Blog do Léo
Por Leo Saldanha
É publisher da FHOX e também responsável pela Escola de Negócios FHOX leo@fhox.com.br

A fotografia na África: a venda de experiências e sonhos

Cameraland na Cidade do Cabo e os cases do Sudão do Sul mostram realidades muito distintas do mercado fotográfico africano

por Revista FHOX Publicado há 2 anos atrás | por Leo Saldanha
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Cursos e eventos. A venda de experiência deveria ser obrigatória para lojas de foto e afins – Fotos: Cameraland

Vou começar pela Cameraland. Uma belíssima loja de fotografia na África do Sul. Descobri o case em uma pesquisa para uma apresentação de negócios que fiz recentemente. Trata-se de uma loja do tipo faz tudo: conta com impressão, locação de estúdio, venda de equipamentos  novos e usados, cursos, galeria e até um café. Um perfil de especialista que realmente entende do assunto.

 

A super loja da Cameraland fica na Cidade do Cabo na África do Sul. Um negócio fundado em 1958 que oferece uma boa combinação de produtos, serviços com o melhor preço. A venda de experiência se dá no excelente aproveitamento dos vários andares da loja. Com direito a uma área externa no terceiro andar, lugar onde ocorrem encontros variados.

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Impressão com equipamentos Fujifilm. Fotos: Cameraland

Cameraland enfoca em passeios fotográficos, festas e exposiçõe. Por lá também ocorrem bate-papos sobre fotografia. A grande vantagem da loja física é justamente essa. Da venda de experiências. Do cliente ter contato com os produtos, de poder conversar com um especialista, testar equipamentos e no fim comprar algo. A loja faz pelo menos três workshops por mês com diferentes temáticas fotográficas. A venda de experiências funciona (mas dá mais trabalho).

 

Outro exemplo fascinante é dos estúdios de retrato voltados para famílias no Sudão do Sul. É o caso do Dream Photo Studios. A operação fica em Juba (capital do país). Um estúdio que vende sonhos para pessoas com uma realidade de pobreza e violência de um país que sofre com a guerra civil desde 2013. Conflito que já gerou mais de 4 milhões de refugiados e milhares de mortos. Aqui o case comprova que a fotografia tem o poder de levar (pelo menos por um instante) a vida das pessoas para um lugar melhor. As fotos criadas no set dos estúdios trazem retoques digitais que inserem cenários de outros países e elementos que a pessoa não possui ou uma experiência que não viveram. Pode ser uma viagem para outro país. Uma foto que simula uma visita em Paris é uma das mais pedidas. Nova York, Londres e Rússia também fazem sucesso. Basta poucos cliques no Photoshop e o estúdio entrega a foto da família com o sonho impresso. Um estúdio que vende fotos impressas que materializam a possibilidade de uma vida melhor. Gente que não pode viajar para longe mas que ao menos leva uma lembrança de um lugar que nunca esteve.

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Foto: CSMonitor

O estúdio cobra pouco por cada foto impressa (R$ 2,50). O caso do Dream Photo Studios não é isolado. Outros estúdios daquele país vendem o mesmo serviço de “foto sonho”. O que as pessoas querem são fotografias bonitas de momentos que elas não conseguem viver em uma realidade tão dolorosa. Trata-se de uma grande tradição fotográfica do Sudão do Sul. Mal podia imaginar que existiam estúdios de retrato africanos vendendo um serviço desse tipo. Só na cidade de Juba (capital do sul Sudão) são 100 lojas-estúdio vendendo foto sonhos. Se quiser saber mais e ler sobre o assunto clique aqui. Estúdios de Juba.