Entrevistas 4 anos atrás | Mozart Mesquita

Brasileiros cruzam os EUA em uma van fotografando casamentos

Rocker in Love, a história de uma família brasileira que registra e vive o amor

por Revista FHOX
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Fotos: Rocker In Love

O casal Grasi Favoreto (36) e Dani Correa (37) é paranaense de Londrina e compõe a empresa Rocker in Love. Neste momento estão cruzando os EUA numa van com a proposta de fotografar casamentos em todos os estados. Carregam uma história de família parecida como muitas: quando o pequeno Otto chegou há nove anos eles atuavam na fotografia de casamento em Curitiba. Naturalmente encontraram o estresse no caminho e sentiram que era hora de mudar o rumo daquela história e se aproximar do filho. Com a mãe morando nos EUA, Grasi teve a ideia de um projeto diferente: fotografar casamentos em cada estado americano. No ano passado foram 30 casamentos em 25 estados. De certa forma, o trio está exercendo o sonho que muita gente gostaria de botar em prática. Durante a WPPI em Las Vegas, no começo de março, FHOX conversou com eles sobre a experiência.

FHOX – Falem um pouco do começo de vocês.
Grasi – Quando o Otto nasceu a gente entrou na correria de “vamos trabalhar, trabalhar e fazer coisas”. Ficamos sobrecarregados, com evento todo dia e fotografando casamentos no fim de semana. Por um lado estava ótimo, mas por outro eu tinha o Otto com três anos de idade, pedindo atenção. Um dia perguntei ao Otto: “o que é que você quer ganhar de Dia das Crianças?”. E ele pediu um jantar. Perguntei se tinha algum desejo especial. E ele: “não, quero sentar e jantar com vocês”. rocker_in_love-(329-of-463)Foi quando paramos e repensamos o que a gente estava fazendo. Foi bem rápida a decisão de mudar para os EUA. Minha mãe mora na Flórida. A gente vinha passear e acabava fazendo um ou outro trabalho. Para muitas pessoas era um pouco difícil de entender quando a gente contava que íamos mudar, largar tudo, deixando uma empresa que estava superbem. Chamavam a gente de loucos.
Dani – A empresa tinha um nome diferente do que tem aqui (Rocker in Love). Se chamava Cineroll, que era cinema com rock’n’roll. Trocamos para tentar pegar uma galera mais descolada. Queríamos sair um pouco desse circuito de casamentos luxuosos e glamorosos e pegar uma galera mais tranquila que tinha a essência do casamento como o ponto principal do que estava acontecendo ali, a importância da reunião familiar.

FHOX – E a diferença entre os casamentos americanos e brasileiros?
Grasi – Começamos a abrir os olhos quando vinha visitar a minha mãe e via a diferença. Eles fazem tudo muito rápido, não têm o planejamento tão longo. Se eles têm um tanto de dinheiro, é o que vão gastar. São muito ligados em eles mesmos fazerem para colocar a personalidade deles nos casamentos. Uma cultura muito legal do Do it yourself em que as noivas pensam nos detalhes com a mãe, a tia, a prima.
Dani – É. Minha mãe fez muito isso para as minhas primas que casaram há 25 anos no Brasil. Elas faziam as lembrancinhas.
Grasi –
Isso foi mudando, começou a ficar mais comercial, mas agora está voltando.
Dani –
Nos EUA é muito forte isso ainda. É legal. A gente fez um casamento em Miami no final de ano, e a avó fez o bordado de todos os lencinhos que a noiva deu…
Grasi –
De lembrancinha. A gente começou a ficar fascinada com essa ideia, e daí foi o que aconteceu. Quando a gente chegou aqui, o Otto já tinha cinco anos, começamos a fazer esses casamentos, e a gente gostou. Numa mesma cidade, fotografamos dez casamentos e nunca nenhum é parecido com o outro, jamais repete o mesmo lugar. É sempre diferente. Imagine ver isso nos EUA inteiro. Ficamos fascinados e começamos a pensar na oportunidade de fazer esse tour. E quando você pensa numa ideia meio maluca assim, vem aquele monte de problemas. Mas fomos achando as soluções e deu supercerto.

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FHOX – Que tipo de problemas?
Grasi – Um dos maiores problemas era a educação do Otto, mas ele faz home schooling, que não tem no Brasil. Também é novidade para a gente, mas já conseguimos entender e suprir tudo o que ele precisa.

FHOX – Vocês têm que atuar mais na educação dele?
Grasi – Sim.
Dani –
A gente não pode deixar para depois. Temos que estar sempre com ele.
Grasi – Em viagem, entre um lugar e outro, sempre procuramos parar em parques nacionais e coisas desse tipo, embora ele fale que quer fazer biologia, cada hora ele tem uma ideia diferente. Mas tentamos parar em tudo quanto é museu, coisas que acho o máximo. Ele já entra em museu e olha aquela parede cheia de pinturas diferentes e já consegue identificar um quadro do Picasso e eu falo: “Uau, que máximo. Não sabia disso quando era criança”.
Dani –
Ele, além do contato do livro que ele teve, tem o contato visual ali, não é?
Grasi –
Exatamente. Durante o caminho, tem os livros dele de arte. Por exemplo, comprei um com os três artistas mais importantes que a criança deveria conhecer. Ele leu e de repente está vendo a obra ali, ao vivo, sabe? É bem legal.
Otto – Já queimei quatro livros.

