Por Sala de Fotografia
Liliane Giordano e Sabrina Didoné, fotógrafa e mestre em educação e jornalista, “um dia se encontraram sem querer e conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer” – quer dizer – conversaram muito sobre a Sala de Fotografia, onde viriam a desenvolver muitos projetos juntas. Além de produzir muito conteúdo sobre o universo da fotografia, também vivem o mundo sobre o qual escrevem, inseridas nos processos fotográficos e de educação visual. Afinal, acompanham na escola de fotografia o desenvolvimento de alunos e de profissionais desde sua iniciação fotográfica aos mais avançados projetos de livros e exposições. Juntas, unem a trajetória acadêmica e poética de Liliane, com a dinâmica da escrita de Sabrina.

A educação visual e os meios de aproximação do mundo

Ao valorizar a fotografia na educação visual, promove-se o conhecimento enquanto linguagem artística. Ao fotografar é preciso conhecer o objeto, o que envolve diversos saberes.

por Revista FHOX Publicado há 3 meses atrás | por Sala de Fotografia

Os seres humanos, em sua maioria, têm em seu âmago o amor pelo conhecimento, e pela sua difusão. Assim, gostamos de ensinar, mas também amamos aprender.

E qualquer conhecimento é válido, tudo o que captamos pelo mundo, seja apenas para diversão, curiosidade ou currículo. Afinal, tudo conta, tudo inspira, e nunca sabemos o que aprender algo vai nos revelar ou aonde isto vai nos conduzir. Não só, mas além: é pelo prazer do saber para algo a mais do que a lógica utilitarista.

Não é para colocar no currículo, é por se interessar, por curiosidade. E, como vimos em uma frase de uma livraria no Uruguai, oriunda de Dorothy Parker: “o tédio se cura com a curiosidade. A curiosidade não se cura com nada”.

Foto: Liliane Giordano

Atualmente a educação está muito fragmentada e utilitarista. Fragmentada, pois está cada vez mais especializada. Contudo, ao se especializar, não deveríamos perder a visão do todo, mas sim transitar por diversas áreas do conhecimento.

utilitarista, pois está nas mãos do mercado. Neste momento, é importante repensar o propósito da educação: ela deve servir apenas para suprir uma necessidade de mercado profissional? Ou deve ensinar também aspectos práticos, éticos e filosóficos da existência?

A finalidade da educação deve ser parte da evolução do ser humano, não limitando-o a uma carreira profissional, a um currículo. O fazer artístico é essencial para que as pessoas exercitem sua capacidade de criação e a leitura propícia à compreensão do universo imagético. Com o desenvolvimento dessa capacidade de reflexão, aprimora-se um sistema de pensamento crítico, possibilitando um conhecimento abrangente de si mesmo e dos outros.

A educação torna-se mais valiosa quando considera o contexto histórico, social, antropológico em que estamos inseridos. Percebe-se que a educação não-formal funciona como um meio complementar ao da escola, objetivando suprir lacunas que o ensino formal não consegue atender.

Ao valorizar a fotografia na educação visual, promove-se o conhecimento enquanto linguagem artística. Ao fotografar é preciso conhecer o objeto, o que envolve diversos saberes. Ainda, no ato da captura da imagem, possibilita a construção de valores e princípios solidificados na teoria e na prática. Pode-se dizer que a fotografia é um meio que humaniza, pois quando o sujeito relaciona-se com o objeto a ser fotografado, ele passa a ter um vínculo de afeto, sentir emoções e sensibilizar-se com o ambiente.

A fotografia e a educação visual também são meios de se aproximar do mundo, de reconhecer o seu espaço, aguçar a curiosidade, olhar mais atentamente a tudo o que nos envolve no cotidiano. É um meio, enfim, para escapar do tédio, exercitando as possibilidades do criar e refletir.