Por Fabio Rebouças
Fábio Rebouças começou na fotografia em 1998 como laboratorista fotográfico. Desde 2000 atua como fotógrafo com passagens pelo fotojornalismo e depois na fotografia social. Em 2019, ele iniciou pesquisa científica na área de ciências sociais sobre o impacto do marketing no mercado e na sociedade. Recentemente publicou artigo científico sobre a problemática Coach no mercado da fotografia, pela faculdade de direito do sistema Anhanguera de ensino na cidade de Piracibaca (SP). 

Enquanto uns choram, outros vendem lenço

Tão importante quanto uma boa venda ou um bom marketing, moral e ética são imprescindíveis para a nossa vida profissional

por Revista FHOX Publicado há 4 semanas atrás | por Fabio Rebouças

  1. Introdução

Se existe algo que o atual momento está se encarregando de mostrar, além de todas as outras devastações, são as máscaras morais caindo. É impressionante a quantidade de pessoas que se mostram ser completamente avessas à realidade da atual situação. Digo isso porque ainda não consegui digerir algumas atitudes de muita gente que cheguei a creditar tamanho valor, algumas delas, alcançando o nível do absurdo quando o tema é a ética. 

Só que o mais impressionante não são somente os atos, mas também a quantidade de apoio por decisões erradas e ainda afirmam que se tivessem tido essa ou aquela oportunidade também agiriam da mesma forma.

Bem, o fato é que se você tiver uma visão mais liberal sobre economia e não compreender corretamente os limites da liberdade, ou até mesmo se já passou por alguma situação onde os seus preceitos éticos foram colocados em “xeque” e a sua atuação terminou sendo um tanto quanto contraditória, segundo tudo aquilo que sabe estar errado, no mínimo te digo: Está na hora de rever os seus conceitos.

Talvez você esteja me achando um moralista, um desconexo, ou talvez até pense que  não dependo do comércio ou do marketing para obter meus lucros com a fotografia, mas se isso passou pela sua cabeça, saiba que é exatamente o contrário e somente iniciei este diálogo, inclusive em primeira pessoa e de uma forma tão contundente, exatamente para te dizer que não dá para falar deste assunto, sem se colocar no lugar do outro e muito menos sem afirmar que também faço parte de tal contexto, porém, é necessário que discutamos algo que poucas pessoas falam ou tem coragem de falar. 

Tão importante quanto uma boa venda ou um bom marketing, moral e ética são imprescindíveis para a nossa vida profissional.

Afinal, você sabe a diferença prática entre estes termos?

silhouette of road signage during golden hour

  1. Moral e ética

Moral: Do Latim “mores” = Costumes.  A moral é fruto de um padrão cultural incorporado socialmente. Das regras necessárias ao convívio de uma pessoa em sociedade.

Ética: Do Grego, “ethos”, que significa literalmente “morada”. Para os filósofos, está totalmente ligada a índole, caráter. O conceito pela máxima Aristotélica em “Ética de Nicômaco”que está diretamente relacionada a sermos o “resultado de nossas escolhas”.

Certamente não vamos entrar muito na contextualização das ciências sociais sobre o tema, porém, ao menos, sinto ser necessário definir melhor suas principais características e a partir de então, resguardada as devidas proporções da realidade em que vivemos, traçarmos um parâmetro sobre este assunto tão pouco debatido em nosso meio.

Afinal, quando é que deixamos de ser éticos ou praticamos a imoralidade dentro da nossa profissão?

Antes de mais nada, é preciso dizer que nem sempre a falta de ética ou imoralidade parte tão somente de nós prestadores de serviço, muitas vezes ela pode partir de quem nos contrata ou até mesmo vir através do meio em que vivemos e é por conta desse círculo vicioso é que terminamos também agindo mal.

A raiz do problema vem lá de trás, está diretamente ligada às nossas condutas da vida pessoal. Começa desde o momento em que você enquanto consumidor tenta tirar uma vantagem de um prestador de serviço e paga mais caro por um produto palpável, mas também pode ocorrer de outras maneiras, quando você não valoriza nem o produto e nem o serviço, adquirindo algo de procedência duvidosa.

Fotógrafos costumam pagar caro por seus equipamentos, mesmo que vendidos através de “descaminho”, porém tendem a adquirir softwares pirateados para a edição, se esquecem também da qualidade que devem agregar em seus produtos, pagam muito mal os seus “freelas”e quase não investem em organização e armazenamento de seu fluxo de trabalho. Há também uma falsa sensação sobre o investimento em marketing, que recebe hoje o nome de marketing digital, mas que na realidade não passa de uma tremenda enganação para a venda lucrativa e desenfreada de cursos com conteúdos de baixíssimo nível.

Obviamente, quando a sua conduta profissional for testada pelos seus clientes, tentarão fazer contigo o mesmo que você costuma fazer com outros profissionais e consequentemente todos seguirão tentando levar algum tipo de vantagem neste tipo de relação de consumo, fomentando uma reação negativa entre produto, serviço, profissional e cliente.

man wiping his tears

  1. Enquanto uns choram, outros vendem lenço

Se Adam Smith, pai do liberalismo econômico, estivesse vivo e nos dias de hoje escutasse esta frase, ele certamente não ficaria feliz.

Embora esta frase não esteja errada, pois sabemos sim que é na crise que nos reinventamos, acredito que ela tenha sido mal interpretada pelos formadores de opinião, ou talvez esteja sendo mal utilizada para servir de objeto de persuasão, que alinhada ao mau-caratismo de muitos, potencializaram o “jeitinho brasileiro “de levar vantagem em tudo e sobre todos.

Enquanto caminhamos para as centenas de milhares de mortes em decorrência da COVID 19, o Brasil segue sendo referência, mas referência de falta de empatia, referência de falta de sensibilidade e incapacidade de se solidarizar com a dor do próximo. 

Infelizmente, assim como em todas as demais áreas, isso também assola a nossa fotografia e nos coloca no mesmo lugar de insensibilidade, imoralidade, apatia e falta de ética que ocorre também em todas as outras profissões.

gray box beside glass window

A nossa crise não é tão somente moral, às vezes até seguimos a lei, porém nem sempre nos convém utilizarmos a lei para pautarmos decisões com base em interesses próprios. Não estamos vivendo apenas uma crise moral, vivemos uma crise ética, de identidade, de valores, de formação, de estrutura. 

Se Aristóteles nos disse que somos o resultado de nossas escolhas, então quais são de fato as nossas escolhas e como agimos quando estamos em publico, será que agimos igualmente quando ninguém vê? O que pensamos sobre nós mesmos, como nos construímos, nos expressamos ou agimos. Quais são os resultados de nossas ações.

Fábio Rebouças começou na fotografia em 1998 como laboratorista fotográfico. Desde 2000 atua como fotógrafo com passagens pelo fotojornalismo e depois na fotografia social. Em 2019, ele iniciou pesquisa científica na área de ciências sociais sobre o impacto do marketing no mercado e na sociedade. Recentemente publicou artigo científico sobre a problemática Coach no mercado da fotografia, pela faculdade de direito do sistema Anhanguera de ensino na cidade de Piracibaca (SP).