O que muda com a “Lei do Photoshop” na França?

A multa para aqueles que fizerem uma grande alteração estética e não avisarem, seja em revistas, sites ou campanhas publicitárias, é de 45 mil dólares

por Revista FHOX Publicado há 1 ano atrás | por Laís Fernandes

Novas leis francesas exigem, a partir do primeiro dia de outubro, a notificação sobre uso de Photoshop em todos os veículos de comunicação e atestado médico de saúde para modelos. As palavras Fotografia Retocada (Photographie Retouchée) deverão acompanhar as imagens manipuladas. A medida é mandatória para imagens que aparecem em propagandas, na imprensa, online ou em catálogos.

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Como alguém que gosta de moda e, principalmente, acha que já passou da hora de desvincular essa imagem ‘padrão’ imposta pela sociedade e pelo mundo fashion, acho que a medida francesa é um grande passo para essa quebra de padrões que, muitas vezes, não englobam nem mesmo as modelos que têm seus corpos modificados. É bom a sociedade ter ciência de quando uma imagem foi ou não alterada. Isso deveria ser importo em todos lugares do globo.

A França é um dos grandes berços do mundo fashion e faz parte do “Big Four” das semanas de moda, que inclui Nova York, Londres e Milão. O país é protagonista no mundo da moda desde reinado de Luís XIV, seguindo com seu domínio na alta costura na indústria da moda nos anos 1860-1960, apresentando grandes marcas como Chanel, Dior, Balmain e Givenchy, além da criação de grandes veículos de comunicação, como as revistas Vogue e Elle. Pós 1960, designers como Yves Saint Laurent, Paco Rabanne, Christian Lacroix, entre outros, que rompiam com normas de alta costura com o lançamento das linhas chamadas “pronta para usar” e expandiam a produção em massa e marketing.

Esta produção em massa associada ao avanço tecnológico provavelmente acarretou o hábito de editar as imagens. E este hábito passou de simples correções para grandes alterações. A França enxergou este problema. E resolveu tomar medidas preventivas. A proposta pretende combater doenças alimentares e é claro, empoderar mulheres, mostrando que seus corpos são a realidade e não os corpos alterados e quase impossíveis de se obter. Vale ressaltar que, na França, a estimativa é de que 35 mil pessoas – a maioria adolescente – sofrem de anorexia.

Before and after

E também é interessante que a Getty Images, um dos maiores banco de dados do mundo, tenha notificado seus contribuidores pedindo “que não submetam nenhum conteúdo criativo que exiba modelos cujas formas corporais foram retocadas para que pareçam mais magras ou mais largas.” No entanto, o e-mail enviado também afirma que “outros retoques como cor do cabelo, formato do nariz e mudanças na pele estão fora do escopo da nova lei, sendo assim, aceitas.”

Não é todo caminho andado, mas em termos de quebra de padrões de beleza e na luta pela diversidade, é um avanço. Agora, a esperança é a de que outros países entendam que existe uma maneira saudável de usar o Photoshop e na contra mão dela, existe o exagero, que acarreta severos problemas e que tem sim que ser combatida.