O avanço da Shutterfly com a Lifetouch

Depois de adquirir a tradicional empresa de foto escolar Lifetouch, a Shutterfly prepara novas frentes de trabalho. A prioridade? uma nova fase totalmente voltada para o “mobile”

por Revista FHOX Publicado há 3 semanas atrás | por Leo Saldanha

 

Uma das maiores do mundo em impressão de fotos. A Shutterfly é uma das pioneiras e líderes de impressão on-line dos Estados Unidos (e do mundo). Alguns meses atrás a marca surpreendeu no mercado norte-americano comprando a Lifetouch. A Lifetouch é uma empresa com mais de 80 anos de mercado e forte atuação na categoria de foto escolar e também dona dos estúdios de retratos das lojas de departamento J.C. Penney. Logo, um negócio físico e mais tradicional. Pois recentemente li uma matéria sobre a nova estratégia da Shutterfly na Forbes. A chamada do texto mostra o novo apelo da marca: unindo as duas empresas podemos oferecer uma solução mais completa. Primeiro, é bom relembrar. A compra da Lifetouch pela Shutterfly foi um negócio quase bilionário (825 milhões de dólares). A Shutterfly ganha muito dinheiro com fotografia impressa. A marca faturou 1.2 bilhões de dólares em 2017. O fato é que a junção das duas operações vem com a estratégia de oferecer um serviço completo. Algo que segue a tendência da experiência do digital misturada com o físico. Coisa que Amazon vem fazendo também.

Uma das bases da empresa nos Estados Unidos. São nove unidades entre escritórios e centros de impressão. Foto: Shutterfly.

A Shutterfly nasceu digital e a Lifetouch traz um DNA tradicional e do mundo “real”. A Shutterfly foi as poucos evoluindo sua proposta de serviços de impressão com fotografia desde que foi fundada em 1999. Agora com 20 anos de operação, a jornada da marca é fascinante. Passou do tradicional 10 por 15 e fotopresentes para evoluir até convites de casamento e outros produtos personalizados mais sofisticados com fotos. Evoluiu para uma nível de personalização sofisticado. A Lifetouch por outro lado, sempre atuou com fotógrafos parceiros que atuam para escolas, igrejas e nos estúdios dentro das lojas JC Penney. Importante: a Lifetouch tem mais de 80 anos de mercado. Em entrevista para a matéria da Forbes, o CEO da Shutterfly, Christopher North, diz que a sinergia entre as duas marcas é natural. Que as missões são as mesmas: “compartilhar memórias de bons momentos com fotos impressas”.

O caminho de evolução segundo ele envolve agora um ciclo completo. Onde a Shutterfly imprime e a Lifetouch vai cuidar dos cliques. “Nossa missão de ajudar as pessoas a compartilhar as alegrias da vida não mudou. Mas juntando as duas empresas, agora podemos oferecer uma solução completa de memória” disse North na matéria. No fim, a estratégia completa das duas marcas trabalhando juntas é de justamente ir além de só imprimir ou só clicar. Combinar experiências em um ciclo completo para consumidores.

Uma solução que surgiu de uma necessidade pessoal. Curioso é que o artigo mostra que a Shutterfly surgiu da necessidade da cofundadora, Eva Manolis, de imprimir e compartilhar as próprias memórias impressas com a família. O problema que ela enfrentou no fim dos anos 1990, foi fazer isso pela internet e de forma digital. Algo que não era uma tarefa fácil. Ou seja, Eva resolveu um problema pessoal e transformou aquilo em um grande negócio. Hoje o nome do jogo para o serviço on-line da Shutterfly é facilitar a personalização e enfocar nos dispositivos móveis. Hoje, os tempos são outros. Veja que Interessante, a Shutterfly oferece até um serviço de assistência com especialistas internos para ajudar e acompanhar os projetos que consumidores precisam de ajuda. Na matéria o CEO disse que os dois segmentos com maior crescimento por lá é decoração com fotos e fotopresentes super personalizados.


O desafio? O tempo que o cliente leva para fazer o produto no site e também a criação do design. De fato, pesquisas lá fora sempre indicaram que os consumidores não têm mais paciência e querem uma solução rápida e fácil e automatizada para os consumidores finais. O caminho encontrado pela Shutterfly foi aprimorar o website e lançar um novo aplicativo que facilita o processo de pedidos e confecção dos fotopresentes e afins.

Mudança estratégica (uma empresa caminhando para o mobile) – A ótima matéria da Forbes traz diversas informações valiosas que mostram a força e a dimensão desse negócio (que muita gente acha que está morrendo aqui e lá fora). A primeira informação importante é a mudança do enfoque estratégico da marca. Que passou do foco em desktop para smartphones e tablets. Prova disso é que o executivo disse na matéria que praticamente um terço do faturamento da Shutterfly já vem de pedidos de smartphones e tablets. O CEO diz que hoje “a empresa está se tornando um negócio móvel”. Algo que faz sentido para todos os negócios e mesmo aqui no Brasil, onde a adesão ao uso e consumo de bens pelos smartphones só cresce. E fotografia é diferencial de vendas para os aparelhos móveis.

