Blog do Léo
Por Leo Saldanha
É publisher da FHOX e também responsável pela Escola de Negócios FHOX leo@fhox.com.br

A era da incerteza na fotografia

Um ano de pandemia no Brasil colocou segmentos importantes em um quadro ainda mais desafiador. Entenda como essa nova fase de imprevisibilidade nos afeta e que tudo indica que fará parte da nossa rotina por um bom tempo

por Revista FHOX Publicado há 1 semana atrás | por Leo Saldanha

Stay at home

Dia 24 de fevereiro de 2020. Data que marca a confirmação do primeiro caso de infectado pelo novo coronavírus no Brasil. Um ano depois, qual é a sua avaliação sobre esse período? Essa foi a pergunta que fizemos nas redes sociais em diversos canais da FHOX. Em aberto, praticamente não recebi muitas respostas. Talvez por conta do medo de uma exposição frente aos clientes ou colegas. O fato é que o desafio é grande e tudo indica que vai seguir assim por um bom tempo. Quem aguenta sem faturar depois de tanto tempo? Mesmo para aqueles que tinham caixa, reservas e afins o quadro de aperto no fluxo de caixa para muitos é desesperador.Em off ouvi de vários fotógrafos sobre a nova realidade do mercado. Gente que estabeleceu novo padrão de vida reduzindo custos e o consumo em várias frentes. Ouvi também de gente que encerrou para se recolocar fora da fotografia. 

A pesquisa da FHOX mostra que os fotógrafos e negócios de fotografia estão receosos de investir em equipamentos, por outro lado, os pesquisados indicaram que a busca por  conteúdo (grátis ou pago) será uma constante (guarde essa informação, pois ela é estratégica para todos nós). É justamente aqui que entra um paradoxo recente que chegou com a pandemia. O que funcionava até a chegada da Covid-19 não ficou para trás? Não só quanto aos conteúdos, cursos, congressos e afins, mas também na parte de novas investidas estratégicas. Uma parcela do ramo está em passo de espera enquanto outros testam novos caminhos. A nova fase da fotografia pediu um ajuste e mesmo os entrantes parecem perceber que isso não faz muito sentido. Algo que está acontecendo porque a forma de encontrar e trocar informações agilizou o entendimento dos primeiros passos na fotografia. Bom para quem começa. Não é para menos que nas últimas semanas a FHOX vem sendo abordada com a seguinte pergunta: e aí? o que vai acontecer daqui para a frente? 

Pra mim foi um ano de muito aprendizado e de pouquíssimo crescimento comercial. Esperei que esse dia chegasse pra dizer que foi só um momento, mas ainda estamos presos no grande ano da marmota. chrisbueno_fotografia

woman in black blazer holding black dslr camera

Mercado pausado ou andando de lado? Olhando para o que aconteceu por conta da pandemia, 12 meses depois, vale pbservamos dois importantes mercados fortemente impactados: casamentos e formaturas. Na parte dos casamenteiros o quadro é delicadíssimo. Para se ter uma ideia, passamos de 950 mil casamentos em 2019 para 700 mil em 2020. Essa queda em 250 mil não é pouca coisa. Lembrando que o ajuste dos eventos que ocorreram foi para festas intimistas com pouquíssimos convidados, isso quando foii além do cartório. E agora no começo do ano começaram a aparecer mais desafios. Novas remarcações e sobretudo devoluções mais frequentes. Profissionais do segmento dizem que os processos devem aumentar e que o quadro ficará agudo nos próximos meses. Formaturas passam pela mesma situação. Com colações online e formaturas em modelos híbridos ou com adaptações que inviabilizam a cobertura. Como drive thru e outros. Nesse ponto, o nicho da foto escolar pode oferecer um pouco mais. Sobretudo com o retorno das escolas no ensino fundamental e médio tanto na rede pública como privada. Contudo, ainda aos poucos e isso quando o fotógrafo já pode atuar com os novos protocolos de biossegurança. Nem é preciso dizer que em efeito de cadeia o reflexo disso é sentido por laboratórios, fabricantes de câmeras, revendas e outros setores. 

Minhas Fotografias de Família cresceram muito! Senti como se, pela primeira vez em muitos anos, as famílias olharam para seus lares e desejaram registrar seus momentos. kellysfotografia

two red and yellow owl ceramic figurines

A fotografia social e suas muitas frentes de trabalho foram amplamente atingidas. Dos aniversários, batizados e eventos em geral. Isso você sabe e vê. O que se viu também como opção foram fotógrafos que eram consolidados e atuantes nesse ramo apostando em fotografia de imóveis, produtos, venda de fotos para decoração. Abrindo ainda opções de faturamento fora da fotografia e atuando no mercado pontualmente quando apareceu oportunidade. Outra frente que se abriu foi a da tentativa de cursos online para atender aos próprios colegas. Nesse caso um verdadeiro exercício de malabarismo de ensinar em tempos de crise sem precedentes. “Outro dia vi um anúncio de um fotógrafo vendendo um curso de algo que ele não aplica e que já nem fazia sentido antes da pandemia. Em que realidade ele esta vivendo ou pensa que estamos vivendo” disse um colega experiente que pediu para não ser identificado.. O panorama para os próximos meses mostra-se turvo e “vender melhores práticas” é malabarismo para as referências de mercado. Talvez tenha funcionado nos primeiros seis meses da covid, mas a sensação (notada pelos próprios profissionais) é de que mesmo os “gurus” já não estão conseguindo passar essa imagem de resultados. 

Quebrei… E sem perspectivas de voltar. Thiago Araujo

man in white polo shirt and blue denim jeans holding black dslr camera

O auxílio emergencial da fotografia. O retorno triunfante da foto impressa. A fotografia no papel, quem diria, retornou com força. Ainda não o suficiente a ponto de dizermos que ela faz alguém faturar mais do que ganhava antes da pandemia. Mas ao menos em um patamar que ajudou a pagar contas, sobreviver. Ou como um empreendedor me disse outro dia: a foto no papel foi meu auxílio emergencial nesses meses de pandemia. Dizer que só a foto impressa ajudou seria exagero. Como nossa pesquisa mostrou recentemente, fotógrafos e negócios buscaram alternativas na própria fotografia. O fotógrafo de casamento que foi mais para família. O empreendedor de impressão passou a atender o próprio bairro em condomínios próximos. O estúdio que antes atendia só newborns e gestantes olhou para fotografia de produtos e decoração com fotos. Vi fotógrafos estudando a parte de vídeo e apostando no setor. Uma frente promissora, o vídeo surgiu com força mas não da forma como se poderia imaginar. Com fotógrafos começando a oferecer lives e transmissões desse tipo como parte do cardápio, tanto para profissionais autônomos que precisam compartilhar conteúdo quanto bandas e até para festas de aniversário e casamento que foram transmitidas para familiares. 

Olha, não me considero fotógrafo, mas amo de paixão e queria ter como profissão, essa tão difícil. Sinceramente, o que era um sonho distante, por vários motivos, com toda a certeza, piorou muito para mim, de início esse “isolamento social”, afetou-me muito, deixando-me sem espectativas e fora que minhas crises de Pânico piorou bastante! mas atualmente, as coisas estão voltando ao seu devido lugar, estou erguendo forças, graças a Deus e familiares… E vamos que vamos Ivan Harris (@ivan_harris_0) • Fotos e vídeos do Instagram

woman in white tank top wearing face mask

Gente que entrou na fotografia na pandemia. Sim, muitos empreendedores investiram na área. Não só fotógrafos, mas também gente que viu a possibilidade de faturar vendendo produtos com fotos. Pessoas inclusive que cresceram em faturamento no período, obviamente não representam a maioria no mercado. Outra mudança que chega a ser irônica nesses tempos é de que aquele que tem outro trabalho fora da fotografia se viu com uma segurança extra. Capaz de aguentar e até investir para crescer enquanto colegas sem esse “trampo” não tinham a mesma oportunidade. O fato é que quem entrou no último ano da fotografia já enfrentou a prova de fogo na largada. Caso supere esse período pode encarar qualquer coisa. Pois é aí que entra a pergunta que todos vem se fazendo: até quando vai tudo isso? Tem pessoas crendo que em abril tudo melhora. A maioria crê que esse ano será tão difícil quanto 2020. Melhor uma outra abordagem até que as coisas mudem de fato. Que tal encarar essa nova era como a da incerteza. Os tempos incertos são a única certeza. Fotógrafos e empreendedores que conversei e entrevistas nos últimos 12 meses e nas últimas semanas estão trabalhando com ciclos de dias e não meses. Nem semanas, aliás. Nesse movimento o que se pede é agilidade e resiliência. Testar, ajustar e retomar o que for preciso. Difícil é ver um negócio de foto (de loja a laboratório, do fotógrafo ao impressor) que não tenha apostado em produto para sobreviver.

