Passado e Futuro

por Revista FHOX Publicado há 6 meses atrás | por Marco Perlman

Ao longo da história, era comum a elite política e financeira encomendar a artistas seus retratos.  O objetivo era duplo – reforçar seu poder a contemporâneos e garantir sua lembrança pelas gerações futuras.  Para o primeiro fim, usavam-se roupas especiais, joias caras e, para aumentar o destaque, o artista “enfeitava” a obra, retirando imperfeições do rosto, acrescentando luz ou fundos elaborados, entre outros.  Para o segundo propósito, buscavam-se materiais de qualidade e a armazenagem era cuidadosa, evitando exposição excessiva a umidade, calor, luminosidade. 

Com o advento da fotografia, ter seu próprio retrato deixou de ser um privilégio da elite para tornar-se uma possibilidade para (quase) todos.  Demonstrar poder perdeu importância e o retrato passou a ter o objetivo quase exclusivo de registrar memórias, de guardar a imagem para momentos futuros e gerações vindouras.  Nos álbuns e nas caixas de sapatos, mundo afora, acumularam-se registros familiares, viagens, comemorações, enfim, tudo que merecesse ser revisitado e revivido.  Anos depois dos registros, às vezes décadas, temos a oportunidade de relembrar momentos importantes, nossos e de nossos antepassados, aprendendo e ensinando a nós e a nossos filhos.  Muitas vezes com alegria, geralmente com respeito e, sempre, com saudade. 

Chegamos ao século XXI, era da democratização da fotografia, dos onipresentes celulares com câmera e do compartilhamento infinito de imagens.  As ferramentas digitais nos emagrecem, tiram manchas e atenuam nossas rugas. O céu é mais azul, o arco íris mais vibrante e a areia mais branca.  Nas fotos, transbordamos alegria, diversão, autoconfiança, saúde.  Como seria bom viver no mundo retratado no Instagram/Facebook/RedeSocialXYZ!!! 

Enquanto isso nos despreocupamos com a lembrança e a memória.  Sabemos que dificilmente nossas fotos publicadas, ou guardadas na nuvem, serão acessíveis (ou recuperáveis) em 20 ou 30 anos, para não falar de 80 ou 100.  A tecnologia do instantâneo é uma faca de dois gumes – imediata, mas, ao mesmo tempo, efêmera. 

A solução é simples, bastando alguns cliques para que o arquivo digital seja transposto para o mundo físico.  As opções disponíveis nunca foram maiores, para todos os usos, gostos e bolsos.  Falta conhecimento do mercado consumidor, claro, mas essa é uma grande oportunidade de demonstrarmos por que somos profissionais de fotografia.  Temos a chance de, simultaneamente, ensinar nossos clientes e faturar com isso! 

Marco Perlman é CEO da Digipix/Indimagem. A empresa é o maior laboratório profissional da América Latina. Saiba mais: www.digipix.com.br e www.indimagem.com.br