Blog do Léo
Por Leo Saldanha
É publisher da FHOX e também responsável pela Escola de Negócios FHOX leo@fhox.com.br

Sobre a febre dos eventos de fotografia (e os próximos sintomas desse mercado)

O boom dos eventos de fotografia no Brasil. A boa (e a má) notícia é que eles vão crescer.

por Revista FHOX Publicado há 2 anos atrás | por Leo Saldanha
Congresso Fotografar: vaidade não cabe quando você tem uma missão na fotografia
Congresso Fotografar: vaidade não cabe quando você tem uma missão na fotografia

Na semana passada estava sentado ao lado do grande fotógrafo Lauro Maeda. Conversa vai e vem e ele me pergunta: e essa questão da quantidade dos eventos de fotografia no Brasil? A minha resposta fosse alguns anos antes seria outra. Teria dito: o mercado está saturado e que existem eventos demais (inclua aí workshops, cursos e congressos). Ninguém aguenta mais isso. O tempo passou e as irônicas dinâmicas de mercado levaram a uma resposta bem diferente durante a Alasul. Minha resposta está no fim do post, porque antes, eu disse para Maeda que iria escrever sobre isso e vou cumprir com a minha palavra.

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A onda dos eventos tem explicação inicial com o livro “O Fim do Poder”, onde o autor, Moisés Naim, diz algo que eu e você já sabemos. As marcas, governos e grandes (ou médias) organizações perderam o posto de protagonistas. O fim do poder veio com as novas tecnologias, com as pessoas conseguindo criar seus próprios canais.

Não é diferente com um workshop, um curso, uma palestra on-line ou um congresso regional. Isso é bom para quem faz e pode ser bom para quem assiste. Mas anote aí: o principal combustível desse mercado não é dinheiro. O que movia antes e segue com movendo é a vaidade (uma hora ela passa).

Outro dado curioso: o valor primordial deveria ser passar conteúdo, mas é o encontro que vale. O jargão do networking nunca fez tanto sentido. As pessoas do mercado querem se encontrar pessoalmente.

FHOX On The Road. Levar a fotografia para outras cidades ajuda a movimentar o mercado
FHOX On The Road. Levar a fotografia para outras cidades ajuda a movimentar o mercado

O boom de eventos de fotografia (presenciais e on-line) é saudável em várias frentes. Primeiro porque estimula toda uma indústria. Seja das marcas nos bastidores ou no circuito de palestrantes que surgiu no ramo fotográfico. Sem esquecer é claro, da indústria de conteúdo. Antes era mais restrito, hoje popularizou ao extremo. Daí a primeira constatação:

  • Ser palestrante já não dá tanto status. Dinheiro então… Ora, se existem muitas palestras e palestrantes, então temos uma certa banalização. Isso cria uma pressão nas vendas de ingressos e passaportes para todos os tipos de educação da fotografia no Brasil. Isso traz outra constatação:
  • A grande quantidade de palestrantes começou a criar um processo de seleção natural. Assim como no mercado de fotógrafos, existem entrantes, ficantes e saintes. Isso explica algo que muita gente muitas vezes não entende. Do porque de nomes repetidos em eventos. O circuito confiável acaba fazendo uso de nomes consagrados e experientes. Os palestrantes de sempre são garantia de nível de percepção e de valor real no conteúdo de um evento. O filtro nos workshops e congressos é ótimo… propostas diferenciadas e palestrantes preocupados com informação de qualidade. Esse é o futuro desse negócio.
  • Para novos palestrantes isso traz um desafio e um estímulo. Os novos talentos surgem graças a esse processo. Nem preciso dizer que boa parte das palestras disponíveis está na média ou abaixo dela. Logo, se você sonha em ser palestrante, a oportunidade de aparecer e se destacar é grande. Diria até que é enorme. Agora, será que preciso dizer que não é nem um pouco fácil?

