Por Iara Moribe
Iara Moribe faz parte do Conselho Editorial da Revista FHOX e trabalha nela há 25 anos, desde que era uma escola de fotografia. vidadefotografo@fhox.com.br

Paparazzo também é gente!

por Revista FHOX Publicado há 2 anos atrás | por Iara Moribe

“Apesar de todo mundo consumir, uns mais outros menos, o paparazzo é sempre maldito. Quem está do lado de fora não sabe que na maioria das vezes é a própria assessoria ou se for casal famoso é um deles que liga e passa: – Olha, vamos estar lá…

Para ser paparazzo precisa ser muito bom fotógrafo, tecnicamente falando, porque as condições em que as fotos são feitas são bem difíceis e sempre na correria. É uma escola!

Esta história aconteceu mais ou menos em 2005, quando eu trabalhava para Caras. E todo mundo queria uma foto do Rodrigo Santoro com a Ellen Jabour. A assessoria de imprensa ligou e disse: – Eles estarão em Angra no fim de semana. Lá fui eu. Mal sabia que também tinham avisado a concorrente Contigo.

Caras me mandou de iate e fiquei lá, esperando, tomando sol. Toca o celular e é meu amigo Kadu Di Calafiori que trabalhava para a Contigo:

– Oi, Marcelo, onde você está? O que anda fazendo?

– Tô aqui em casa, comendo um churrasco, e você?

– Olha para frente, aqui na areia, tô aqui!

– Cara, você tá nessa também!

– Pois é, vem para cá tomar uma cerveja!

Pulei do iate e fui nadando até a praia. Quando estava chegando, vi o Kadu pegar a câmera e sair correndo na direção do píer! Era o iate do Rodrigo Santoro chegando!

Voltei nadando, me sequei, peguei a câmera e fui para o banheiro de onde eu podia fotografá-lo. O Rodrigo sacou que o Kadu estava à espreita e colocou a prancha de surfe na frente dele e da Ellen. Eu fiquei na minha, só fotografando os dois se beijando.

Daí o iate do Rodrigo saiu, fui atrás. Só que o iate dele era mais rápido que o nosso e foi se distanciando. De repente vejo uma lancha passar por nós e quem era? O Kadu dando tchauzinho! Depois ele me contou que quando me viu andando devagar achava que eu sabia de alguma coisa…

O que eu podia fazer? Pensei, se ele veio surfar, o único lugar aqui é a praia Lopes Mendes, na Ilha Grande. Tocamos para lá. A essa altura não via mais ninguém. Daí, vejo a lancha do Kadu voltando e ele explica: – Esta lancha não pega mar aberto!

Chegando a Abraão, o capitão me diz que dali em diante não podia seguir porque não tinha licença para navegar em mar aberto. E disse que se eu seguisse a trilha, depois do morro, estaria na tal praia. Lá fui eu e ele estava lá, surfando. Fiz as fotos e decidi voltar para pegar a volta dele no píer. Lembrei do Kadu que já devia estar lá. Estávamos em alto mar e passa o iate à toda, voltando. E eu aflito, achando que não ia conseguir a foto no píer. Só que de repente, o iate deles para. Tinha enguiçado. Isso já era uma cinco e meia e ia anoitecer logo. Fomos nós que o rebocamos. E o casal ali, na minha frente, se agarrando…

As fotos foram capa de Caras. Duas semanas depois fui fotografar a casa da Ellen Jabour para Caras e sem querer acabei me entregando quando perguntei: – E aí, consertaram o iate? Daí ela acabou me agradecendo porque fomos nós que os salvamos de ficar à deriva, em alto mar.

post-MarceloBrunoGeorge Magaraia

Essas são as ironias da vida de paparazzo. A mesma pessoa que ia ‘ferrar’ a vida pessoal também salva. E são tantas histórias que um dia vou escrever um livro!”

Marcelo Bruno tem 24 anos de profissão. Iniciou no fotojornalismo, fotografando surfe. Passou por Caras, fez frila na Veja. Já teve fotos no Estadão, na Folha de S.Paulo, faz frilas para Contigo e em paralelo fotografa casamentos. Também faz ensaios e editoriais de moda. A opção em atuar em diversas áreas é para arejar.

 

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