Por Felipe Tazzo
Felipe Tazzo é profissional de marketing, produtor executivo consultor de carreira artística desde 2005, e ainda escritor e segundo fotógrafo de Denise Maher. 

As várias maneiras de bancar seu sonho

por Revista FHOX Publicado há 3 anos atrás | por Felipe Tazzo

Seja seu sonho, seja seu trabalho, vamos combinar que o objetivo é colocar grandes fotos nas paredes dos outros (ou em badaladas galerias de arte pelo mundo). E, nesse processo, por que não colocar uma grana no bolso também?

Travel photographer equipment with beautiful landscapeNarathip12/iStock

Mas é aquela coisa de “viver de arte no Brasil é complicado, não tem apoio…” que você já cansou de ouvir e sentir na pele. Então você acredita nos clichês e vai correndo atrás como dá, do jeito que consegue, etc.

A boa notícia é que existe sim apoio às artes. Não é simples e nem cai do céu como a gente gostaria, mas as verbas do governo estão todas lá. E por lá entenda-se nos respectivos sites das secretarias e Ministério da Cultura. O seu estado com certeza tem um programa de incentivo. Seu município provavelmente ainda não, já que poucos adotam essas medidas. Está na hora de aprender como funcionam esses programas e levar para a câmara dos vereadores da sua cidade para ver se, quem sabe copiando eles conseguem acertar alguma coisa.

Então, primeiro passo: o que é cada coisa?

Editais

Edital nada mais é do que um processo de seleção. Quando um governo disponibiliza uma verba, seja para contratar um professor, uma empresa de manutenção, uma construtora ou um projeto artístico, precisa realizar um edital seletivo. Isso quer dizer que você terá que elaborar um projeto dentro dos moldes que eles esperam e submetê-lo à aprovação desse órgão do governo.

Como a verba é (infelizmente) limitada, editais em geral são abertos para contemplar um número finito de projetos, portanto um edital acaba sendo um processo competitivo. Não são todos os projetos que serão selecionados, então vamos torcer que seja o seu!

Caso você seja contemplado, a verba que você pediu (ou que o edital estabelece) sai da conta do governo diretamente para uma conta que você abriu para esse edital exclusivamente. Dinheiro no bolso, fim do problema, pode executar sua exposição, seu livro, seu curso, mentoria, processo colaborativo, estudo, o que for.

Leis de Incentivo

Já as leis são um pouco mais elaboradas. Você terá que submeter o seu projeto ao governo, mas o dinheiro não estará lá te esperando, você vai precisar correr atrás.

Ao contrário do edital, a verba não está em uma conta do governo. Está nas mãos das empresas que pagam impostos no Brasil. O governo vai analisar o seu projeto e, sendo aprovado, você poderá captar dinheiro entre patrocinadores diversos.

A notícia boa aqui é que todo mundo pode ter seu projeto aprovado. Não há competição e nem número de vagas limitado para aprovação. A competição vai acontecer na hora de negociar com o patrocinador, que terá uma verba limitada para todos os projetos.

Isso acontece porque, na verdade, o dinheiro não é da empresa e sim público. O que a empresa faz é selecionar qual projeto receberá uma parte do imposto que teria que pagar ao governo, obtendo um descontinho. Normalmente, captar patrocínio é um desafio muito maior para o artista do que conquistar a verba de um edital.

Editais de seleção de projetos com leis de incentivo

Ok, agora complicou. Como assim edital e lei de incentivo tudo misturado?

Empresas muito grandes ou públicas precisam fazer um processo que seja o mais correto e democrático o possível para utilizar as verbas de leis de incentivo. Para tal, abrem um processo de seleção destinado apenas para os projetos já aprovados em outros programas.

À primeira vista, esse processo parece mais complexo e acrescentar ainda um passo na busca do financiamento do seu projeto, mas na verdade é mais fácil obter o patrocínio através de um processo seletivo do que negociando cara a cara com cada empresa.

Além disso, como as empresas que realizam editais seletivos para projetos já aprovados são as maiores (tais como Petrobrás, Correios, Banco do Brasil, Itaú e muitos outros), a verba disponível para projetos também é muuuito maior do que aquela rede de supermercados do seu bairro.

Oportunidades existem, mas não vão cair do céu. Tem que correr atrás. Mas o melhor negócio é correr atrás de todas. Escreva seu projeto e replique em todas as plataformas que encontrar. Se der certo, você vai ter mais verba do que saber o que fazer com ela.