Entrevistas 5 meses atrás | Flávio A. Priori

Os devidos créditos de Bruno Vieira

Com exposições e assinando seu primeiro longa como diretor de fotografia, Bruno possui um trabalho variado e interessante

por Revista FHOX

Vamos começar esse texto com uma errata de um texto publicado em nosso site. Em abril escrevemos sobre o Bureau Fine Art que aconteceria na Feira Fotografar 2019. Por equívoco e em meio à loucura da correria de um evento como a Feira, não demos os devidos créditos ao autor da foto que ilustrava a postagem.

A imagem estava em nossos arquivos e havia sido cedida pela pessoa que a comprou. Entretanto, o
fotógrafo reconheceu seu trabalho e, nada mais justo, pediu explicações sobre o que estava acontecendo. Foi assim que nós conhecemos o jovem Bruno Vieira, de São José dos Campos, São Paulo.

Bruno Vieira
Foto de Bruno Vieira utilizada na divulgação do Bureau Fine Art

 

Fotógrafo e diretor de fotografia, começou a se interessar pela arte de registrar aos 12 anos. O tempo passou e o que era apenas um hobby, brincadeira de criança, se tornou sério.

Em 2017 apresentou “A Última Discussão”, sua primeira exposição individual, que teve a curadoria de Diógenes Moura. Nela, o fotógrafo trouxe imagens das aventuras que teve durante o Rali da Mongólia, prova no qual os participantes tiveram que ir, de carro, de Londres até Ulã Bator, capital do país asiático.

Dentro de um Corsa 1.2, ano 1999, o fotógrafo e mais dois amigos passaram 99 dias viajando por 36 países, dirigindo algo em torno de 28 mil quilômetros. Porém, como em toda boa aventura, nem tudo saiu como o esperado.

“Infelizmente nesse ano houve um boicote do evento por parte do governo mongol e descobrimos já no fim do primeiro terço da viagem, que não conseguiríamos entrar no país sem desembolsar um bom dinheiro. Foi nesse momento que decidimos desistir da Mongólia e traçamos nosso novo objetivo para Svalbard, um arquipélago da Noruega que fica no polo norte”, conta.

DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA

Um de seus trabalhos mais notáveis em vídeo é a direção de fotografia da produção Kombi Last Wishes (Os Últimos Desejos da Kombi), 2015, de Judith Belfer e Fernando Grostein Andrade, realizada pela AlmapBBDO, para a Volkswagen, onde uma kombi anunciava o fim da fabricação
do veículo no mundo.

“Foram várias diárias documentais com pessoas que tinham grandes histórias com o veículo,
além da recriação de cenas de época da invenção da Kombi e cenas do modelo comemorativo do clássico rodando nas estradas”, relembra.

Como resultado, a campanha ganhou sete Leões no Festival de Cannes, sendo um Leão de Bronze pela produção. “É algo pelo qual fico muito orgulhoso de ter participado e grato ao Fernando pelo oportunidade”.

Entretanto, ele destaca que seu grande trabalho na cinematografia até o momento é o longa-metragem “Escape from Brazil”, de Bruno Decc, sem data para estreia no Brasil. O longa conta a história de João, um policial brasileiro paranóico que escapa do Brasil e cruza com Eva, uma próspera investidora norueguesa que sofre uma depressão existencial.

Para ele, a facilidade de comunicação com Decc também o ajudou na realização de um bom trabalho. Todos os aspectos técnicos foram discutidos e Vieira teve bastante liberdade para mostrar sua visão.

Celso Camargo

 

“O filme é uma produção independente e foi realizado em duas frentes. A primeira em São Paulo e depois outra com séries de diárias na Holanda. Uma das minhas grandes felicidades foi o empenho e a energia investidos pelo atores, em especial os protagonistas Che Moais e Ingvild Deila, nas cenas, sempre valorizando a relação com o câmera e a luz”, revela.

Sobre a importância da função de diretor de fotografia, Vieira afirma que é um cargo com um papel especial no set, pois ele muitas vezes faz a ponte entre as várias equipes de um set, sendo responsável até pela segurança desses profissionais no uso dos equipamentos de filmagem. Mas não só isso. “O diretor de fotografia, em conjunto com o diretor de arte, têm um papel fundamental na conceitualização e construção da imagem. É o nosso trabalho dar vida a visão do diretor, transformar cada cena em uma fotografia cheia de significado e sentimentos.”

VieiraLuiz Augusto Tambasco de Oliveira