Por Daniel Freitas
Daniel Freitas é mineiro de Ponte Nova, mas hoje vive e trabalha em Pelotas (RS). Ele fotografa casamentos e desde o ano passado começou também a investir na fotografia documental. Embora desafiador, o resultado mostra-se diferenciado e gratificante. Freitas já desponta com uma das referências no Brasil nesse estilo fotográfico. danielfreitasfotografia@gmail.com

Sobre fotografia documental de família

Daniel Freitas despontou como uma das referências nesse estilo fotográfico no Brasil. Na estreia de seu blog, ele conta sobre uma experiência marcante

por Revista FHOX Publicado há 2 anos atrás | por Daniel Freitas

 

A fotografia documental é diferente de tudo que já tive a oportunidade de presenciar como fotógrafo. Você consegue ter essas pessoas mais abertas, com uma entrega maior, elas abrem suas casas, o documental 24 horas que tenho feito eu durmo na casa das famílias, isso me possibilita ser parte deles, isso é real. Essa vivência conta muito, as fotos se transformam em algo nostálgico aquele ar de saudade que um dia aquelas pessoas vão ter dos momentos de hoje, por isso eu tenho batido na tecla de se deixar ser registrado assim hoje, não amanhã, tem que ser hoje, o tempo voa. E em uma dessas histórias pelo Brasil tem a história da Família Machado Torrens que me levaram para Curitiba para contar um pouco sobre sua rotina em fotografias.

Uma história incrível que prefiro deixar a mãe contar com riqueza de detalhes:

Nossa caminhada foi de muita luta, mas de luta MESMO. Luta pela vida. Para gerar vida. Sobreviver a vida. Tínhamos planos de viver uma gestação, que demorou a chegar, com saúde e tranquilidade. Não foi do jeito que queríamos, mas estamos aqui. Não tenho fotografia da gestação do jeito que sonhei. Não peguei meus filhos no colo quando nasceram e, mesmo tendo leite, não pude amamentá-los quando tinham fome porque SOBREVIVER era mais importante que a minha vontade de ser mãe naquele momento. Fomos separados para lutar pela vida. Fui mãe quando me vi em uma UTI e meus filhos em outra UTI. Lutamos pela vida, os 3 – eu, Miguel e Fernando. O Bruno, marido e pai, um guerreiro por suportar tudo aquilo. Meus filhos nasceram para me salvar e eu vivo para que eles respirem vida a todo momento. Tão pequenos e já guerreiros…heróis! Aquilo não podia passar em branco. Precisávamos tirar uma lição de tudo aquilo. 4 anos de frustração, lágrimas e fé para realizar O sonho. 72 dias de UTI que deixaram marcas profundas e muitos ensinamentos. 72 dias vivendo um minuto como se fosse o último respiro. No fim do dia 16 de dezembro de 2014, fim de uma parte dos 72 dias, firmamos um pacto. Um pacto pela vida, de ser grato por ela. Nada de pacto material, planos, viagens… Um pacto simples: nenhum dia seria sem um sorriso, sem olhar para trás e ser grato pelas adversidades. Claro, agradecer por termos passado por tudo aquilo porque o nosso planejamento não foi do jeito que queríamos, mas estamos aqui. Nova chance de viver mais uma vez – e de forma diferente.

Link completo da história: http://www.danielfreitasfotografia.com.br/post/1959-nao-e-sobre-fotografiae-sobre-vida

Estarei falando no Fhox on the Road (Floripa) em setembro sobre sentir as pessoas e suas histórias, isso faz parte do processo criativo da minha fotografia documental, esse material humano cheio de verdade é o meu carro chefe quando estou trabalhando.