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  • Congresso não dá dinheiro. Normalmente não dá porque custa caro e o risco é alto. São tantos custos envolvidos que mereceria um post separado. Quem organiza de forma séria sabe, e se não sabe, está exposto de maneira perigosa. O risco é tão grande e ainda assim surgem oportunistas. O que ocorre nesse caso é pela primeira vez o surgimento de eventos inteiros cancelados. Congressos e organizadores de workshop que dão calote nos palestrantes. Isso só cresce.

Aqui então cabe outra observação: muitos eventos ficarão (e já estão ficando) pelo caminho. A seleção natural ocorre com força. Ainda mais em um momento de crise.

Na outra ponta existe ainda o preconceito de muitos profissionais com congressos e workshops. Gente que costuma dizer que não aprende nada. Que é só fogueira de vaidades e que ninguém entrega mais valor nas palestras. Será mesmo? Existe espaço para auto-ajuda (motivação em época de dureza é fundamental). Existe espaço para palestras chatas sobre negócios e finanças. Existe espaço para cases e tendências. Em qualquer mercado civilizado do mundo, o congresso e eventos desse tipo, trazem dicas e caminhos. Nos Estados Unidos, a educação na fotografia já é um negócio consolidado. Nada de errado em faturar com entrega de conhecimento. Isso é bom para o mercado.

Na minha visão existem algumas tendências nos eventos de fotografia do Brasil:

1 – Entregar conteúdo é obrigação.
2 – Entreter e educar será o principal desafio.
3 – Eventos regionais serão mais frequentes e terão de lidar com os dois itens acima.
4 – As plataformas digitais e ferramentas como smartphones e redes sociais terão papel cada vez maior na interação em tempo real. Tanto para avaliação quanto na troca de informações.
5 – Queda no preço do ingresso. Inevitável, quando aumenta a oferta…
6 – Eventos com público qualificado de verdade será cada vez mais raro. Qualificado não é quantidade…
7 – Teremos cada vez mais workshops, congressos e eventos de fotografia no Brasil.
8 – O Cameraclub estará presente em muitos deles…isso é um desejo e falo mais sobre isso no fim.

Não meu amigo, a salvação não é on-line. Cursos e congressos digitais são boas alternativas. Só não espere que sejam a única saída. Vamos lembrar de algo básico: fotografia é um ato que pede presença. Você tem que estar lá…tem que clicar e testar. Seus olhos tem que estar bem mais perto do que da telinha. Esse é o grande desafio do on-line. Claro que pode ser fantástico e existem outras formas de oferecer conteúdo real. Tenho até um exemplo desse paradoxo…algo que ocorreu na semana passada. Fizedmos vários Lives do Facebook com palestras da Alasul. Em uma delas, a melhor apresentação (Piangers), uma das espectadoras disse: queria estar aí. Ela assistiu, curtiu e talvez tenha até compartilhado. Mas a sensação de estar presente e ver de perto é muito mais arrebatadora. Ela queria fazer parte daquilo de forma presente.

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Pouco antes de subir ao palco da Alasul, disse para Maeda que a postura da FHOX mudou em relação ao mercado. Eu disse para Maeda que acho essa febre boa. Na verdade, muitas vezes para quem participa, talvez até sejam poucas iniciativas. O mercado segue carente de congressos e afins. E é por isso que a onda não diminuiu. Só que talvez não seja só isso.

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Com o Cameraclub viramos expositores, parceiros, apoiadores e divulgadores. Queremos e vamos abraçar o máximo possível de atividades educacionais de todos os partes e tipos (desde que sejam sérios e profissionais). Abaixo alguns deles dos quais o Cameraclub já apoia.

Os eventos são fundamentais para o crescimento desse projeto que acreditamos muito e que já dá frutos incríveis. Cada iniciativa educacional que tiver a assinatura do Cameraclub terá apoio verdadeiro e dedicado. É algo que já começou e a experiência tem sido incrível. Agora, do outro lado, podemos entender e estar perto de fato dos melhores (e mais sérios) eventos de fotografia do Brasil.

ps – tem um evento (on-line ou off) e quer apoio: Cameraclub.com.br