Felipe Tazzo
Por Felipe Tazzo
Felipe Tazzo é profissional de marketing, produtor executivo consultor de carreira artística desde 2005, e ainda escritor e segundo fotógrafo de Denise Maher. 

O que é uma foto realmente boa?

Voltei da Feira Fotografar aturdido de tanta foto boa que eu vi. Mas como eu sei quais eram as boas de verdade?

por Revista FHOX Publicado há 8 meses atrás | por Felipe Tazzo
Roberta Tavares  Magnum Caravan Brazil. Uma verdadeira aula repleta de referências. Foto de Tamara Minati

 

Eu fiz boxe durante um tempo. Chegar em casa depois da Feira Fotografar 2018 foi ainda mais dolorido do que aquelas aulas. A sensação é de que eu tome uma verdadeira surra de fotografia. No palco principal, no palco dos Talks e até nos corredores, o desfile de propostas fotográficas foi, por falta de melhor descrição, violenta.

Teria sido mais suave se cada fotógrafo ali tivesse me batido na cabeça com seus livros.

A cada final de dia, eu ía a nocaute. Mas brazuca não desiste e eu levantava empolgado para mais um dia de bordoada atrás de bordoada. Hoje, passados alguns dias, a sensação ainda é de olho roxo, dente quebrado, cara, inchada e sorrisão largo. Eu estava precisando disso. Quase cuspi sangue, mas precisava mesmo.

É que a primeira regra do clube da fotografia é que a gente fala sobre fotografia. E muito. Ssassinhora como a gente fala de fotografia!

O assunto eterno, que rondou pela maioria das palestras e talks era a inalcançável foto boa. O que é uma foto boa?

Depois que tanta gente foda mostrou tanta foto, resolver essa questão foi ficando mais complexo. Roberta Tavares e Dan Immel por exemplo levaram 8 lições da Magnum para fazer boas fotos. E cada uma vinha com diversos exemplos. E quando você toma aquela sova bem dada dos melhores fotógrafos do mundo, dá a sensação de que na verdade era melhor nem ter entrado no rinque. E tome foto.

Grazi Ventura no palco do Congresso Fotografar. Foto: Maíra Erlich

Mas aí a Grazi Ventura (fotógrafa de família) vem com uma forma um pouco diferente de abordar o assunto. Ela é claro, tem uma foto mais maravilhosa que a outra, mas o trabalho começa de uma outra maneira. Ela gasta alguns dias (dias!) conversando com a família que vai retratar buscando quais os melhores momentos da vida deles juntos e quais as memórias que eles querem criar e preservar.

E ilustra esse argumento mostrando a seguinte foto:

Foto de Grazi Ventura

É uma foto linda, é claro. Mas durante sua palestra ela contou que enquanto esse garoto se agarrava firmemente no copinho de vitamina e se concentrava como se nada mais no mundo importasse, seu irmão menor pulava alegremente no sofá na contra luz, criando um momento incrível. E ela não fez a foto do sofá, porque aquele momento da vitamina era importante para a família.

Era a foto que a família queria e que provavelmente será a foto que vai emocionar os pais, todas as vezes que eles a virem.

É uma foto boa para aquele menino e sua família naquele momento.

Outros palestrantes também argumentaram que o fotógrafo precisa encontrar sua própria verdade, sua voz, seu estilo. Outros ainda, argumentam que o fotógrafo precisa sempre pensar em técnica. Outros em orçamento e entrega. 

Franck Boutonnet no palco do Congresso Fotografar. Como evoluir em todos os sentidos?

Nós não temos escolha ao estudar técnica. Tem que manjar mesmo. Também não temos escolha em pensar ou não no lado business do nosso trabalho. É obrigatório se entender como empresa. 

Mas a foto boa… Bem, a foto boa aparentemente é relativa ao momento, ao contexto, à emoção, à proposta, ao objetivo, etc. É uma foto que cumpre sua missão. Ela tem um motivo para existir.

Cumprindo sua missão, talvez ela não agrade a todos. Gente chata tem para todos os lados (Facebook que o diga!). Mas e daí? Ficou boa ou não ficou?

Ficou sim. Foto boa de verdade é aquela que é boa para alguém. Qualquer pessoa. Mesmo que seja só para a sua mãe.