Por Tiago Petroni Taveira
Tiago é consultor em constante formação, estudioso de temas como inovação e futurismo, cultura organizacional e estratégia, está plugado a ecossistemas do ambiente de saúde, financeiro e tecnologia. https://www.linkedin.com/in/tipetro/
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Fuja das caixas do passado

Tiago Petroni aborda as fortes transformações no mercado de trabalho. Algo que impacta da mesma forma a fotografia

por Revista FHOX Publicado há 4 semanas atrás | por Tiago Petroni Taveira

Fuja das caixas do passado.

Esse é um ótimo momento para se estar vivo, pois é um período de transformação de proporções históricas, como experimentado em 1760, quando a 1ª revolução industrial (para falarmos apenas da história recente do Ser humano) transformou profundamente a sociedade humana em suas diversas camadas, como cultura, educação, saúde, economia e tecnologia.

A mudança não é algo novo para nós enquanto espécie, fato é que 2 grandes revoluções (agrícola e industrial) já foram promovidas pelo nosso avanço tecnológico e agora vivemos a nossa 3ª, que é a digital. A grande diferença na minha perspectiva, é que as revoluções antes tinham efeito apenas em gerações seguintes e nesse momento o que temos visto é que uma grande revolução e provavelmente as próximas, serão sentidas pela mesma geração que a “criar”, como a inteligência artificial, genética e robótica.

“O futuro já está aqui, está apenas distribuído de forma desigual ”, disse o romancista William Gibson.”

Imaginem que a sociedade humana é um grande trem que vai ganhando velocidade ao longo do tempo. Estamos muito rápido agora, mais rápido do que estávamos há 100 anos, mas também mais devagar do que estaremos em mais alguns anos. A locomotiva é uma referência às evoluções tecnológicas que puxam os demais vagões, que tem que se adaptar a essa nova velocidade e evoluir sua estrutura para resistir à essa nova velocidade. Alguns vão tombar e ficar pelo caminho, outros vão conseguir evoluir e manter o novo ritmo e assim sucessivamente, cada vez mais rápido.

O último vagão geralmente é aquele que naturalmente deixará de existir e ficará no tempo como uma página do livro de história e assim temos várias referências que acho legal sempre lembrarmos:

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Vendedor de enciclopédias, Datilógrafo, Projetista de cinema, Ascensorista, Operadoras telefônicas, Organizador de pinos de boliche, Operador de telégrafo…

Esses vagões ou profissões não existem mais, mas o importante aqui não é o fato delas terem desaparecido, mas sim o que todas elas tinham em comum. Você consegue perceber?

“A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la”. Eduardo Galeano

Antes de responder à pergunta, é importante entendermos que a revolução digital possui 4 características fundamentais que tem impactado a nossa forma de ver e lidar com o mundo:

1.Tudo o que puder será digitalizado;

2.Tudo o que puder será distribuído;

3.Tudo o que puder será personalizado;

4.Tudo o que puder será automatizado.

Agora voltando à pergunta, sobre o que há em comum em todas as profissões que deixaram de existir, podemos defender uma perspectiva de que todas elas eram intermediários dos serviços oferecidos.

O que aconteceu é que a tecnologia ao longo do tempo encurtou o acesso das pessoas a uma infinidade de serviços e os tornaram mais intuitivos, portanto podemos dizer as profissões do passado acabam sendo incorporadas no nosso dia a dia tornando-se competências básicas e algumas delas perdendo sentido, certo?

O que estamos vendo acontecer agora é o mesmo ciclo, só que “justo na minha vez?” e talvez profissões como Designer gráfico, Fotógrafo, Gerente de Compras, desapareçam em breve, pelo menos na forma como conhecemos hoje.

O importante nisso tudo é que em cada revolução as coisas mudam radicalmente e aquilo que fazia sentido e funcionava em um momento, aos poucos deixa de fazer sentido e desaparece, enquanto outras são criadas.

Como disse o filósofo Søren Kirkegaard: “A vida só pode ser entendida olhando-se para trás; mas ela deve ser vivida para frente.”

Precisamos pensar em novas categorias, uma nova taxonomia desse novo contexto que se apresenta, pois é um erro tentar encaixar aquilo que é novo em antigas caixas. E essa é a nossa tendência, pois é contra-intuitivo para nós a mudança uma vez que já decodificamos o mundo e já gastamos energia suficiente para aprender a lidar com ele.

Uma analogia que a Innosight, consultoria de estratégia e inovação, usa para refletir como deveríamos pensar nesse nosso novo mundo é a seguinte:

“Imagine que você está viajando para São Francisco a partir de Londres. Faz muito mais sentido planejar de acordo com o seu destino do que do seu ponto de partida, mas muitas organizações o fazem a partir de onde estão, olhando principalmente para onde já estiveram, no passado.”

Olhe sempre para frente, de maneira ampla, fora dos rótulos, pré-conceitos e verdades absolutas para ter mais clareza daquilo que vem pela frente.

Evolua sua ignorância para ser capaz de fazer melhores perguntas. Essas perguntas lhe trarão insights daquilo que pode ser o futuro e a partir daí você pode construir o seu caminho até esse destino, ou pode continuar agindo como vagão e reagindo à locomotiva, lembrando que cada vez haverá menos tempo.

TIAGO PETRONI TAVEIRA É CONSULTOR EM CONSTANTE FORMAÇÃO, ESTUDIOSO DE TEMAS COMO INOVAÇÃO E FUTURISMO, CULTURA ORGANIZACIONAL E ESTRATÉGIA, ESTÁ PLUGADO A ECOSSISTEMAS DO AMBIENTE DE SAÚDE, FINANCEIRO E TECNOLOGIA. HTTPS://WWW.LINKEDIN.COM/IN/TIPETRO/