Felipe Tazzo
Por Felipe Tazzo
Felipe Tazzo é profissional de marketing, produtor executivo consultor de carreira artística desde 2005, e ainda escritor e segundo fotógrafo de Denise Maher. 

Esqueça a mochila acolchoada: hoje vamos encher a caixa de ferramentas

Nem tudo na vida é lente e cartão de memória, a gente também precisa de outros recursos para sobreviver no mercado.

por Revista FHOX Publicado há 3 meses atrás | por Felipe Tazzo

Eu sei, eu sei: “como assim, nem tudo na vida é lente? Eu amo minhas lentes!”

Eu também. E ninguém me segura quando eu consigo comprar uma nova. Assim que ela sai do plástico bolha a gente já quer fotografar tudo na vida com o brinquedinho novo: desde o selfie até a paisagem. Mas não dá para a gente esperar que o equipamento faça tudo, não é?

Por exemplo: a Nikon ainda não lançou a câmera que faz café e a Canon ainda não faz maquiagem.

Mas além de um monte de lentes, café, wi fi, bateria e maquiagem automática, o que mais precisamos para viver de fotografia? Papel e caneta na mão, colegas, a lista vai ser longa (pensando bem, você pode usar o ctrl+c e ctrl+v):

UM Projetos em TODAS as leis de incentivo

Não vou cansar de bater nessa tecla nunca. Fotografia é arte. Arte pode ser incentivada pelo governo. Tenha o seu projeto aprovado em todas as leis possíveis: Lei Rouanet, a lei do seu estado (em São Paulo é o ProAC) e logo logo vem vindo aí as leis municipais. Coloque o mesmo projeto em todas elas e mantenha-as aprovadas.

É pouco provável que você encontre alguém numa festa que esteja procurando um projeto para patrocinar (mas já aconteceu!); é um pouco mais provável que alguém te marque no Facebook quando algum captador de recursos aparecer. Mas é MUITO provável que você encontre um edital para quem já tenha projeto aprovado (como por exemplo da CCR, da Petrobras, da Caixa Econômica, da Votoratim, da Natura…)

Defina o seu projeto de vida e brigue por ele.

Segmento de mercado para chamar de seu

Eu quero muito que você seja mundialmente conhecido(a) e dê várias entrevistas para a mídia internacional e tals, mas enquanto isso não acontece, é melhor você se preparar para conversar com um público mais restrito, com o qual você possa se identificar e dividir valores e crenças. Você pode até construir um público específico, que não tenha nada a ver com você. É só um pouco mais difícil de administrar, mas bem possível.

Pense em um segmento que aceite bem os seus produtos e não pule a cerca se pintar alguma oportunidade. Ou você muda de vez e esquece o passado ou seja fiel. Tipo casamento. Quando você tiver muita bala na agulha, pode sair para brincar de Mr Catra.

Sites e redes sociais ativas e interativas

Clichê, sim. Todo mundo já falou? Sim! E você aprendeu?

Se você não está se relacionando bem com o supracitado segmento de mercado na rede de preferência DELES (e não a sua preferência), esteja em todas. Abra todas as possibilidades e abasteça todas as redes. Após uma longa maratona de interação real e honesta com o público, aí sim você descobre qual a melhor forma de se comunicar e com quem e só aí pode escolher um foco.

A gente ama Instagram. Mas e se o nosso público gosta mesmo é do Twitter? Ou do Youtube?Prende a respiração e engole, igual criança tomando remédio. Trate de tornar a vida de quem quer te dar dinheiro mais fácil e confortável.

Já o seu site não é opcional: uma postagem por semana ao menos.

Release de cada trabalho com fotos suas (sim, da sua carinha linda)

Isso eu tenho certeza que você já passou: alguém pediu uma bio, um mini currículo, um release e você passou uma meia hora só olhando o cursor piscar no editor de texto sem nem ideia de onde começar. Release é fundamental para qualquer coisa que você fizer: exposição, artigo para alguma revista ou site, participação em projeto dos outros, leis de incentivo e, claro, a boa e velha divulgação na imprensa.

Se você vai viver de fotografia, prepare-se para contar isso para o maior número de pessoas. E qualquer coisa que você fizer, dê um jeito para que o maior número de pessoas saiba disso. Avise à imprensa. Às vezes a redação está lá à toda.

E se você quiser escrever um release que seja bem aproveitado, compre uma revista, veja como o texto da notícia é estruturado e copie tudo: manchete, lead, citações, etc, etc. É bem mais provável que algum jornalista vá simplesmente copiar e colar.

E muito importante: tenha fotos de você mesmo (a) em alta. Seu trabalho pode ser fantástico, mas as pessoas preferem se relacionar com outras pessoas do que com entidades etéreas.

Mais networking e menos falar mal do cliente no buteco

Networking significa simplesmente a sua rede de contatos profissionais e proveitosos que podem gerar bons frutos para a sua carreira. E isso exclui imediatamente os outros fotógrafos. Se você quiser gerar bons negócios na fotografia de casamentos, seu networking tem que incluir cerimonialistas, celebrantes, buffets, lojas de vestidos, maquiadores, decoradores e os espaços de casamento. Mas nunca os fotógrafos de casamento.

Se você quer viver de fotografia de moda, procure conhecer designers, estilistas, profissionais das publicações de moda, blogueiros e blogueiras, mas nunca os fotógrafos de moda.

Se você quiser viver de fotografia de turismo, conheça os blogs de viagens, secretários de turismo das cidades, organizadores de passeios e viagens, mas nunca… bem, você entendeu.

No Brasil o povo é mais aberto e agente fica amigo de um monte de gente mais fáicl. E isso é ótimo. Mas é bom notar que amigos na mesma área são importantes para dar apoio, dividir conhecimentos e te chutar a bunda quando você fizer besteira. Networking serve para crescer.

Planos e metas

Quem você quer ser quando crescer? Sim, a aterradora pergunta da infância volta a ter validade. Onde você quer chegar? Quando? Como você acha que vai conseguir isso? Quais as etapas intermediárias? E se algumas dessas etapas não derem certo?

Ter esse plano, mesmo que só na sua cabeça é duplamente importante: primeiro porque é algo que vai te ajudar a se motivar todos os dias. E você sempre pode olhar para esse plano e se perguntar se o caminho está certo e se está andando.

E em segundo lugar porque você pode dividir esse plano com mais pessoas. Se você estiver perto das pessoas certas, elas se contaminarão com o que você diz e passarão a torcer por você e talvez até te ajudar. Daí podem surgir parcerias inesperadas. Se o seu plano for claro para o seu network todo, pode acreditar que você vai ter conexões que nunca nem sonhou.

>> Vamos falar sobre a diferença entre marketing e marketing do artista

>> E se estiver tudo errado?