Por Mozart Mesquita
É jornalista da Revista FHOX e diretor da Feira Fotografar. mozart@fhox.com.br

As lições de uma visita ao Facebook

Em Menlo Park, Califórnia, fiz uma visita guiada e a impressão que tive é que as coisas estão bombando!

por Revista FHOX Publicado há 3 anos atrás | por Mozart Mesquita
facebook-visitaKen Wolter / Shutterstock.com

Há muitas especulações sobre o futuro do Facebook. Até o gigante de tecnologia revelar seu resultado do último trimestre, inúmeros “especialistas” afirmavam que a empresa criada por Mark Zuckerberg estaria iniciando o caminho para a irrelevância, pior mal possível para uma empresa de tecnologia, ou envelhecendo sua base de usuários num processo de “tiozificação” da ferramenta que seria evitada pelos “millenniums” (pós-geração y) que fogem de papai e mamãe e desembarcam no Snapchat em busca de privacidade.

Sinceramente, após visitar o Facebook em Menlo Park, Califórnia, guiado pela designer de criação do Instagram, Grace Oda, a impressão que tive é que as coisas estão bombando. Enquanto produzia este texto era divulgado o balanço trimestral do Facebook. A receita total subiu para US$ 5,38 bilhões, com 50% de alta em relação ao mesmo trimestre de 2015, e o lucro atingiu US$ 1,5 bilhão, com sua base de usuários chegando a 1,65 bilhão.

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Mas voltando a minha visita ao suntuoso campus do Facebook. Enquanto caminhava com Grace, ela me explicava que é considerada uma funcionária sênior, embora tenha apenas um ano de casa; mais de 30% dos funcionários da empresa são mais novos que ela. Paramos para aguardar outro grupo de visitantes finalizarem suas selfies junto ao logotipo na entrada do escritório do Instagram (também fiz uma foto lá). Ouvi de Grace que aquele prédio estava com os dias contados, já que o Instagram estava apertado ali e uma nova sede está em construção no próprio campus. O Instagram vai ganhar seu prédio. Pelo nosso tour fomos passando por desde uma oficina de bicicleta (exclusiva dos funcionários), a labs de impressão de cartazes e inúmeros cafés e restaurantes, Grace me contou que outros quatro prédios estão em construção a toque de caixa. “Se você voltar aqui daqui a seis ou sete meses, não vai reconhecer o local.”

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Em seguida pegamos um transporte interno, uma espécie de jardineira moderninha, e fomos para o prédio mais novo do campus, famoso por ter sido concebido pelo estrelado arquiteto Frank Gehry e também por ser o maior escritório aberto do Vale do Silício. Passando por entre centenas de mesas de programadores e engenheiros, Grace me disse que se sentia extremamente feliz em trabalhar lá, que era muito desafiador e estimulante.

Nessa hora me lembrei do palestrante que trouxemos este ano para a Fotografar, o meu amigo Ji Lee, também do Facebook e responsável por fazer Grace me receber. Ele é pai há cerca de um ano e teve quatro meses de licença paternidade. Não precisa ir todo o dia ao escritório e tem liberdade em suas atribuições, o que ele definiu em sua excelente palestra como o “Dream Job”. Inclusive Ji, que vem do Google, tinha essa condição lá. Sua empresa anterior lhe permitia trabalhar duas horas por dia em seus projetos pessoais. Foi o Ji também que comentou comigo, isso no ano passado, que as pessoas precisavam parar de ver o Facebook como rede social. “Não é mais isso faz tempo, somos uma mídia”, afirmou ele, me explicando em seguida os recordes de conexão que haviam sido atingidos em agosto de 2015.

Enfim, não vou entrar no mérito do poder de uma ferramenta que congrega mais gente do que o país mais populoso do mundo e que foi às compras gastando bilhões pelo Instagram e no WhatsApp. Muito já se falou disso. Discutir privacidade também é “chover no molhado”, quem está dentro deveria saber a que está se sujeitando.

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Na minha visão, o que merece reflexão é o êxito que Facebook e Google têm enquanto ferramentas muito inteligentes e complexas, porém absolutamente simples em sua essência, no design e na experiência do usuário. Não produzem nada, apenas organizam uma massa imensurável de informação, fornecida por nós mesmos. Todo o conteúdo de uma forma ou de outra é dado por nós, usuários. E como faturam conosco, e cada vez mais. De forma pulverizada e numa quantidade e índice de crescimento de fazer inveja a qualquer tigre e ao mais voraz dos capitalistas selvagens. Esses caras estão fazendo o negócio do milênio, e nós somos parte fundamental disso. Estamos no olho do furacão de uma enorme mudança na comunicação global e estes são os dois principais agentes. Eles podem deixar de ser amanhã e outras ferramentas virão em seus lugares. Não é uma questão de condenar ou de aprovar, mas de saber como se posicionar nesta nova era, porque vai ser muito difícil que qualquer um, em qualquer área de atuação, não tenha que lidar com ambos e com tantas outras empresas de tecnologia que estão impactando para sempre nossas vidas.

Grace me mostrou ainda um mural repleto de fotos que contam a história do Instagram, olha só: