Por Nicolau Piratininga
É formado em Comunicação Social pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e entusiasta da fotografia. Realizou diversos cursos de especialização em artes e em fotografia, além de atuar em projetos paralelos de registros fotográficos da cidade de São Paulo. Foi gerente da divisão Conservart da empresa Molducenter, especializado em montagens de materiais Fine Art. Possui expertise em acondicionamento, conservação e restauro de acervos em papel. Em 2014 tornou-se o primeiro latino americano a obter o certificado Guild Commended Framer pela Fine Art Trade Guild na Inglaterra de emolduramento de obras de artes.  peixeseco@gmail.com

Ficam as paredes e vão os quadros

A decoração de paredes às vezes é colocada em segundo plano, o que é um grande equívoco.

por Revista FHOX Publicado há 1 mês atrás | por Nicolau Piratininga

Não tem jeito. Meu cérebro já está condicionado a olhar e reparar profundamente nos quadros exibidos em todos os ambientes em que vou. Quando entro pela primeira vez em algum lugar,
sempre observo o que está pendurado na parede. Para mim, quadros são pequenas janelas da
alma da pessoa que vive naquele local.

Salas de espera de consultórios médicos são uma verdadeira loucura! Como um detetive forense, passo o tempo tentando desvendar a história que cada objeto ali exposto tem para me contar a respeito do profissional que logo mais vou encontrar.

Há o sujeito que montou o consultório quando se formou e nunca mais mudou nada, e aquele cuja
esposa mantém o ambiente sempre atualizado, com as últimas tendências da moda, o outro que curte decoração, que teria sido arquiteto, se não fosse médico. Sem falar do tipo informativo, que
forra as paredes com cartazes de esqueletos, partes do corpo humano ou planilhas sobre doenças e tratamentos.

Mas minha curiosidade não fica só pela frente do quadro, gosto de ver detalhes da montagem. Outro dia fui flagrado pelo meu médico retirando da parede um quadro, para ver o acabamento atrás dele. Ele veio me chamar para a consulta justamente quando eu estava ali em pé, segurando o quadro dele na mão. Ele perguntou o que eu estava fazendo e respondi, brincando, que estava procurando pelo cofre. Ainda bem que não era um psiquiatra, pois se fosse, acho que ele teria me mandado para o hospício.

Ter em mente o propósito final do quadro ajuda na composição do orçamento, nas escolhas de materiais e na forma de montar. Uma foto montada para uma exposição temporária é muito diferente de uma preparada para ser permanente.

É preciso ter uma visão holística, um olhar do todo, da compreensão dos detalhes dentro do contexto geral. No mundo dos quadros essa percepção holística pode ser aplicada tanto para a decoração de ambientes como na montagem de exposições e até mesmo de uma fotografia no quadro. Quadro a quadro, foto a foto, uma exposição é montada, uma história é contada.

Montagens de exposição são uma ótima forma de promover o negócio, seja o seu próprio ou do cliente, o importante é ter um objetivo, um agente transformador e pensar de maneira integral.

A decoração de paredes às vezes é colocada em segundo plano, o que é um grande equívoco. Enormes espaços vazios não mostram nada, enquanto que quadros expostos podem revelar
muito sobre quem realmente somos e do que gostamos. Embora as paredes sejam fixas, o que
nelas afixamos é um mural vivo, sujeito a mudanças e evoluções constantes, assim como são nossos corações e mentes. Espalhe fotos por aí.