho que entender, que será um pouco menos ainda.

Fernando Dai PráFernando Dai Prá

FHOX – Você tem essa visão por também ter sido funcionário?

Fernando Dai Prá – Era isso que eu ia mencionar agora. Eu tenho, e como eu consegui entender isso? Porque eu trabalhei como funcionário sete anos. Sei o que o funcionário pensa. Os funcionários têm que estar motivados sempre para conseguir ter o mesmo pensamento que a gente, porque se não, uma pessoa em descompasso quebra todo o processo e daí tu vai ter que treinar uma nova pessoa e começar do zero. E começar com alguém é muito difícil.