Fotografia para quem não precisa de fotografia

A impressão de fotografia só será comprada e, portanto, precisa ser vendida, pelos seus próprios méritos

por Revista FHOX Publicado há 4 semanas atrás | por Marco Perlman

Talvez as nuvens virem chuva, os computadores não leiam CDs, nem pen-drives e as grandes empresas que armazenam nossos arquivos de graça desapareçam. Talvez sim, talvez não. Mas isso não fará as pessoas comprarem fotos impressas. Não será pela insegurança, nem pelo medo, nem pela ameaça.

Durante muito tempo, a impressão (ou, melhor, a revelação) era a única forma de tangibilizar a fotografia. Hoje, graças à tecnologia, deixou de ser imprescindível. Não é mais uma obrigação (o que traz um certo alívio), para tornar-se uma oportunidade, um objeto de vaidade, um pequeno luxo, um simples prazer.

A impressão de fotografia só será comprada e, portanto, precisa ser vendida, pelos seus próprios méritos. Pela beleza estética. Pelo acesso fácil. Pela durabilidade reconhecida. Pelo visual decorativo. Pelo aspecto tátil. Pelas cores fiéis. Pela flexibilidade. Pela riqueza da diagramação. Pela história que conta. Pela marca de quem capturou a imagem. Poético? Talvez, mas verdadeiro.

No início da transição da foto analógica para a digital, havia dúvidas quanto à capacidade da nova tecnologia alcançar a qualidade do que havia até ali. Esse momento passou. A tecnologia digital não apenas igualou o antigo, conseguiu superá-lo em critérios de avaliação que nem existiam.

As imagens que capturamos hoje, graças à tecnologia que não para de evoluir, têm potencial para serem sistematicamente melhores que as analógicas. Mas não por serem armazenáveis digitalmente. Pela captura, pela luz, pela velocidade, pela profundidade, pela estabilidade, pelo ângulo, pela composição, pelo tratamento. Basta? A lista pode ser bem mais longa.

Além disso, as possibilidades de impressão são múltiplas. Além das fotos avulsas, ou de um álbum tradicional, podemos ter um Fotolivro em vários tamanhos e acabamentos, uma pequena sanfona de bolso, um porta-retrato em acrílico, uma tela de pintura tipo canvas, um alumínio na mesa ou na parede… e tantas outras possibilidades.

Nossas melhores imagens, hoje e sempre, não precisam… mas merecem ser impressas!