FHOX – Como? Você já leu? Desculpe.
Otto –
Eu já li quatro livros.
Grasi –
Agora, neste ano. Desde que a gente saiu para a segunda temporada, há um mês, já foram quatro.

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FHOX – Vocês fizeram o próprio site e fazem a própria comunicação no Facebook. Vocês cuidam de toda comunicação?
Dani – Sim, por enquanto sim. Vou tentar mudar um pouco, porque gasto bastante tempo. Requer disciplina.
Grasi –
E foco.

FHOX – E como é que vocês trabalham a divulgação?
Grasi – Precisávamos que as noivas soubessem que existíamos. Selecionamos os sites que tinham mais a ver com a gente, blogs de casamento, e começamos a trabalhar em parceria. De repente começaram a pipocar vários outros blogs, porque quando eles contavam sobre o projeto, que é uma coisa diferente, nos procuravam e até publicavam sem a gente saber. Saímos em vários blogs da Alemanha, África do Sul.

FHOX – O projeto tem dois anos, é isso?
Dani – Estamos indo para o segundo ano agora. E no final do projeto tem um livro.
Grasi – É. Essa ideia toda vai ser um livro de fotografias de casamento.

FHOX – E vocês pretendem fotografar em todos os estados dos EUA?
Dani – Todos. O Alasca é mais difícil…

FHOX – E se não aparecer um pedido?
Dani – A gente vai lá e acha o casamento. Acho que vai ser o mais difícil, mas se fizermos algo mais direcionado para o Alasca, rola.

FHOX – Me parece que para vocês nem sempre há uma relação comercial. Pode ser que vocês não cobrem para fotografar um casamento no Alasca?
Dani – Se for preciso, em último caso, sim.

FHOX – Mas todos são cobrados?
Grasi –
Sim. E no pacote já está incluso o nosso deslocamento e tudo.

FHOX – E quantos casamentos já foram?
Grasi – Foram 30 casamentos em 25 estados.
Dani – Teve repetidos. Teve três em Nova York e dois em Los Angeles.
Grasi –
Pegamos alguns repetidos porque eram muito diferentes. Por exemplo, na Califórnia a gente fez um casamento num museu de história natural, e tinha os dinossauros. Depois apareceu outra noiva que ia casar também na Califórnia, mas na Disney. Então eram bem diferentes.

FHOX – E os desafios de viajar em uma van? rocker_in_love-(370-of-463)
Grasi – Adaptação foi um deles no começo. Mas no final, quando a gente começou a se encaixar, acabamos vendo que a van, toda pequenininha, é perfeita. Na verdade paro onde quero, andamos com ela dentro de Nova York, fomos a cidades grandes que com um motor home não seria possível. Ela é superprática, confortável, a gente dorme numa boa.
Dani –
Ela tem câmera, toda adaptada para viagens.
Grasi –
E a gente não fica dentro dela o dia inteiro, não se sente enclausurado. Durante o dia a gente vai trabalhar. Paramos em cafés, na frente de um parque nacional, na frente da praia, e a gente está ali no computador trabalhando. A nossa casinha é pequenininha, mas ao mesmo tempo, a nossa casa é o mundo inteiro.

FHOX – Comercialmente falando vocês conseguem pagar as contas? O projeto se paga
Dani – Sim. Se paga.
Grasi –
A gente ganha tanto quanto ganhava no Brasil, mas gasta menos.

FHOX – E aprendem muito.
Dani – A gente curte muito.

FHOX – E pelo que vi na foto que você me mostrou, o Otto também acaba sendo uma atração à parte.
Grasi – É. Ele tem um carisma muito forte.

rocker_in_love-(126-of-463)FHOX – O Otto também fotografa?
Grasi – Fotografa. (veja galeria de fotos do Otto no fim da entrevista)
Dani –
E fica bravo quando não o deixamos fazer a composição dele.
Grasi –
“Eu não fiz a minha foto”, “Otto, vamos.”… “não, eu não fiz a minha foto”. (risos)
Dani –
E a gente respeita. Ele vai e faz.

FHOX – E como vocês entregam as fotos?
Grasi – A gente está num processo de mudar, entregar mais álbuns. Mas, no momento, elas baixam da internet. Tem uma pasta com as fotos do Dani, uma com as fotos da Grasi e uma com as do Otto. Elas recebem também as fotos dele.

FHOX – Entendi. Que bacana entregarem as do Otto também!
Grasi – Sim. Ele ganhou uma máquina fotográfica de filme. Mas eu não estava vencendo comprar filme. Daí a gente acabou dando a nossa primeira máquina digital para ele, uma Rebel.

FHOX – E, Otto, como é que está sendo para você essa experiência toda? É uma grande aventura?
Otto – É bem massa. Acho bom para eu saber a história da América.

FHOX – Vocês têm nacionalidade americana?
Grasi – A minha mãe tem nacionalidade americana, ela mora aqui há 15 anos. Entrei com o processo logo que a gente chegou, há quatro anos. Agora saiu.

FHOX – E com isso, a ideia de vocês é ficar por aqui?
Grasi – É. Vamos finalizar o projeto. E daí, depois a gente está com ideias de fazer outro projeto em outros lugares também.

Dani – Acho que pode ser um pouco menor. Três ou quatro meses em um lugar. Nos EUA está sendo bem desbravador. É bastante estrada. É um país muito grande.

FHOX – E o Brasil pode ser também uma possibilidade de um projeto parecido?
Dani –
Sim. Lógico. É a nossa terra, não é?

 

GALERIA DE FOTOS DO OTTO