Por Fabio Rebouças
Fábio Rebouças começou na fotografia em 1998 como laboratorista fotográfico. Desde 2000 atua como fotógrafo com passagens pelo fotojornalismo e depois na fotografia social. Em 2019, ele iniciou pesquisa científica na área de ciências sociais sobre o impacto do marketing no mercado e na sociedade. Recentemente publicou artigo científico sobre a problemática Coach no mercado da fotografia, pela faculdade de direito do sistema Anhanguera de ensino na cidade de Piracibaca (SP). 

Fotógrafos, os novos vulneráveis

por Revista FHOX Publicado há 6 meses atrás | por Fabio Rebouças
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  1. Apresentação

O mundo não esperava o que 2020 nos reservava. À medida em que os meses foram passando, fomos percebendo o quão somos vulneráveis a quaisquer mudanças de rotina, especialmente aquelas que afetam diretamente a nossa economia. 

Na fotografia não seria diferente, especialmente ao profissional de evento, aquele que para poder trabalhar, depende exclusivamente da realização de um casamento, formatura, festa, etc. 

Boa parte dos fotógrafos de evento já estão há mais de dois meses sem trabalho, seus clientes, na maioria deles, são da classe média e alguns até já perderam seus empregos e sabe-se lá quando terão novas chances de realizar o tão sonhado casamento, ou a tão sonhada formatura, ou até mesmo a festa de aniversário de seus filhos.  Não há resposta para isso, infelizmente.

Diante da atual condição, não podemos cair em discursos de métodos genéricos para sair da crise, nem mesmo se pode afirmar que há como sair dela, porém, talvez haja maneiras de minimiza-la.

adulto, Asiático, caixa de plástico
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Os Novos Vulneráveis

Um estudo realizado recentemente pela USP (Universidade de São Paulo), demonstrou o aparecimento de um novo grupo social de vulneráveis em nosso país, o grupo dos empregos instáveis e o dos prestadores de serviços não essenciais.
O estudo revela ainda outro dado importante de vulnerabilidade. A cor da pele. Negros estão ainda mais suscetíveis a essa condição, por representarem, segundo a pesquisa, instabilidade empregatícia.
Contudo, embora a pesquisa não cite a profissão de fotógrafo, podemos sim afirmar que nos encaixamos neste perfil, afinal, fotografia se encaixa em serviços não essenciais.

 

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  1. Desafios da nossa profissão

Há tempos debatemos a instabilidade da profissão de fotógrafo que além dos desafios por não haver uma regulamentação específica, abrindo muitas vezes espaço para aproveitadores, não que outras profissões já regulamentadas não sofram esse tipo de ataque, porém há sempre um representante, pelos menos para fazer algum tipo de defesa de classe. Já os fotógrafos contam com quem? Contam com nada.

Sem querer elevar a profundidade deste assunto, pois não é este o tema do momento, há que se começar a pensar em ao menos debate-lo e sim, ser colocado em pauta todos os pontos positivos e negativos de uma possível regulamentação.

Bem, mas vamos ao que realmente interessa.  Como será a vida do fotografo durante os próximos meses e também como se dará a retomada da nossa atividade.

Já te adianto que não sei e qualquer um que se pretenda fazer algum tipo categórico de afirmação, certamente estará passível de erro.

O que podemos sim afirmar é que a retomada é necessária e você ainda sim pode fazer isso sem precisar se expor no momento, podendo inclusive utilizar sua casa ou seu escritório, sem colocar a sua vida ou a de outros em risco.

Pode parecer banal, mas ainda existem muitos fotógrafos que não sabem usar a internet. É triste a notícia, mas não sabem se expressar, não conseguem nenhum tipo de comunicação, quem dirá organizar o marketing da empresa e para complicar ainda mais, existe uma gama muito grande de cursos de marketing digital, porém encontrar o ideal é o verdadeiro problema.

Portanto, a partir de agora, se você for maduro, humilde e tiver afim de um conselho, leia atentamente o que tenho a dizer.

