Thalita Monte Santo
Por Thalita Monte Santo
É jornalista e integra a redação da  Revista FHOX. thalita@fhox.com.br

A Fotografia em Breaking Bad

Além das referências de apelo visual, Breaking Bad também carrega um forte senso criativo, que pode inspirar fotógrafos tanto na hora da edição de cores e escolha de presets, como na hora de realizar ensaios

por Revista FHOX Publicado há 4 meses atrás | por Thalita Monte Santo

Talvez esse post contenha alguns spoilers, ou você já tenho lido algo sobre há alguns anos atrás. Mas eu precisava escrever sobre a fotografia de Breaking Bad. Sim, a série já tem 10 anos, mas eu só consegui parar e assistir a ela esse ano. E que série, meus amigos!

A genial fotografia de Breaking Bad
Como pôde esperar tanto tempo assim para assistir?

Além do roteiro impecável, o que se nota já nos primeiros minutos é como a fotografia foi trabalhada de forma cuidadosa e planejada. E Michael Slovis é o grande responsável por isso. Ele assumiu a direção de fotografia na segunda temporada e, ao lado de  Vince Gilligan, diretor da série, conseguiu pensar milimetricamente em cada detalhe, ângulo e pontos de fuga das cenas.

Slovis é o agente por trás de várias marcas visuais icônicas em Breaking Bad, como o amarelado forte do deserto de Albuquerque, localizado no estado do Novo México. O diretor de fotografia esteve presente em 50 dos 62 episódios e foi diretor geral em quatro oportunidades. Foi dele também a ideia de colocar o ursinho de pelúcia flutuando na piscina em Seven Thirty-Seven (S02E01). 

Destaques 

Entre as coisas que mais chamam atenção estão: cores fortes, simetria, riqueza em detalhes, exploração de câmeras e movimentos, reflexos e a luz. Mas preciso destacar os planos abertos, que aparecem em vários episódios no deserto e que também representam as jornadas.

As câmeras em primeira pessoa, geralmente usadas para protagonizar personagens e colocar o espectador em cena, em Breaking Bad foram usadas genialmente em objetos, principalmente quando Jessie e Walter produzem a metanfetamina no laboratório. 

Os diversos timelapses, que foram usados para dar noções da passagem do tempo, mostram como o recurso pode ser poderoso, atrelado a uma boa iluminação e contexto narrativo. Se você trabalha com vídeos e quer experimentar a técnica em seus trabalho assista a série!

Paleta de cores

Cada personagem, predominantemente em boa parte dos episódios, usa uma cor específica de acordo com seu sentimento ou momento dramático. No início, Walter, quase sempre está de verde. Conforme a história evolui, e ele passa a trabalhar com Gus, suas roupas ficam mais escuras.  

Já Skyler começa a primeira temporada usando tons de azul claro, algo que pode representar tanto sua gravidez quanto lealdade. Porém, os tons de suas roupas também vão se escurecendo quando ela descobre sobre os segredos de Walter e quando ela reencontra Ted. 

 

No início, Hank quase sempre está de laranja. Quando enfrenta momentos mais dramáticos (estou me segurando para não dar spoiler), o marrom, que pode significar coragem e força, entra em cena. Nem preciso falar de Marie, pois quem acompanha, ou acompanhou a série, pode perceber a cor roxa em tudo quando ela está no quadro. Os únicos momentos em que o preto aparece são aqueles onde há uma enorme carga de tristeza e drama envolvendo a personagem. 

Por que, como fotógrafo, você deveria assistir Breaking Bad?

Além das referências de apelo visual, Breaking Bad também carrega um forte senso criativo, que pode inspirar fotógrafos tanto na hora da edição de trabalhos e escolha de presets, como na hora de realizar ensaios e criar narrativas, seja através de paisagens, pessoas, animais, alimentos, edificações e até objetos do cotidiano.