Blog do Léo
Por Leo Saldanha
É publisher da FHOX e também responsável pela Escola de Negócios FHOX leo@fhox.com.br

Será que a tecnologia blockchain também vai revolucionar a fotografia?

O avanço das novidades nesse campo são surpreendentes e existem indicações promissoras de uma grande transformação em curso para o mercado fotográfico e de imagem. Ou seria muito barulho por nada?

por Revista FHOX Publicado há 2 anos atrás | por Leo Saldanha

Você clica com a câmera e ela gera um arquivo, em seguida você envia a foto para uma ferramenta que reconhece e gera uma identidade única para aquela imagem. Pronto, aquela foto mesmo digital se torna única. Semanas depois um sistema ligada a ferramenta que fez a geração do arquivo único reconhece que a foto foi usada sem autorização por um site qualquer. Os donos do site são avisados que a foto é sua e já com uma indicação para ele acertar o uso dessa imagem. Tudo feito com robozinhos de forma automática. Se ele não pagar em 24 horas a imagem vai desaparecer. E você, dono da foto, pode escolher se vai acionar o uso sem autorização mesmo sem ele continuar usando a fotografia. Tudo isso já está disponível no mercado e só é possível graças ao avanço da tecnologia blockchain (a mesma que torna possível a comercialização das criptomoedas como Bitcoin). Mas caso seja muito confuso. Se blockchain está muito confuso clique aqui para entender um pouco mais: o que é blockchain? 

Na teoria, blockchain tem tudo para valorizar as fotos digitais dos profissionais. Ora, se com essa tecnologia o arquivo se torna único ele ganha valor mesmo sendo virtual. Teoricamente problemas com cópias e plágio podem ser resolvidos de forma automática. Por conta justamente de avanços em recursos com inteligência artificial e afins. Imagine que a venda dos arquivos para os consumidores finais também ganha outra dimensão na venda. Termos como contratos inteligentes, protocolos de confiança e afins serão cada vez mais comuns no noticiário. Nomenclaturas de lado, o avanço dessa tecnologia deve afetar diretamente vários mercados da fotografia. Como o modelo de negócio dos bancos de imagens e impactar qualquer serviço ou negócio que envolve intermediação. Então, de certa forma tem tudo para deixar preocupado o Uber, Airbnb e os bancos.

O fato é que se 2018 é o ano da inteligência artificial avançando de vez na fotografia, os próximos cinco serão de uma forte transformação com a popularização do blockchain no nosso e em outros mercado. E já em 2018 vemos exemplos da tecnologia impactando no mercado fotográfico. A revolução começa para os bancos de imagem (que deve sentir em breve os efeitos econômicos dessa mudança de comportamento). A Kodak (Eastman, não confundir com a Kodak Alaris) roubou a cena no começo do ano com o anúncio da plataforma KodakOne (com blockchain) e da criptomoeda KodakCoin (para pagar aos fotógrafos e interessados). Só de anunciar a novidade a Kodak viu as ações explodirem e agora começou a anunciar parcerias com a NBA e NHL usando a nova plataforma.

Grafite e blockchain. Quem diria…

Dois fotógrafos usaram blockchain recentemente lá fora com destaque em importantes publicações. É o caso da Forever Rose. Uma obra 100% digital que foi negociada por 1 milhão de dólares, a fotografia digital de uma rosa batizada de Forever Rose e que foi vendida para investidores em uma transação com tecnologia Blockchain e pagamento em criptomoeda. 

Nessa semana o Banco Central brasileiro anunciou acordos tecnológicos com blockchain. SAP, JP.Morgan, Samsung, Já existem inovações envolvendo blockchain na fotografia. Separei alguns que merecem atenção. São eles:

Dos cases malucos que vi. Esse de um grafiteiro que recebeu doações em bitcoin via QR Code nos muros grafitados é um exemplo de como as coisas estão indo. Veja aqui: Street Art bitcoin. Mais surreal ainda é o caso do artista que primeiro ganhou dinheiro vendendo a foto de uma batata usando blockchain por 1 milhão de euros e que agora envolveu o próprio sangue com a tecnologia para virar ele próprio uma obra de arte ambulante. Arte conceitual ou criptoarte? 

Kevin Abosh em post no Twitter. Ele sangrou pelo blockchain

Calma. Assim como tudo na vida existe o outro lado. Muitos especialistas não acreditam na tecnologia. Dizem que blockchain é a bola da vez e que na verdade não vai revolucionar nada. Que vai ser como o Second Life (lembra?) ou uma bolha que vai estourar logo mais. Aliás, Bitcoin e outras criptomoedas também sofrem do mesmo preconceito. Uma das questões envolve segurança real do blockchain. Que pode ser hackeado. Que depende de adoção das ferramentas nos bastidores por parte de todos em termos de infraestrutura e isso está distante da realidade. Que na prática representa a junção de servidores ou redes de computadores, mas não é tão descentralizada como parece.

Eu estou na turma dos que acreditam e muito no avanço e consolidação do blockchain. Até porque já está ocorrendo. Prova disso são essas matérias que destaquei abaixo e que não tratam só de fotografia. Tem muita coisa acontecendo e deixei inúmeras matérias interessantes sobre o avanço da tecnologia. O que fica claro é que as grandes empresas de tecnologia (e governos da Europa, Ásia e África) estão investindo pesado em blockchain. Por que será?

O assunto blockchain me parece tão importante que será tema de edição futura sobre negócios da FHOX. É um tema que vou abordar na minha palestra da semana que vem no Congreso Uruguay em Montevideú e será tema do primeiro episódio de um novo programa que estamos preparando. Uma surpresa que estamos preparando. Até lá…