Por Fabio Rebouças
Fábio Rebouças começou na fotografia em 1998 como laboratorista fotográfico. Desde 2000 atua como fotógrafo com passagens pelo fotojornalismo e depois na fotografia social. Em 2019, ele iniciou pesquisa científica na área de ciências sociais sobre o impacto do marketing no mercado e na sociedade. Recentemente publicou artigo científico sobre a problemática Coach no mercado da fotografia, pela faculdade de direito do sistema Anhanguera de ensino na cidade de Piracibaca (SP). 

Fui humilhado pelo meu cliente e agora?

por Revista FHOX Publicado há 2 meses atrás | por Fabio Rebouças
Nik Shuliahin
  1. Introdução

Não é incomum ouvirmos histórias de abusos sofridos por profissionais, envolvendo clientes ou outros prestadores de serviço. O fato é que a maioria de nós acabamos deixando tudo isso pra lá e quase nunca buscamos nosso direito. 

Até quando vamos permitir que pessoas continuem nos humilhando, pelo simples fato de serem pagantes dos nossos serviços.

  1. Casos reais

Recentemente compartilhei nos stories do meu instagram, um caso onde uma suposta noiva perguntava à uma cantora se ela teria disponibilidade de cantar no casamento dela e que se caso fosse contratada, a mesma não deveria manter o cabelo “Afro” e sim alisá-lo, pois segundo a noiva, o cabelo “liso” deixava a fotografia mais bonita. De pronto a cantora respondeu que aquele era o cabelo dela e jamais mudaria o seu estilo só porque alguém acha que cabelo liso fica melhor em foto. Ousadamente a noiva ainda pediu para que a cantora “pensasse melhor”, pois se não fosse daquela forma, não seria contratada por ela.

Pode parecer absurdo, mas casos assim acontecem com muita frequência e posso afirmar que eu mesmo já fui vítima de preconceito uma vez em um casamento na capital de São Paulo, quando a mãe do noivo perguntou à um integrante da nossa equipe se seria aquele “cara tatuado “que iria fotografar o casamento do filho dela, se referindo a minha pessoa, que por conta disso, não estaria se sentindo confortável com aquela situação.

À medida em que o acesso a tecnologia de imagens vai se tornando mais popular, principalmente pelo poder dos smartphones de gravar vídeos mais longos e de melhor qualidade, mais e mais casos de abusos e humilhações são revelados, prova disso, o caso do desembargador na cidade de Santos SP, que humilhou os guardas civis por conta de uma orientação sobre o uso de máscaras contra a COVID 19.

Episódios assim não podem continuar ocorrendo e por conta disso, trago aqui uma reflexão e orientações sobre como evitar ou até mesmo garantir o seu direito e a sua honra.

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James Pond

 

  1. Nunca se cale.

 Se alguém te humilhou, seja ele cliente, parente de cliente ou até mesmo seu chefe imediato, mesmo que você seja um freelancer, não se cale, não deixe passar. Num primeiro momento, se for possível, execute a sua função, faça seu trabalho da melhor maneira possível, porém, tão logo haja a possibilidade de falar, fale.

Supondo que você seja um freelancer e está passando por situações constrangedoras, seja pelo seu chefe ou pelos seus pares, saiba que você pode estar sendo vítima de assédio moral e para isso existe o Ministério Público que tem a função de proteger o seu direito. Você pode fazer isso diretamente, ou através de um advogado.

Se o constrangimento estiver partindo de quem te contratou, ou de alguém direta ou indiretamente ligado ao contratante, siga a mesma orientação em relação ao serviço, porém, busque auxílio de um profissional advogado, pois além das ações cíveis de reparação de danos, pode ter havido algum tipo de crime contra a sua honra.

O importante é não se calar, não deixar passar, pois atitudes assim, embora sempre existiram, estão novamente em ascendência no nosso país e isso é resultado da crescente desigualdade social, associada a má gestão de políticas públicas.

Aumenta em nosso país a cultura da meritocracia, porém um “mérito” desleal, que poderia então ser classificado como cultura do “poder” que busca aumentar as chances dos mais abastados, por estarem mais protegidos em suas bolhas e diminuir as chances dos menos favorecidos.

É tempo de você profissional se posicionar e mostrar o seu valor, a sua identidade, afinal, buscar os seus direitos também é um ato de profissionalismo e de demonstração de força. Vá e vença!

Fábio Rebouças começou na fotografia em 1998 como laboratorista fotográfico. Desde 2000 atua como fotógrafo com passagens pelo fotojornalismo e depois na fotografia social. Em 2019, ele iniciou pesquisa científica na área de ciências sociais sobre o impacto do marketing no mercado e na sociedade. Recentemente publicou artigo científico sobre a problemática Coach no mercado da fotografia, pela faculdade de direito do sistema Anhanguera de ensino na cidade de Piracibaca (SP).