Por Nicolau Piratininga
É formado em Comunicação Social pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e entusiasta da fotografia. Realizou diversos cursos de especialização em artes e em fotografia, além de atuar em projetos paralelos de registros fotográficos da cidade de São Paulo. Foi gerente da divisão Conservart da empresa Molducenter, especializado em montagens de materiais Fine Art. Possui expertise em acondicionamento, conservação e restauro de acervos em papel. Em 2014 tornou-se o primeiro latino americano a obter o certificado Guild Commended Framer pela Fine Art Trade Guild na Inglaterra de emolduramento de obras de artes.  peixeseco@gmail.com

Seis pontos técnicos para se observar em um papel de conservação ou fine art

Na busca pelo papel perfeito é importante entender seis pontos básicos e ver os que melhores se adequam à sua necessidade.

por Revista FHOX Publicado há 2 anos atrás | por Nicolau Piratininga

Na busca pelo papel perfeito é importante entender seis pontos básicos e ver os que melhores se adequam à sua necessidade. São eles: ser pH neutro; ser livre de ácido; ser livre de lignina; ter reserva alcalina; ser livre de alvejantes ópticos (OBA Free) e possuir certificados que garantem
sua qualidade.

Não é necessariamente preciso reunir os seis pontos, depende muito da utilização de cada um. Papéis fine art e de conservação e restauro têm aplicações bem distintas, mas ambos possuem em comum a questão da durabilidade do suporte.

Não é só uma questão de papel com pH neutro. Praticamente todo papel tem pH neutro, exceto alguns papéis técnicos de usos específicos. Papéis Kraft tendem a ser ou podem tornar-se ácidos rapidamente. A faixa de pH aceitável está entre 6 e 8 na escala de 1 a 14. Em papéis de conservação não se deve ficar satisfeito apenas com a afirmação de que o papel tem pH neutro.

Livre de ácido em sua composição é importante. Na fabricação do papel, geralmente na fase de decomposição da polpa, são usados ácidos, a variação geralmente se dá pelo tipo de fibra usada como matéria-prima. Os de fibra longa tendem a precisar mais. Quando falamos de um papel livre de ácido ou papel “acid-free” queremos um material que não deixe resíduos ácidos ao longo do tempo, geralmente causados pela lignina.

Lignina, a vilã das manchas e amarelamentos. A lignina é um composto químico ácido presente na celulose que causa o amarelamento precoce. É justamente a oxidação da lignina que faz com que o papel se torne ácido, atacando e manchando o material ao longo do tempo. Em questões de preservação de acervos, os papéis de algodão levam grande vantagem por naturalmente não conterem lignina. Papéis de alpha celulose geralmente também recebem selos de proteção por terem sua matéria-prima tratada e livre de lignina.

Na imagem acima o verde é celulose e o marrom a lignina. Fonte: http://portfolio.scistyle.com

Reserva alcalina é o escudo do papel. Geralmente é feita com carbonato de cálcio, cerca de 3%. Serve para manter a estabilidade do papel (pH) por longo tempo. Em três processos fotográficos: albumina, cromogênico e dye transfer não é recomendado o uso de materiais com reserva alcalina, pois pode justamente ser ela a reagir com a foto.

Alvejantes ópticos, para deixar o papel branquinho. Considerado um pouco como tabu pelos fabricantes de papel trata-se de um processo químico pelo qual o papel passa para ficar super branco. A química usada varia conforme a legislação do país fabricante. Em alguns casos, dependendo da utilização e acondicionamento do material, são os grandes vilões no amarelamento do papel. A indicação de que o material não passou por esse processo geralmente é feita pelo termo “OBA free”.

Ilustração da aplicação do P.A.T. (Photographic Activity Test). Fonte site do IPI.

Certificações de qualidade. Os grandes fabricantes de papel estão sempre apresentando os certificados de qualidade de seus papéis. Além de apresentar as informações mencionadas aqui, na ficha técnica do papel é sempre possível verificar por quais testes o ele foi aprovado. Possuir as ISO 18902 e 18916 é importante, mas em alguns casos não essencial. Há também testes de absorção do papel indispensáveis para locais de muita umidade. É possível conseguir mais informações sobre os testes para papéis fotográficos no site do IPI (Image Permanence Institute)

Importante lembrar que quando o fabricante não menciona algum ponto é porque geralmente o papel não possui aquela qualidade determinada. Por exemplo, se o papel é realmente livre de lignina, certamente você vai encontrar essa informação facilmente. Em alguns papéis fine art para impressão é preciso atentar também para as características do coating (camada receptora de tinta) que o papel recebe. Na dúvida, entre em contato com o fabricante e peça pela ficha técnica do papel que certamente conterá  todas as informações necessárias sobre o papel fine art e o papel de conservação.