Nossa, foi e está sendo tão triste que abalou meu prazer em fotografar … 😢 Edna Landin (@edna_landin) • Fotos e vídeos do Instagram

Self isolate if you feel unwell

Os próximos 12 meses podem ser de incerteza, mas é certo que o online será regra e combinado com uma boa dose de algo físico. Seja da entrega à sessão de fotos. Aqui nesse último caso (de cliques) o que vai fazer a diferença é a experiência. Algo que vale inclusive para lojas de foto e estúdios. Para alguém vir até mim, ou que tope algo com a minha fotografia de forma presencial, vai pedir a entrega de experiências únicas. Experiência quer dizer não jargão de uma palavra como valor agregado. O que a experiência na fotografia nessa nova fase representa é mais do que café para os clientes (coisa pouco recomendada em tempos de pandemia) mas sim aquilo que o cliente vai querer para viver com a fotografia. Exemplo: a tendência de poder sair e fazer um ensaio externo e poder fugir do isolamento. Com segurança e seguindo os protocolos. 

O começo foi difícil. Quando a agenda começou a não ter previsão é saber que o ano há,estava chegando ao fim . Foi muito ruim. Amo fotógrafar desde os 9 anos de idade quando ganhei uma Kodak 126 do meu pai com 14 ganhei do meu pai uma Canon 135 hoje não me vejo mais trabalhando para manter as minhas despesas e sim por paixão a eternizar momentos. Pois tudo está muito difícil. Lúcia Constant (@lu_constant) • Fotos e vídeos do Instagram

A resposta no conteúdo – Com mais pessoas competindo no mundo online (que virou regra) o que vai chamar a atenção não é só o visualmente impactante, a distinção virá pelo visualmente construtivo/educativo. Isso quer dizer: me informe, me entretenha. Aliás, parece pouco aproveitada a ideia do entretenimento de marketing. Fotógrafos, lojas, laboratórios e fabricantes terão que pensar nesses conteúdos com mais informação. Do contrário veremos só mais ruído do mesmo de antes da pandemia. Vale lembrar que o consumidor nunca esteve tão mergulhado em telas. Dar motivos para a fotografia e incentivar as experiências. Fazer trocas humanas mesmo que envolva empresa com empresa. E no caso dos fotógrafos o grande desafio será oferecer algo mais com a cara do cliente (do que seu estilo de artista). Pois parece evidente que vídeo e apostas em formatos multimídia vão se destacar ainda mais nesse sentido. 

woman in black and yellow shirt sitting on chair

As tendências tecnológicas foram aceleradas para um comportamento mais online. Com mais compras virtuais, mais convivências digitais e mais relações de negócios híbridas. A fotografia que depende de aglomerações, está pausada e vai seguir assim por sei lá quanto tempo. O que parece razoável é mergulhar de vez nesse movimento híbrido e no “curto-prazismo”. Claro, você pode até nem fazer isso e nesse caso a alternativa é sair desse mercado e fazer outra coisa. Como aliás vi que vários fizeram. 

