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Missão ingrata: o fotógrafo que teve que pedir para Jorge Ben parar de tocar

por Revista FHOX Publicado há 3 anos atrás | por PaparazziGram

Você já imaginou alguém pedindo para Jorge Ben parar de tocar? Não? Acredito que o fotógrafo Leo Aversa também não. O que Leo provavelmente também nunca imaginou é que o incumbido desta ingrata missão seria ele. O fotógrafo explicou, no Facebook, como tudo aconteceu. Confira o post dele na íntegra:

jorge ben

A foto estava marcada para as 16hs mas como sempre acontece em grandes produções (e nas pequenas também) tudo atrasa. Começamos às 18hs. O meu voo de volta para o Rio era às 20:30. Set montado, luz pronta, entra um dos grandes da musica brasileira, Jorge Ben Jor. Que também tem o tempo contado. Uma hora para as fotos. Dá e sobra. Está tudo pronto, o que poderia dar errado?

Todo mundo quer falar com o Jorge, ninguém é uma lenda viva à toa. Tapinha nas costas, autógrafos, o pacote todo. Fazer o quê? Lá se vai meia hora.

Jorge finalmente fica no lugar. Ele dá uma olhada em volta, vê um amplificador no fundo do estúdio, vai até ele, pega a sua guitarra, liga e começa a tocar. Tocar mesmo.

Fodeu (1)

Como sempre acontece quando Jorge Ben começa a tocar, todo mundo entra em transe. O assistente, o diretor de arte, o porteiro do estudio, o motoqueiro que tá passando na rua, até eu, se não me restassem quinze minutos para fazer a foto. E a foto que preciso clicar é ele num fundo infinito branco, que por azar é do outro lado do estudio e o cabo da guitarrra não chega até lá.

Fodeu (2)

Alguém tem que fazer algo inédito na história da MPB. Alguém tem que pedir para Jorge Ben Jor parar de tocar. Isso, em termos musicais, equivale a rodar a Terra ao contrário. Esse alguém serei eu, a Odete Roitmann da musica brasileira. O meu rivotril ficou em casa e a sessão de análise é só na semana seguinte. E agora?

Fodeu (3)

Que se dane, pelo menos entrarei para a história, o único Zé Mané no mundo que pediu pra Jorge Ben parar de tocar. Eternidade, aí vou eu.
– Jorge, você poderia parar cinco minutinhos…
Achei que usando diminutivos iria aliviar a minha barra
– Pra gente fazer umas fotinhas ali no fundo branco
O estúdio congelou. O assistente, o diretor de arte, o porteiro, o motoqueiro que estava passando na rua, todos congelaram. A heresia estava no ar. teve gente que foi parar na fogueira por muito menos. Só me restava rezar. Muito.
– Beleza, onde eu fico?

Não perdi o voo, ele não perdeu o compromisso. Obrigado Deus.
Por via das dúvidas, além do Rivotril e da psicanálise, passei a frequentar a missa aos domingos.

Tô devendo.