Baby Yoda e a importância do produto

O case sobre o personagem da série da Disney+ oferece uma aula sobre estratégia de produto em tempos de “tudo muito virtual”

por Revista FHOX Publicado há 5 meses atrás | por Leo Saldanha

A série The Mandalorian foi um grande sucesso de 2019. Lançada com exclusividade para o serviço de streaming Disney+, quem roubou a cena foi o Baby Yoda (que na série é chamado de “A criança”). Muitos criticaram a produção por investir em um personagem analógico. “por que não criaram ele em computação gráfica?” e com todos os recursos disponíveis em termos de tecnologia de fato é uma sugestão válida. Piora se eu te disser que parece que bonequinho animatrônico (fofo) custou 5 milhões de dólares para ser feito? uma quantia insana para um boneco menor que um cachorro e que nem aparecia em todas as cenas. Melhor lembrarmos que estamos falando da Disney, uma gigante de entretenimento que fatura com filmes, séries, parques e muito mais. Os executivos e a turma criativa envolvida no projeto pensou muito no futuro. Na verdade foi uma grande jogada de marketing. Entenda.

  • Baby Yoda analógico dá um toque de realidade para a série e fora dela. Gera interesse até por isso. E sem dúvida com um grande atrativo na forma de uma pergunta: “E se a gente lançar esse mesmo personagem como brinquedo?”. 
  • Uma matéria recente mostrou que o Baby Yoda foi o item mais vendido entre os brinquedos disponíveis na maior marca de varejo do mundo. Na Amazon “The Child” da Funko Pop (aqueles colecionáveis cabeçudos) ficou na frente de outros produtos consagrados. Esgotou mesmo em pré-venda quando foi anunciado perto do Natal. 

O que isso tem a ver com a fotografia? tudo. No mercado a nova regra vigente é de profissionais vendendo só arquivos digitais (porque é mais fácil, porque o cliente pediu e porque a concorrência faz o mesmo como algumas das desculpas mais comuns). Logo a má notícia é natural: se você acha que os preços praticados no mercado estão impraticáveis…então prepare-se pois vai piorar. A tendência nesse estilo é nem querer saber de Baby Yoda físico ou virtual. A regra nessa postura é só fotografar e se livrar logo do problema (cliente) para já pegar o próximo trabalho. Tem futuro um profissional assim? só se for na base do baratinho mesmo. 

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Não, você não tem que criar um bebê Yoda para vender junto com suas fotos impressas e álbuns (porque se você fizer isso pode até vender, mas vai ter problemas com a Disney). O que é importante destacar no case da Disney é a importância do produto. A marca já anunciou uma nova versão em pelúcia que vai custar mais de 300 dólares. A Disney bem que poderia ter algo 100% digital nas telas. O que eles preferiram foi criar algo caro, sofisticado e que fosse real para criar o senso de autenticidade sobre o personagem. Uau, esse bebê é uma graça imagine ter um aqui em casa. E ele é de verdade. Isso tem a ver com propósito. O time disse vamos fazer. Equipe que envolveu marketing, artistas, designers, roteirista. Tudo integrado. É um grande ensinamento que para mim faz muito sentido. De colocar o produto em primeiro lugar. 

Pensar do produto para fora é uma estratégia fascinante. Você pode até pensar em vender, mas se não existe produto (físico) a coisa fica capenga. A obra impressa é a personificação do trabalho do fotógrafo. E claro, pode ter versões mais simples e acessíveis. Precisa de mostruário e de versões sofisticadas e populares. Pensar em todos os gostos do público que quer atender em diferentes níveis de valores. Para tanto você tem que fazer a lição de casa. Isso quer dizer: como é o seu produto? você entrega alguma coisa? é personalizado? você tem amostras bacanas para apresentar aos clientes interessados? Você não vai precisar investir 5 milhões de dólares no seus álbuns e outros produtos impressos. Mas se tem outra grande inspiração aqui para se tirar desse case é que o cuidado com o analógico (o que é real) faz a diferença. Caprichar no papel, na capa, no design e na embalagem. E mostrar isso direito nas redes sociais, no site. Não só com fotos, pois vídeo funciona muito bem para apresentar seus produtos. E variedade com alguma sofisticação é sempre bem-vinda. 

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Com o Yodinha é a mesma coisa. Tem a versão Funko que é barata e tem o de pelúcia que custa caro. Vai virar chaveiro, camiseta, caderno, mochila e por aí vai. Marketing precisa de produto. Preço baixo é amigo de produto ruim e de coisas 100% digitais. Pode ver: quase tudo virtual tende ao valor mais baixo possível (com raras exceções). Se você tem dificuldade com preço (um clássico em qualquer negócio e não é diferente na fotografia) então te recomendo a leitura de Preço de William Poundstone. Para você entender de uma vez por todas a ciência envolvida em tudo o que está relacionado aos produtos e serviços. No caso da Disney+ eles apostaram alto e investiram pesado em um bonequinho físico que custou milhões de dólares. Aliás, estão caçando todos os artesãos que tentam vender o bonequinho em crochê e afins. a Disney não quer saber de ninguém faturando com o produto deles…

Em tempo: algumas matérias de negócios indicam que graças ao bebê Yoda e a força da série a Disney+ garantiu 30 milhões de assinantes só nos EUA. Ainda não existem dados sobre o faturamento com merchandising e a venda de brinquedos do Baby Yoda. Alguém duvida que já vendeu muito e que vai faturar muito mais? Que a Força esteja com você (e com as suas vendas). 

A Escola de Negócio FHOX acompanha as mudanças, avanços e transformações constantes do mercado fotográfico para preparar o melhor conteúdo para as atividades R.U.M.O. e Seminário Marketing 4.0.