Por Felipe Tazzo
Felipe Tazzo é profissional de marketing, produtor executivo consultor de carreira artística desde 2005, e ainda escritor e segundo fotógrafo de Denise Maher. 

Vamos falar sobre a diferença entre marketing e marketing do artista

Felipe Tazzo discorre sobre a importância de um marketing específico na fotografia autoral e o quanto faz diferença uma postura mais empreendedora

por Revista FHOX Publicado há 2 anos atrás | por Felipe Tazzo

Marketing não é nenhuma novidade, não é? Todo mundo já sabe que é aquela ideia meio difusa e distante que você sabe que tem que fazer, mas não sabe muito bem por onde começar e nem consegue ver os efeitos imediatos. Tipo alimentação saudável. Ou academia.

E ainda por cima tem muita gente complicando cada vez mais o assunto, inventando nomes gourmetizados tipo marketing pessoal, marketing digital, marketing direto.

Você já está até meio que esperando que eu diga que é hora de investir em marketing artístico, não está? Preocupa não, não vou cometer essa excrescência. Vamos colocar a coisa toda em pratos limpos: marketing é marketing. Ponto final.

Mas o que é isso exatamente?

Marketing é o conjunto total de ações que você realiza para se relacionar com o seu mercado. Ou seja, se você tem um site com suas fotos, isso já é uma ferramenta de marketing importante. Página no Facebook? Idem. Twitter, Instagram, Pinterest, Snapchat? Idem para todos. Aliás, se na hora de entregar um trabalho você faz uma embalagem mais caprichada, isso é marketing também. E se você escolhe com certo cuidado que roupa vai usar quando encontrar um cliente… adivinha? Marketing.

Sim, é simples assim.

O que muda do artista para qualquer outra instituição (empresas, ONGs, estatais, pessoas, lugares, clubes, igrejas etc) é o motivo pelo qual você está se comunicando com o mercado.

É muito comum que uma empresa envolva a galera colorida no desenvolvimento de seus produtos. Tem pesquisa para descobrir o que o cliente prefere e daí é que vai para a linha de produção. Mesmo que seja fruto de uma baita inovação tecnológica, o marketing pode ir lá e dizer que o cliente prefere uma embalagem menor, com uma tampa que abre mais fácil, ou com um cheiro mais suave, ou em diferentes modelos, cores, sabores, outros usos, etc.

Sim, é para deixar o cliente mimado mesmo. Esperneou, xingou, chorou, a empresa readapta. Mamãe cuida, não precisa chorar. E depois vai se preocupar para que isso chegue perto do cliente, no preço certo, na hora certa e com toda divulgação para que o cliente entenda esse valor.

Mas na arte a conversa é outra?
Sim, muito. Mas pensando bem, não muito.

O que muda é a fase de concepção do produto. Nenhum artista se destacou no mundo entregando para o cliente aquilo que ele queria exatamente. Artista tem que viver de ousadia, desbravando fronteiras, incomodando, questionando e experimentando tudo o que puder. E o resultado tem que ser pessoal e intransferível. Tem que ser seu!

Por quê? Oras porque a arte não vive de acomodação e releitura e, sim, de antecipação de tendência. Tem que enxergar lá na frente e ir buscar aquilo que ninguém pensou ainda.

Mas aí o trabalho do artista termina e do profissional de marketing começa (e não, não chamamos de marketeiro!). Suas fotos podem ser a maluquice esquisita que for. Se o seu departamento de marketing não participou da confecção do produto, vai participar, sim, das outras etapas: tem que garantir que chegue perto do cliente, no preço certo, na hora certa e com toda divulgação para que o cliente entenda esse valor.

E claro, se você é seu próprio departamento de marketing, essa é a hora de girar a chave da posição “artista incompreendido” para a posição “porco capitalista” e fazer com que sua arte vá para todo lugar.

E aí tem mesmo é que calçar os chinelinhos da humildade e ir aprender com Romero Britto, com Paulo Coelho, com duplas sertanejas, com novela da Globo: o que eles fazem para estar em todas? Como faz para divulgar? Como faz para fazer parte da vida das pessoas?

E não, não há diferença entre marketing para os artistas bons e os ruins. Marketing é apenas uma ferramenta de contato com o mercado. Movida a muito dinheiro e suor, é verdade. Mas é só uma ferramenta.

Marketing foi responsável por colocar muita porcaria por aí. Mas também foi responsável por todas as coisas boas. Você nunca teria conhecido Van Gogh se Johanna (sua cunhada) não tivesse dedicado todas as horas da sua vida para promover o trabalho dele por toda Europa. A mulher era porreta: organizou exposições, buscou parcerias e fez várias doações dos quadros. Como dizem por aí, puro marketing.

Já que Vincent só pintava e lutava contra seus (muitos) demônios, alguém tinha que ir lá e pôr o bloco na rua, certo? Coisa que aliás, a Gala Dalí também se dedicou incansavelmente a fazer em nome do velho Salvador. Era ele ter uma ideia louca e lá estava ela fazendo contatos com as pessoas importantes da época.

Mas isso não é desculpa para você achar uma Johanna para chamar de sua e terceirizar seus problemas. Você é um artista do estúdio para dentro. Lá fora você é um/a empreendedor/a das artes. Sentiu o peso da palavra? Empreendedor/a.

E M P R E E N D E D O R / A.
Sentiu?
Agora vai lá vender.