As impressionantes instalações de impressão da Shutterfly

Um gigante mundial – certamente a Shutterfly é uma das mais robustas operações de impressão de fotos do mundo. Segundo o artigo, a marca atende 10 milhões de clientes ativos e processa 26 milhões de pedidos por ano. Só em 2018, a empresa lançou 48 novos produtos fotográficos no cardápio digital. E ainda expandiu as categorias de presentes para crianças e pets. Outro dado importante: metade da receita anual da marca virá justamente para as festas de fim de ano. Com 8 milhões de cartões gerados por dia e que nesse ano tem uma novidade. A personalização  metálica na impressão. O CEO da empresa disse para a Forbes que “dada a evolução da impressão digital, podemos imprimir em quase tudo. Incluindo gravação a laser em vidro e até ornamentos. Com as soluções tecnológicas de ponta mas com enfoque em simplicidade na impressão e compartilhamento das memórias das famílias norte-americanas. A integração das duas empresas ainda está começando e oferece inúmeros desafios de integração.

foco em decoração e personalização total

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Posted by Shutterfly on Tuesday, November 6, 2018

Inteligência artificial – A marca está usando a tecnologia de inteligência artificial para facilitar e simplificar o design de produtos fotográficos. Com a ajuda de algoritmos, os usuários têm a experiência de design e pedido facilitada no processo. Na prática isso representa a sugestão automática de fotopresentes, photo books, etc. “Podemos apresentar aos clientes os produtos que criamos para eles, criando diferentes seleções em uma variedade de produtos de maneira intuitiva. ” disse North.

A tradição da Lifetouch. A compra da empresa de foto escolar dá uma dimensão de ainda mais gigantismo para a Shutterfly. Afinal, a Lifetouch atende 25 milhões de clientes ano. Uma empresa com 82 anos de mercado e que atende 50 mil escolas da América do Norte. Quantos clientes ano? Atendendo 10 milhões de lares e 25 milhões de estudantes clicados, a Lifetouch é uma líder de mercado que expande as possibilidades agora com a Shutterfly. O que a matéria demonstra de forma certeira. É que a compra da Lifetouch abre as portas de milhões de famílias que talvez nem tivesse contato com a Shutterfly. E assim, a marca poderá começar uma nova jornada atendendo não só impressão para foto escolar, mas também para depois seguir imprimindo fotos da família. Seja da viagem, da festa e afins.

Uma reação a dependência do duopólio do marketing – A decisão da compra feita pela Shutterfly com a aquisição da Lifetouch era de reagir ao avanço do Google e Facebook. Sobretudo de ficar menos dependente dos custos altos de marketing digital nas duas plataformas que hoje representam 85% do marketing digital no mundo. Logo, a Shutterfly espera avançar nas famílias com a nova base atual (e de futuros) clientes da Lifetouch. Ou como o próprio CEO da Shutterfly disse: “Estávamos procurando uma maneira de envolver as famílias desde o início que não dependesse das compras de mídia. A Lifetouch nos dá uma oportunidade única para mudar nossa base de clientes em geral”. De fato, com a cobertura on-line e agora com o ponto de contato dos fotógrafos nos estúdios e escolas, a marca terá muitas outras oportunidades de vender pacotes, coleções de produtos e vice-versa. Outra forma de atrair e manter clientes é disponibilizar armazenamento grátis para fotos no site da Shutterfly. Nos últimos anos, a empresa fez a aquisição de startups de impressão e locação de equipamentos e ampliou os serviços em várias frentes. Contando com a Shutterlfy são cinco empresas no grupo. Com nove bases (entre escritórios e centros de impressão) espalhados entre os Estados Unidos (8) e um centro de inovação em Israel.

As oportunidades parecem promissoras. Sobretudo levando em consideração que existem mais de 220 milhões de smartphones naquele país e com uma população de 325 milhões de habitantes. Lembrando que a maior parte das famílias ainda não imprime (ou deixou de imprimir). Embora os números atuais da marca sejam gigantescos, daria até para dizer que são ainda tímidos comparando com o potencial do mercado norte-americano de expandir. Claro, não podemos esquecer da forte disputa da Shutterfly com outros players competentes no país e os próprios riscos tecnológicos e de mudança de comportamento. Resumindo: as pessoas pararem de vez de imprimir por inúmeras razões tecnológicas. Quem sabe essa força combinada com a Lifetouch possa ajudar no avanço e consolidação da Shutterfly e levar as famílias a imprimirem em diferentes fases da vida. Para quem é do mercado fotográfico é algo para acompanhar de perto e torcer para que dê certo. Pois, guardadas as devidas diferenças de comportamento de consumo e mercado, ainda assim sempre representam uma indicação do que pode acontecer no Brasil. https://www.shutterfly.com/

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