Por Mozart Mesquita
É jornalista da Revista FHOX e diretor da Feira Fotografar. mozart@fhox.com.br

O final das compactas na final do futebol olímpico masculino

por Revista FHOX Publicado há 2 anos atrás | por Mozart Mesquita

compactas-2Não sei ao certo quantas câmaras fotográficas eu tenho. Fora as que ficam pela redação da FHOX. Não tenho nenhuma DSLR, a FHOX tem. Tenho várias compactas, uma cube, uma instax, uma lomo. Mas a que mais uso sem sombra de duvidas é a do meu Iphone 5s. Carrego 5 mil fotos nele. Imprimo pouco, ainda mais se pensar na função que exerço profissionalmente. Mas estou, talvez como grande parte das pessoas, propenso a imprimir mais. Tenho tentado me organizar para isso. Nesse sentido a Instax tem sido a mais usada. A foto vai para a geladeira, para um quadro imantado, para a carteira.

Mas esse texto não é para falar de impressão e sim de captura, do fim de uma era na verdade. Recentemente, comecei a usar de novo uma compacta. Ganhei ela de presente de um fabricante e gostei das fotos que ela faz. Comprei ingressos para a final olímpica do futebol para mim e para meu filho. Fui para o Rio um dia antes, para sentir o incrível clima olímpico. E levei a compacta, a Instax e obviamente meu celular.

compactas-1No dia seguinte, antes de sair de casa, rumo ao Maracanã, o dilema: o que levar? A ideia era ir de transporte publico. Segurança, uma celeuma sempre rondando o imaginário de nós brasileiros, mesmo quando o esquema de segurança indica que o Rio fosse um dos lugares mais seguros do planeta. Mas tinha meu filho comigo e quem tem uma criança de 6 anos sabe que é bom ter o mínimo possível de coisas para gerenciar, por que ele vai demandar bastante. Pensando nisso tudo, abandonei compacta e Instax e fui de celular mesmo. Filma e fotografa e ainda posta na hora. Está ótimo. Cheguei a pensar que poderia ter problemas de bateria e cogitei lamentar não ter trazido a compacta.

No metrô, entre conversas com meu filho me veio e outros viajantes do mesmo vagão, comecei a reparar nas pessoas fotografando. E fotografando muito. Todos com suas camisas amarelas querendo registrar o momento histórico a caminho do que poderia ser a primeira medalha de ouro do futebol brasileiro em olimpíadas. Com a história da compacta na cabeça comecei a procurar alguma que fosse. Celulares, celulares e celulares, nada além disso.

O trem chegou no seu destino e na estação mais selfies, portanto, mais celulares. Na rampa de acesso da estação, no caminho da estação para as entradas do estádio, uma chuva rala caia, mas as pessoas não se importavam e fotogravavam, com seus celulares. Entramos no estádio e fiquei com vontade de perguntar ao pessoal do controle e raio-x, ou dar um tempo ali, para saber se eles viram uma compacta que seja. Mas com pena do meu filho que queria comer algo e não tem nada a ver com a minha obsessão, desencanei e fui procurar meu lugar.

Fiz meu selfie familiar para registrar a presença no Maracanã e segui para o andar superior. Aonde iriamos assistir ao jogo. No caminho, paramos para comprar o lanche e bebidas. De vez em quando olhava as pessoas fotografando e seus dispositivos de captura: só celulares. Durante o jogo, torci para o Brasil, interagi com o meu filho e cacei compactas, quase com a mesma voracidade com que as pessoas buscam pockmon’s por ai. Mas não achei nenhuma. Segundo os organizadores, haviam mais de 63 mil pessoas no estádio. E para mim a impressão é que só haviam expectadores fotografando com celulares.

Aliás, os celulares tem produzido imagens incríveis nos estádios. As pessoas ligam suas lanternas e reproduzem o que antigamente era feito com isqueiros, o efeito é de um mar de luzinhas. Muito bonito. Mas voltando às compactas, elas não foram ao Maracanã e ali depois da emoção do titulo sofrido nos pênaltis, já indo embora, para evitar grandes confusões, ainda antes dos nossos campeões vestiram suas medalhas, encontrei uma pessoa que não fotografava com celular: ela usava uma DSLR.

Como não vi mais ninguém com esse tipo de equipamento no jogo cheguei a pensar que a moça era uma fotojornalista, mas percebi que não. Ela não estava identificada como tal e fotografava um jovem que estava com ela, talvez irmão, amigo, enfim, fazia um retrato daquele momento. Não fiquei com pena das DSLR’s por que sabia que no campo, havia milhares de profissionais com elas. Mas das compactas rolou um saudosismo e uma certeza, não é que elas já eram, elas simplesmente não existem mais no imaginário das pessoas.