Blog do Léo
Por Leo Saldanha
É publisher da FHOX e também responsável pela Escola de Negócios FHOX leo@fhox.com.br

200 milhões de câmeras nos bolsos dos brasileiros

O impacto dessa notícia vai acelerar transformações em todos os setores da fotografia

por Revista FHOX Publicado há 2 anos atrás | por Leo Saldanha

A informação foi destaque nos principais meios de comunicação nessa última semana.

A base instalada de smartphones no Brasil vai bater em 200 milhões de usuários até outubro e deve chegar em 208 milhões até o fim do ano.  Em três anos teremos 236 milhões de aparelhos!!! Uma das matérias que eu li (Estado de SP) diz que smartphone é símbolo de status e que muitos preferem usar o aparelho do que desktops e tablets. Isso quer dizer câmera para todo mundo. Desde aquelas bem simples até as mais sofisticadas. Todas, (absolutamente todas!) com qualidade para impressão.

O impacto disso já é sentido por aí.

No varejo…

O varejo como um todo passa por uma grande transformação. Esse post de Caio Camargo (grande especialista no assunto) traz informações relevantes que comprovam isso. E para o ramo fotográfico existem grandes oportunidades combinados com muitos desafios. Vamos a eles…

A primeira notícia que vi e que me fez refletir diz que os jovens estão indo mais nas lojas para consumir. Mas a forma como ele consomem me surpreendeu. Ele pesquisa na internet, passa na loja e olha os preços no local e no smartphone. Para eles não existe diferença entre on-line e off. Eles querem consumir combinando os elementos e gostam de visitar lojas. Alguma dúvida de que esse consumidor usa smartphone o tempo todo?

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Exame, edição recente!

Da minha parte a conclusão é simples: existe muito espaço para a loja física. O desafio é saber equilibrar ofertas on-line e ter a proposta clara de experiência. E é justamente isso o que esses jovens querem! A experiência física, presencial e o contato com especialista. Só não esqueça que eles continuam conectados.

E na loja de foto? primeiro precisamos relembrar que aquelas que vão bem são as que oferecem mais serviços (estúdio, reportagem e cursos). Fazem comunicação visual, molduraria e vendem outros produtos. Como fotopresentes criativos. Na ponta da impressão do consumidor final, a maior parte do consumo vem dos smartphones. De 70% a 80% é do “albinho digital” que está no bolso. Quantas fotos você tem aí no seu smartphone que não foram impressas ou estão sem back up? Existem duas abordagens que já vi por aí…uma que vai para a campanha do medo: imprima suas fotos ou vai ficar sem memórias. E outra do tipo: sabemos tudo sobre fotografia, temos produtos diferenciados e vamos te ajudar a manter sua história da melhor forma possível.

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Todo mundo com câmera meu amigo. Como você lida com isso? Estadão dessa semana.

Agora vamos pensar: Quantas fotos esses milhões de brasileiros com câmera vão clicar todos os dias? Quantas eles considerariam imprimir e pagariam quanto por elas? Eles sabem que dá para colocar no papel? Eles querem um app ou preferem um serviço distinto via internet ou querem simplesmente passar na loja? eles vão pensar que não precisam de fotógrafo pois todo mundo tem uma câmera no bolso? E não para por aí:

– Quantos serviços ou apps de impressão batem no smartphone? Quantos com proposta realmente atraente e com um produto diferenciado?

Resposta: a resposta…são pouquíssimos.

– Como as lojas de foto estão encarando esse cliente? E como criar um relacionamento novo usando site, redes sociais para gerar mais fotos impressas?

A resposta assustadora: venda passiva. Loja sem tecnologia rápida e fácil para dar saída nas fotos. Sem wifi. Sem experiência na venda.

A situação do varejo como um todo não é das mais simples. O varejo de massa passa por uma crise de identidade. Grandes redes norte-americanas como Macys, Sears, Target, Walmart, JCPenney e outras anunciaram fechamento de centenas de unidades. Shopping Centers aqui e lá fora estão com espaços vagos, custos elevados e baixo índice de consumo. O cliente acha serviços e produtos similares na internet e esse comportamento acelerou com muita força nos Estados Unidos nos últimos meses. No Brasil grandes redes de varejo reveem estratégias e os hipermercados também fecharam unidades e encolheram projetos. Aí vem algo curioso…um esboço de resposta da onde menos a gente esperaria. A Amazon, o maior varejo on-line do mundo, disse que vai abrir lojas físicas e investir pesado com centenas de lojas naquele país. Lembrando que a Amazon também entrou com força no serviço de impressão mostrando que para eles a fotografia impressa tem seu valor. Será que o cliente vai poder buscar ou pedir fotos nessas novas lojas físicas?

