Por Felipe Tazzo
Felipe Tazzo é profissional de marketing, produtor executivo consultor de carreira artística desde 2005, e ainda escritor e segundo fotógrafo de Denise Maher. 

Seja uma vaca roxa

Será que estamos sabendo nos colocar no mercado de fotografia ou será que somos uma vaca como outra qualquer?

por Revista FHOX Publicado há 7 meses atrás | por Felipe Tazzo

Fotografia às vezes pode ser muito cruel. Existem diversas ocasiões nas quais simplesmente não temos liberdade. Isso é porque existem muitas instâncias nas quais algo está “certo” ou “errado”. Na maioria das atividades artísticas (como no cinema, na dança, na pintura), uma dama misteriosa emergindo da escuridão com o rosto escondido é uma imagem incrível. Coloque o rosto da noiva no escuro e a cliente vai torcer o nariz. A mãe da noiva, então…

Essa definição entre “errar” e “acertar” no dia a dia nos molda. Aí acabamos procurando soluções rígidas para os negócios. Temos que enviar a proposta do jeito certo, conversar do jeito certo, fotografar do jeito certo, tratar do jeito certo (sabe aquele preset que está na moda?), abastecer o Instagram do jeito certo, usar as hashtags certas…

É um porre! E tem gente que acha acertar ou errar pode ser a diferença entre sobreviver ou não no mercado.

Mas e o que acontece em uma situação na qual milhares e milhares de fotógrafos estão todos buscando o “certo”? O que acontece quando 10 mil fotógrafos de ensaio de família da sua cidade compram os mesmos presets, lêem o mesmo tutorial sobre o Instagram e fazem o mesmo curso de marketing?

Todo mundo está fazendo certinho. Tudo igual.

Mercados concorrentes não são muita novidade. Na fotografia, com o preço dos equipamentos diminuindo e a abundância de conhecimento, dá até para assustar. Mas em outros setores isso é história velha. Supermercados são concorrentes antigos. Hotéis, idem. Vestuário, automóveis, ferramentas, insumos agrícolas, idem, idem, idem, ibidem. Tudo um no pescoço do outro.

E todos esses setores sempre buscam estar corretos. Sobrevivência, né?

Aí entra em cena Seth Goldin, um rapaz para lá de malandro e que está mais ou menos ocupando a posição de campeão mundial de marketing na categoria dos pesos pesados. E ele vai lá e lança um livro chamado “A Vaca Roxa”. E você sabe que o cabra é fera das coisas mesmo quando saca que o tal livro está à venda por mais de R$ 200 (!!).

Então deixa eu te economizar duas garoupas e 160 páginas:

Seth Godin levou os filhos (aqueles pirralhos criados em apartamento) para viajar de carro pelo interior da França e a molecada ficou deslumbrada com a existência da vaca. Eles nunca tinham visto um pasto. Só que 15 minutos depois dessa descoberta, voltou o bombardeio de “pai, falta muito?”

Vaca, no fim das contas, é tudo igual.

E aí Seth pensou: “e se alguém pintasse uma vaca de roxo?”

Você pode não gostar da vaca roxa, você pode achar ridículo, você pode achar sem sentido. Mas você nunca vai se esquecer dela.

E Mr. Godin apregoa: seja a vaca roxa do seu mercado (e esse é todo o tema do livro – viu como eu te economizei uma grana?).

Talvez você não esteja fazendo tudo certo, talvez você ainda tenha que estudar muito (e quem pode se dar ao luxo de parar de estudar?), talvez você erre mais do que acerte. Mas se você tiver um tratamento seu, um estilo seu, um Instagram seu e uma forma de falar totalmente sua, você vai ser a vaca roxa da história.

Vai ter cliente que não vai gostar. Vai ter cliente que não vai entender. Mas eles não vão poder te ignorar. Os outros fotógrafos, então, vão te odiar!

A princípio, você vai perder alguns clientes em potencial. Mas você vai ganhar muitos outros que vão gostar de você pelo que você é, não porque você é quase tão bom quanto fulana ou siclano mas cobra um pouquinho mais barato.

Eu reforço o discurso: seja você a vaca roxa do seu mercado. Faça aquilo que ninguém tem coragem, aquilo que ninguém nem pensou em fazer. E deixe a concorrência roxa… de raiva.