Por Nicolau Piratininga
É formado em Comunicação Social pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e entusiasta da fotografia. Realizou diversos cursos de especialização em artes e em fotografia, além de atuar em projetos paralelos de registros fotográficos da cidade de São Paulo. Foi gerente da divisão Conservart da empresa Molducenter, especializado em montagens de materiais Fine Art. Possui expertise em acondicionamento, conservação e restauro de acervos em papel. Em 2014 tornou-se o primeiro latino americano a obter o certificado Guild Commended Framer pela Fine Art Trade Guild na Inglaterra de emolduramento de obras de artes.  peixeseco@gmail.com

Herança fotográfica

por Revista FHOX Publicado há 2 semanas atrás | por Nicolau Piratininga

Já passa das 23 horas. Para mim, ainda é dia. Ou melhor, agora é que o trabalho de verdade começa. Interrompi uma edição de fotos para uma curadoria de exposição fotográfica em que venho trabalhando. Durante o dia, entre a agenda profissional, cuidar das crianças, preparar as refeições e manter a casa organizada, consegui, pelo menos, ir ao banheiro. Não, não estou me lamentando nem reclamando. 

Acompanhar a evolução da Laura e ver a vontade da Malu de começar a empreender tem sido um privilégio. Levantar da mesa para lavar a louça recebendo elogios da comida ou sugestões de como melhorar o prato são para mim motivadores.

Fazia tempo que queria escrever sobre esse tema, mas fiquei de certa forma paralisado com toda essa loucura rolando. Quando recebi o convite para trabalhar em dois projetos, despertou novamente em mim a vontade de escrever esse texto.

É hora de mergulhar no acervo. Pesquisar, catalogar e preservar. Como estão suas fotos, seus projetos autorais, suas lembranças, as fotos dos aniversários das crianças?

O quanto o seu acervo está acessível para outra pessoa além de você? Se amanhã você quiser montar uma exposição autoral, ele estará bem organizado? O quanto as lembranças de família estão disponíveis e protegidas para todos os parentes e amigos? 

Levanto estas questões, pois me preocupo com a memória da minha família. Hoje, se quero ver fotos da minha infância, recorro aos álbuns que estão guardados no armário, e lá estão as únicas imagens que tenho de meus avós. De vez em quando, visito eles.

Frequentemente minha filha mais velha me pede fotos de episódios da infância dela para trabalhos escolares. É estranho pensar que ela precisa recorrer a mim para ter conexão com imagens da história dela até aqui.

Meu acervo está organizado, mas será que alguém, além de mim, pode acessá-lo e entendê-lo?

Imagina que você morre? É sim, estou falando que você morre. Pá pum, morreu, não importa do que. Seus herdeiros, parceiros, clientes terão possibilidade de chegar às suas lembranças?

Pense em quem e como vai acessar seu acervo, suas memórias fotográficas.