Por Fabio Rebouças
Fábio Rebouças começou na fotografia em 1998 como laboratorista fotográfico. Desde 2000 atua como fotógrafo com passagens pelo fotojornalismo e depois na fotografia social. Em 2019, ele iniciou pesquisa científica na área de ciências sociais sobre o impacto do marketing no mercado e na sociedade. Recentemente publicou artigo científico sobre a problemática Coach no mercado da fotografia, pela faculdade de direito do sistema Anhanguera de ensino na cidade de Piracibaca (SP). 

Fotógrafos e suas bolhas

Fabio Rebouças aborda a questão de vivermos fechados em "nosso círculos" em uma fascinante abordagem sobre o isolamento de opiniões diferentes das nossas e sobre a importância da pluralidade de ideias

por Revista FHOX Publicado há 3 semanas atrás | por Fabio Rebouças
Andre Furtado/Pexels

1.   Introdução

Não é novidade o termo “Fulano vive em uma bolha”, ou mesmo, para os mais cultos, a classificação de “Bolha Social”.  Afinal, o que podemos dizer sobre e porque cada dia mais estamos nos isolando de quem pensa diferente e até mesmo estamos nos tornando muito mais intolerantes, não só como pessoas, mas também como profissionais.

Bem, podemos afirmar então que “Bolha é tudo aquilo que nos limita, mas, ao mesmo tempo, nos protege. Bolha é tudo aquilo que nos ilude sobre a natureza da realidade e ao mesmo tempo, serve como apoio para prosseguirmos vivendo”

Fotógrafos estão cada vez mais inseridos neste contexto, fotógrafos, não diferentes do restante da sociedade, se negam ao debate, por vezes são intolerantes com os pensamentos que divergem dos seus e se isolam em suas bolhas, juntos apenas de outros que pensam iguais e eles.

Mas afinal de contas, diante de todas as mudanças que o mundo vem enfrentando, viver sob tal condição só demonstra estarem cometendo um enorme erro de convívio social, ou também há que se admitir que existe sim um certo benefício em se isolar. Até porque, quão é o ponto entre o isolamento e a proteção?

abstrair, abstrato, água
Anni Roenkae – Pexels

2.   As diferentes bolhas

Em artigos anteriores, citamos por várias vezes a replicação de métodos, trejeitos, gírias, maneiras de se vestir e até mesmo estilo de vida daqueles considerados “mestres” dos seus meios sociais. Acontece que para cada tribo, há um cacique diferente, para cada estilo de fotografia, há uma grande referência. Mas qual o problema disso? Nenhum, desde que sejam apenas referencias.

No mundo da fotografia encontramos os amantes do estilo lifestye, assim como também os que adoram uma boa separação de frequência para deixar aquela pele da pessoa fotografada bem lisinha como bumbum de nenê. Há também aqueles que acreditam que o equipamento faz a foto e que tudo isso unido a uma ótima edição bem “forçada”, já ganhou o coração de seus seguidores. Existem também os fotógrafos blogueiros, aqueles que adoram mostrar os recebidos do dia e encher a galera de esperança de que um dia serão iguais a eles, em um mundo onde tudo é possível.

Enfim, existem muitos tipos, gostos, estilos e possibilidades para a vida profissional dos fotógrafos e é exatamente isso que torna nossa profissão ainda mais interessante e maravilhosa, mas há aí um perigo muito grande à espreita, especialmente quando deixamos de lado a pluralidade de ideias e não aceitamos o diferente.

Referência não é copia, muito menos a pura expressão da verdade. Quando não aceitamos as diferentes ideias e refutamos opiniões ou conselhos, fugimos completamente do objetivo principal da nossa profissão, guardar momentos. Por mais clichê que possa parecer, o objetivo da fotografia sempre foi esse e não será a soberba e a falta de argumentação que destruirá de vez a história.

ação, alcançando, atividade
Pexels: Alexnder Dummer

3.   Vivendo feliz em sua bolha e Bem longe da hegemonia

Fotógrafos hoje são atores sociais importantíssimos inseridos em redes de comunicação, alguns chegam a ter mais de 500 mil seguidores em seus perfis de Instagram, algo de extrema relevância para o mundo digital.

Viver em bolhas, junto de seus pares, ao lado daqueles que admiram seu trabalho e concordam com seu estilo, é simplesmente prazeroso e um campo perfeito para fazer sua fotografia prosperar. Digo mais, é se posicionar, posicionar seu mercado e selecionar seu publico, porém, lembre-se sempre que a sua verdade, nem sempre será a verdade do outro, jamais tente impor suas vontades sobre as demais, aprenda a viver em sociedade, faça de sua bolha um ambiente seguro e um campo fértil para o seu desenvolvimento e se precisar ir ao debate, vá preparado, argumentado e posicionado, mas não apele, não deboche, isso é sinal de fraqueza.

Longe de qualquer tipo de hegemonia, as bolhas sociais servem para melhorar nossa vida, mas também podem servir como um meio de alteração da realidade, fique atento e não permita, em hipótese alguma, que o irreal lhe domine, seja sensato e caminhe para o sucesso, não aquele prometido como  passe de magica, mas aquele conquistado com muita luta e perseverança.

Boa sorte!

Fábio Rebouças começou na fotografia em 1998 como laboratorista fotográfico. Desde 2000 atua como fotógrafo com passagens pelo fotojornalismo e depois na fotografia social. Em 2019, ele iniciou pesquisa científica na área de ciências sociais sobre o impacto do marketing no mercado e na sociedade. Recentemente publicou artigo científico sobre a problemática Coach no mercado da fotografia, pela faculdade de direito do sistema Anhanguera de ensino na cidade de Piracibaca (SP).