Tudo mudou. Processo de adaptação perene. Mozart Mesquita

O mercado de cursos foi acelerado na pandemia? já vinha com força antes, mas como ouvi de um empresário, todo mundo agora virou professor. O que é verdade. E aqui retorno para o começo: o que funcionava antes vale como ensino para essa nova fase? Deve ser por isso que não vemos curso com as chamadas: viver da fotografia na pandemia! Essa temática do ensino parece não ter se ajustado à nova realidade (com raras exceções). Quem sabe em 2021 veremos a nova pauta pensada para os desafios realistas de quem não só quer viver da fotografia. 

black camera lens on white and blue textile

A indústria está impactada com números de vendas mais tímidos? Faz sentido essa leitura, por outro lado, marcas de impressoras viram os resultados crescendo em plena pandemia. De profissionais apostando em impressões de grandes formatos de alta qualidade para personalização como parte da oferta para seus negócios. Lá fora até saiu matéria mostrando que o consumo de impressão caseira cresceu em determinados países. O exemplo da Caixa Mágica é ilustrativo. O negócio das fotógrafos com potinhos com fotos vendidas pelo Instagram só cresceu desde que começaram a atuar e foram crescendo na pandemia. Com novas propostas de produtos e ouvindo e criando para os clientes. 

man in black and white polo shirt pouring water on black ceramic mug

A parte macro fora de tudo isso é o reino do imprevisível. Da cotação do dólar aos jogos políticos que nos atingem diretamente. A única certeza, a julgar por Israel e Reino Unido, é de que os efeitos da vacinação em massa é que farão a economia voltar. Embora, de novo, não sabemos como as coisas vão se comportar nos próximos meses e quando a pandemia vai acabar em um país tão sem previsibilidade como o nosso. A única confirmação que temos nesse momento é que estamos de fato vivendo nesta era de incerteza. Logo só nos resta uma coisa: nos adaptarmos como for possível. 

Israel tem se mostrado como exemplo. Um ano depois começa a retomar a economia, com quase 50% da população vacinada. Iara Moribe

stay home, stay safe

O marketing mais humano já era tendência em 2020. O que querem as pessoas quando o assunto é fotografia? Elas querem relembrar bons momentos como viagens, festas, memórias das famílias e dos encontros com amigos. Querem sentir que estão belas ou olhar um ponto de casa com aquela imagem que remete algo bom. Querem me presentear de uma forma muito pessoal. O que mudou para marcas, fotógrafos e todos nós que vivemos da fotografia é passar a entender o outro lado. Das pessoas que consomem em tempos de incerteza. A fotografia não é fundamental na vida das pessoas, as percepções que elas nos causam tem a única chance de reverter isso. usar a foto para relembrar, envaidecer e nos elevar com seu poder emocional. No fim, a verdadeira essência da fotografia aparece como grande oportunidade que também se apresenta para esse momento que estamos vivendo. 

Ps – complete esse documento colaborativo com sua experiência, vivência ou comentário sobre esse último ano de pandemia. Os resultados serão compartilhados aqui nesse post com citando cada participação. Para participar com seu comentário clique aqui: Como foi meu primeiro ano de pandemia? 

 

 

Mercados e tendências muito oportunos para quem vive da fotografia:

  • Fotografia com smartphone
  • Decoração com fotos
  • Presentes personalizados com fotos
  • Fotografia de produtos e pacotes completos de imagem para marcas
  • Fotografia de família 
  • Vídeo com transmissão de lives
  • Vídeos imersivos 
  • Drone 
  • Fotógrafo de experiências em redes sociais
  • Fotografia autoral em projetos especiais únicos
  • Retratos
  • Infoprodutos e conteúdos pensados para essa nova fase da fotografia
  • Eventos online com proposta realmente diferenciadas
  • Comunidades e grupos de estudo online
  • Plataformas online com serviço inovadores para fotógrafos
  • Serviços com foco em impressão a partir apps
  • Venda e atendimento ao vivo para serviços de fotografia
  • Venda de experiências fotográficas

 

10 mercados e tendências que oferecem desafios para quem vive da fotografia: 

  • Fotografia de casamento 
  • Fotografia de formatura e foto escolar
  • Fotocabine
  • loja de foto do tipo “mais do mesmo” e sem presença
  • Estúdio fotográfico sem diferenciação e sem oferta de experiência
  • Fotógrafo de eventos/shows
  • Fotógrafo que só aposta na fotografia digital
  • Congressos presenciais de fotografia
  • Workshops presenciais de fotografia
  • Negócios de foto sem presença online e propostas de valor para esse ambiente
  • Cursos online do tipo que ignoram a pandemia

Leia também: Não é você que precisa de produtos! | FHOX