Blog do Léo
Por Leo Saldanha
É publisher da FHOX e também responsável pela Escola de Negócios FHOX leo@fhox.com.br

Fotografia de parto: um mercado promissor nos Estados Unidos

Matéria do Los Angeles Times traz uma visão completa desse mercado naquele país.

por Revista FHOX Publicado há 3 meses atrás | por Leo Saldanha

O artigo é de Shonja Sharp para um dos mais importantes jornais dos Estados Unidos. A matéria em inglês está aqui: Los Angeles Times. O que o texto aborda é o trabalho de várias fotógrafas que atuam no segmento. E o melhor: mostra também a opinião de mães que querem uma documentação distinta. A fotografia documental do antes, durante e pós-parto. Como Terra Hall, mãe que contou sobre o que queria em termos de fotografia: “Eu não me importo com as expressões que fiz, nem me importo se é nojento. eu queria fotos de tudo”. Ela completou dizendo que não os registros de tudo seria desapontador. Um mercado de imagens de momentos reais. Sem filtros, cru e sem censura. E que segundo o texto de Shonja, está em franco crescimento nos últimos anos nos Estados Unidos. Um dos fatores a ajudar esse avanço é o estímulo via redes sociais. Como posts no Instagram mostram (uma parte e sem ser tão explícito para não bloquear a foto). O público que consome é de mães millenials que querem profissionais mostrando a verdade daquele dia tão importante. O que esse crescimento ilustra é que clientes que não querem mais tanto aquelas fotos posadas. Com elementos como vestidos e tecidos esvoaçantes ou outros props nas cenas. Outro fator que favorece essa fotografia de parto real é a vontade das mães de mostrarem que são corajosas.

Só em Los Angeles já existem dezenas de fotógrafos(as) especialistas em parto documental. Ajudando a documentar os primeiros momentos da mãe com o filho. E a conduta é a mesma de fotógrafas brasileiras que cobrem esse momento por aqui. De contar histórias de um dia completo da chegada do bebê. E assim pensa Stephanie Entin, entrevistada pela matéria. O que chama a atenção são os números financeiros: hoje profissionais como ela cobram entre 1500 a 4000 dólares por trabalho desse tipo. A concorrência cresceu, se antes existiam duas fotógrafos especialistas no assunto atuando em Los Angeles, hoje são 40. Cresceu também em importância na escolha das mães. Elas escolhem o médico, a doula e quem será o profissional que vai registrar tudo.  Mas não é um mercado só voltado para partos naturais, pois as mães têm contratado para partos em geral. Uma das fotógrafas mais experientes da região conversou com o jornal dizendo que retratar mães em um parto normal ou com cesárea é importante de qualquer forma. Natalia Walth filma e fotografa os partos e diz que mães que independente da situação, a emoção daquela hora pode fazer com que elas percam lembranças. E a fotografia vai ajudar a relembrar cada detalhe. “é uma forma das mães processarem todo o parto”. Na visão dela, o fotógrafo de parto é tão importante quanto o de casamento. “a diferença é que no caso do parto tem uma equipe médica” diz. Ainda assim, a matéria indica que nem todos os obstetras estão confortáveis com um fotógrafo na sala do parto. Porque o número de processos de mães contra os médicos vem crescendo. E ter uma lente no ambiente é um elemento estranho e que pode parecer uma ameaça.

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Foto de Bith Hunscripted. Vencedora de um prêmio internacional de melhores fotos de parto

O que mais me chamou a atenção na matéria é que os norte-americanos estão valorizando mais as fotos de parto. Seja por serem únicas, pois os americanos estão tendo menos bebês (a menor taxa de natalidade dos últimos 32 anos). Aliás, isso é algo que começa a acontecer no Brasil. Antes eram 3 milhões de bebês nascendo anualmente aqui (nos Estados Unidos foram quase 3.8 milhões no ano passado). Os últimos números do IBGE indicam uma pequena queda. E em poucos anos teremos metade dos nascimentos de bebês brasileiros. Um mercado que vai encolher para fotografia newborn, parto, gestante. Logo, se torna ainda mais valioso o enfoque no perfil de fotógrafo da família. De alguém que trabalha nos momentos mais importantes daquela família que já foi atendida antes pelo fotógrafo. A própria matéria traz isso. De fotógrafos de casamento que passaram a oferecer parto também. E com vídeo junto. Por outro lado, embora as mães norte-americanas estão tendo menos bebês e mais tarde, só que em uma fase da vida em que estão com mais renda. O que explica o bom potencial para o mercado em Los Angeles e naquele país. Em determinado ponto da matéria, o texto explica que a fotografia de parto é extrema e desafiadora. São muitas emoções, envolve sangue e imagens extremas. E que muitos fotógrafos não são permitidos em determinadas maternidades. E que muitos fotógrafos também não parecem preparados ou cientes do que envolve esse segmento. Isso quer dizer: horários puxados e inesperados. Trabalho pesado e de altíssima responsabilidade em um mercado cada vez mais competitivo. Os hospitais que aceitam fotógrafos dizem ter uma boa relação com os profissionais. Enquanto os fotógrafos dizem algo distinto. Que algumas maternidades impõe muitas regras e deixam as mães à mercê de suas vontades. Tudo muito parecido em vários pontos em comparação com o mercado brasileiro. Muita competição, fotógrafos de casamento atuando naturalmente nessa área e fotógrafas newborn também. A relação com as maternidades também nem sempre é das mais tranquilas. Independente dos desafios, o fato é que tanto lá quanto aqui uma coisa é inegável: a fotografia de parto vive uma nova e empolgante fase.

Foto de Elizabeth Farnsworth. Vencedora de um prêmio internacional de melhores fotos de parto

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