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A Apple mudou o conceito das novas Apple Store, a começar por algumas unidades dos Estados Unidos. A Fotografia é parte importante do negócio. Com direito a fotógrafos atendentes…workshops, área de exposição e encontros com Instagramers para falar de criação com os produtos Apple. Nessa semana a empresa anunciou que vai vender drones de selfie inteligentes tanto pelo site quanto nas lojas.

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A Apple contratou uma executiva para tocar esse projeto mundial das lojas de rede…Angela Ahrendts vem com a bagagem da marca de luxo para a nova missão como vice-presidente de varejo da Apple. Ela chegou com  proposta da venda de experiência, dos especialistas. Quando a gente (e aqueles jovens do início do texto) vão em uma loja, esperam encontrar justamente isso. Alguém que entenda muito do assunto, em um espaço encantador onde eu possa testar e comprar. Mas pra que falar tanto desse case. Simples, a Apple tem o metro quadrado de varejo mais rentável do mundo. Existe exemplo melhor?

Nas últimas semanas e meses, recebemos e-mails de novos lojistas ou gente que está abrindo um segundo espaço de varejo. Em diferentes regiões do Brasil. Reforma para oferecer mais conforto e experiências para os consumidores da fotografia. Vemos novas propostas de franquia de estúdio e de estúdios voltados para retratos de famílias, crianças e mulheres. Muitos desses estúdios também investem em serviços de impressão na hora. Porque assim ajudam a reduzir custos e criam uma relação de oferta completa para os clientes que chegam para fotografar.

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Ação na loja da World View em São Paulo. Referência no ramo

 

Lembro do exemplo da World View que oferece a proposta de especialista com diversos setores dentro da própria empresa, inclusive com impressão. Curiosamente a empresa tem presença consistente na internet. Segue firme e de forma acertada nos passos da B&H e da Adorama nos Estados Unidos. As duas marcas gringas entregam o ciclo completo do site ao espaço físico. Com direita a palestras nas lojas ou on-line. Quem visita esses negócios sabe que será atendido por quem entende do assunto. Olho no olho insuperável.

B&H

Venda de experiência é o diferencial. Seja para loja de foto, estúdio ou fotógrafo de casamento. Quem está bem oferece. No caso das lojas de foto a oferta surge na forma de cursos de fotografia, realizam eventos e trabalham de forma consultiva. Essa é a força do varejo, mas nada impede de terem um site bacana que acompanhe esse estilo “consultor” só que no ambiente virtual. Estúdios e fotógrafos de casamento investem em branding. Na experiência da marca e valorizam cada vez mais os produtos que oferecem (álbum de casamento, por exemplo). No caso dos serviços dos fotógrafos, eu entendo por experiência tudo o que o profissional faz: do primeiro email até a entrega do álbum. Na hora da cobertura ao pós-venda.

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Voltando para os 200 milhões de brasileiros com câmeras. Esse dado é super importante. Gente com acesso a internet e que vai clicar cada vez mais. Não é à toa que o Instagram anunciou a nova marca de 45 milhões de brasileiros dentro da ferramenta. Não é a toa que um dos fundadores (o brasileiro Mike Krieger) veio ao Brasil para estimular a marca por aqui. Veja que curioso, nosso mercado em crise de identidade não só no varejo, mas também na mentalidade geral de fotógrafos e afins. De que fotografia não tem valor. Enquanto isso as marcas mais valiosas do mundo veem justamente o contrário e estão evoluindo as opções com a câmera e a fotografia no centro de suas estratégias. O Facebook anunciou nessa semana que a “câmera é parte central de uma revolução que envolve realidade aumentada”. O Snapchat já se diz fabricante de câmeras.

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A valorização da fotografia em todos os segmentos. Do autoral, ao fotógrafo de casamento, passando por estúdio, empresa de foto de formatura e a loja de foto…tudo envolve a fotografia impressa (se você não acredita nisso está no negócio errado). No fim somos agentes dessa valorização. Não tenha nenhuma dúvida nesse ponto: ninguém vai acreditar na foto no papel se quem atua no ramo não fizer esse trabalho.  O potencial de impressão (e o valor cobrado) vai depender só da gente. Podemos encarar que esses 200 milhões de câmeras vão acabar com as fotos no papel e banalizar de vez o mercado fotográfico. Se você se preocupa é legítimo. Se você não acredita mais na nossa importância é uma pena. Precisamos entender de uma vez por todas que essa missão é nossa…de imprimir e de tudo que pode ser feito com fotografia. Isso vale para o fotógrafo, o empreendedor, lojista e a indústria.

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Enfim, daqui a pouco teremos 200 milhões de colegas com câmeras. A grande maioria não domina nada do assunto. Ou seja, entenda de uma vez por todas que essa é uma enorme oportunidade e quem dita os rumos do ramo somos nós. Os verdadeiros mestres da fotografia.