Blog do Léo
Por Leo Saldanha
É publisher da FHOX e também responsável pela Escola de Negócios FHOX leo@fhox.com.br

Como David Fincher sequestra nosso olhar

Sempre escrevo sobre fotografia, mas outro tema que também adoro é cinema. E a fotografia tem tudo a ver com essa arte.

por Revista FHOX Publicado há 1 ano atrás | por Leo Saldanha

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Se há um diretor que eu curto, seu nome é David Fincher. Ele começou na direção filmando clipes da Madonna, Aerosmith e outras celebridades da música. Saiu dos mega clipes da MTV para filmar em 90 dias o já clássico “Se7en – Os Sete Crimes Capitais” (1995) . Em seguida fez “The Game” (que é sensacional, mas foi um fracasso de bilheteria) e Fight Club (1995), aquele do cara que metralhou um cinema em São Paulo.

A filmografia de Fincher é marcante. “O Quarto do Pânico” (2002), “Alien 3” (1992), “O curioso caso de Benjamin Button” (2008), “Zodíaco” (2007) e Garota Exemplar (2014). Violência e suspense estão sempre presentes em sua obra.

Para a Netflix fez “House of Cards” (2013) e agora retoma o assunto que fez sua carreira bombar com os serial killers do “MindHunters” (2017). Hoje eu estava olhando algumas notícias e vi o vídeo abaixo (no site Fstoppers) sobre a técnica de filmar do diretor. Ele captura nossos olhos de uma forma instigante. Nerdwriter analisa no YouTube grandes cineastas e dessa vez escolheu a obra de Fincher para uma nos agraciar, falando sobre técnica e posicionamento de câmera. Para quem curte cinema (e fotografia) é fascinante. No fim é uma aula sobre composição, narrativa e enquadramento.

O vídeo mostra Fincher acompanhando os personagens e como ele usa o movimentação da câmera com emoção. Estamos grudados na tela que segue até os mínimos movimentos de cada personagem. Deve ser por isso que ele filma dezenas de vezes a mesma tomada. Isso é algo que já gerou estresse com atores famosos.

Um caso foi Robert Downey Jr que ficou puto com a quantidade de tomadas da mesma cena no filme “Zodíaco”. Aí você assiste esse vídeo e entende no detalhe porque Fincher grava a mesma cena tantas vezes. A câmera grudada para acompanhar as sequências é de uma precisão de detalhes que a chance de erro só aumenta. Errou, filma de novo. Para o ator é um saco porque é a mesma fala e atuação.

A culpa no caso é de quem está na câmera. Só que essa decisão passa pelo olho do diretor e ele quer o movimento grudado em cada detalhe. A “Rede Social” (2010), filme que recebeu várias indicações ao Oscar e venceu nas categorias Melhor roteiro adaptado, Melhor trilha sonora e
Melhor edição, é um exemplo certeiro desse trabalho envolvente. Ele contou a história do Facebook para criar uma nova categoria: suspense de negócios. E usou mais efeitos visuais do que o filme do Godzilla.

Não entendeu? Assista ao vídeo e veja o que é perfeccionismo levado ao extremo.

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O cineasta David Fincher

Depois de assistir entendi porque gosto tanto dos filmes dele. Porque estou junto acompanhando até o movimento dos corpos. Se alguém levanta, eu levanto junto. Claro, o roteiro, a fotografia e todos os outros elementos de uma produção de alto nível são tão importantes quanto a operação da câmera. O diretor de fotografia que atua com Fincher desde “Clube da Luta” é Jeff Cronenweth, um grande fotógrafo que dá o tom do visual sombrio tão frequente nas produções do cineasta.

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Os outros dois vídeos abaixo mostram que os efeitos especiais são muito usados por ele e de uma forma distinta. Ele faz uso dos recursos visuais para criar sequências que uma câmera não consegue captar. E isso é fascinante porque mostra o artista visual que não aceita limites para a movimentação das cenas e tomadas criativas. Onde os detalhes realmente são invisíveis e o resultado visual é espetacular. A ideia de que você não consiga distinguir o que é uma pessoa operando a câmera ou um computador é intrigante e faz todo o sentido ele aproveitar os recursos visuais para filmar. Assim, consegue exatamente o que quer sem ter que “repetir” a cena.


Efeitos especiais, soberbo domínio da câmeras, técnica afiada e atenção aos mínimos detalhes. É a combinação de tudo isso que sequestra nossos olhos nos filmes dele. E ouvidos também se você reparar bem que a trilha sonora dos filmes que ele dirige são sempre marcantes.

Trent Reznor é um mestre que parece entender o universo do diretor em várias parcerias. Curioso é a experiência de Fincher antes de filmar clipes. Passou pela publicidade e trabalhou nas produções de “Indiana Jones” e “O Retorno de Jedi”. A escola de Fincher mostra a importância da bagagem e de saber combinar arte e tecnologia para entregar uma experiência estonteante, característica comum aos artistas geniais.

PS – já viu nosso novo canal de vídeo? O FHOXPlay está no ar com coisas muito bacanas. Confira aqui: FHOXPlay