Em primeiro lugar, entenda que o mundo mudou e continuará mudando, até que as pessoas possam se adaptar ao “novo normal”. 

Segundo, entenda que a neutralidade de princípios já não é mais tão vantajosa para sua empresa e muito menos para você. Existem estudos recentes que apontam que quase 90% dos consumidores preferem comprar com empresas que se preocupam com causas sociais, como por exemplo meio ambiente, causas antirracistas, etc. Portanto, se posicione sim, ao menos nas questões de princípios, mas vale lembrar que isso não tem nada a ver com posicionamentos partidários e sim com causas de políticas sociais, ou você estará fadado a falência, pois esta linha é muito tênue. 

Terceiro, chega de padronizar ou estereotipar sua fotografia. O momento agora é de mensagem. Percebemos que o mundo está completamente polarizado em todas as questões e o que verdadeiramente não chamaria atenção de seus clientes, é exatamente uma fotografia sem mensagem, sem personalidade.

Personalidade profissional pode se tornar o grande lema do “novo normal” e eu explico: Imagina você e o seu concorrente ofertando produtos na internet, em uma rede social. Agora imagine que ambos vendem o mesmo produto, porém um tem um produto mais personalizado e o outro um produto mais simples, de senso comum, até relativamente mais barato. Agora a pergunta, quem vende mais?

Provavelmente o produto de senso comum venderá mais, porém, por outro lado, o ele terá muito menos chance de crescimento profissional aplicando o senso comum. Deixando bem claro que não é errado vender produtos simples, mas apenas tenha consciência de que você não terá diferencial de mercado, só isso.

Portanto, se o teu desejo é se manter no senso comum, sem problemas, mas eu não sei realmente o que o futuro vos reserva, pois a evolução é constante.

Mas, se você pretende evoluir e aceitar as mudanças, comece agora a repensar todo o seu processo criativo, desde o marketing, passando pelo atendimento até a execução e entrega do seu trabalho.

Quarto e ultimo tópico. O preço. 

 Como vender sua fotografia por um valor justo, se as pessoas estão com menos dinheiro.

Creio que talvez seja um dos pontos mais complexos a ser discutido como forma de amenizar os efeitos da crise, até porque, precificar algo com muita personalidade é bem difícil. 

Porém, acredito que devemos partir do seguinte princípio; Com que tipo de pessoa estou lidando. 

Lembra que falamos anteriormente sobre personalidade profissional? Pois bem, é isso mesmo. Partindo do princípio de que o cliente que se aproxima de você pela mensagem que o seu trabalho oferece, esse cliente sabe que o seu preço certamente não será igual ao do concorrente de senso comum. 

Portanto, sem fazer juízo de valor, ou relativizar trabalhos e sim diferenciar propostas, creio que seja necessária uma boa pesquisa sobre o padrão de preços da sua região e de acordo com o verificado, você acrescenta o valor do seu trabalho.

Por fim, ressalto aqui que todas as opiniões aqui defendidas, buscam tão somente uma harmonia entre a nossa categoria profissional. Deixando claro mais uma vez que diante de tudo que estamos vivenciando, fica muito difícil prever o futuro, porém a ciência ainda é a nossa grande aliada nesta luta.

Não podemos desmerecer dados e fatos, devemos sim debate-los, porém sempre de maneira madura e consciente, afinal, a ciência busca exatamente isso.

Desejo a todos uma boa retomada!  

Fábio Rebouças começou na fotografia em 1998 como laboratorista fotográfico. Desde 2000 atua como fotógrafo com passagens pelo fotojornalismo e depois na fotografia social. Em 2019, ele iniciou pesquisa científica na área de ciências sociais sobre o impacto do marketing no mercado e na sociedade. Recentemente publicou artigo científico sobre a problemática Coach no mercado da fotografia, pela faculdade de direito do sistema Anhanguera de ensino na cidade de Piracibaca (SP).