Família 4 semanas atrás

O talento de Gabi Marques na fotografia de partos

Fotógrafa mineira recomeçou sua carreira a menos de um ano e mostrou grandes resultados internacionais, mesmo fora dos grandes centros

por Revista FHOX

A história da fotógrafa Gabi Marques, natural da cidade de Matipó, interior de Minas Gerais é uma daquelas para a gente se inspirar. Há uma década atrás ela se mudou para Montes Claros, para cursar Administração. Em 2012, após se formar, começou um projeto de um estúdio fotográfico. Por cinco anos fui fotógrafa e sócia desse estúdio, passei pela fotografia em estúdio, de produto, família, casamento e até mesmo formatura. Em 2017 eu me via muito mais como empresária do que fotógrafa e foi ai que decidi mudar minha vida, vendi minha cota na sociedade e início de 2018 recomecei do zero“. Certamente uma atitude bem corajosa.

Buscando um trabalho mais autoral, Gabi foi atrás do que realmente queria. “Foi participando de congressos e workshops na área de casamento que a fotografia de parto surgiu na minha vida. Hoje, 11 meses após meu primeiro parto, já é minha especialidade e meu foco enquanto fotógrafa”.

Toda essa carreira de sucesso Gabi montou sem sair de Montes Claros. Fora dos grandes eixos comerciais, entrar na fotografia autoral é um desafio, mas ao mesmo tempo uma grande oportunidade afirma. “A cultura de fotografar nascimentos não existia na cidade, eu trouxe a fotografia de parto para Montes Claros e há quase um ano venho tentando criar essa cultura e ser algo de rotina, como é o caso da fotografia newborn”.

Porém o acesso à congressos, feiras e workshops é totalmente inexistente, o que me cria a necessidade de viajar e ter impasses com minha agenda. Em contrapartida nunca acreditei que por morar em uma cidade quase interiorana eu não pudesse crescer e ter um reconhecimento além das fronteiras regionais”. E de fato esse reconhecimento foi muito além. Gabi conta com trabalhos premiados na FPJA (Family Photojournalist Association), Inspiration Photographers e Plataforma Amarelos.

Falando dessas conquistas, um retrato em especial foi premiado pela DFA (Documentary Family Awards) e estará presente em uma exibição na Storytellers Conference, em Miami, durante o mês de Maio. Uma foto de certa forma simples, mas que chama muito a atenção.

“A imagem é da mamãe Elisy Pimenta, logo após o nascimento do Miguel. Foi um parto normal incrível, na banqueta obstétrica, e tudo ocorreu muito bem. O Miguel já estava sendo trocado, após fazer os procedimentos básicos de pesagem e medição. A Elisy se levantou, caminhou até a cama e se sentou. Eu estava fotografando o bebê, quando por milésimos de segundos percebi que ela cruzou as pernas e começou a usar o celular, tudo de maneira muito leve e plena. Fiz a imagem em poucos segundos e foi uma das últimas daquele dia“. Gabi complementa quesempre foco em dizer que as grande fotos estão nos momentos simples, quando enxergamos além do óbvio”.

Gabi finalizou falando sobre a premiação e sua participação na exposição. Comentou que mal acreditou na notícia quando recebeu o e-mail da organização. Com tanto destaque, perguntamos o que ela acha que sua fotografia tem de especial para chamar tanta atenção. Ela afirma que é difícil definir seu próprio trabalho, mas acredita no poder de emocionar as pessoas e na simplicidade. As pessoas estão carentes de serem vistas e percebidas, e esse é meu maior comprometimento com cada família”.

Partos

Sendo a fotografia de partos a especialidade de Gabi Marques, conversamos um pouco sobre como ela desempenha o seu trabalho. Começamos falando sobre como lidar com um evento no qual o fotógrafo praticamente não tem controle do que pode acontecer. Gabi afirma que, em uma situação dessa, o profissional só pode controlar seu equipamento, sua movimentação e seu olhar, o mais importante.

“Tudo isso deve ser observado o tempo todo, pois as melhores fotos estão na simplicidade da troca de olhares, nos momentos que parecem muito óbvios, e eu acredito que para conseguir boas fotos seja isso: observar a simplicidade e enxergar além do óbvio. Estar atento a todos os cuidados que os ambientes exigem, saber os locais que não podem ser tocados, por risco de contaminação, não fazer muitos movimentos, para não atrapalhar a equipe médica, ou incomodar a família em um momento tão íntimo”.

E qual a importância disso tudo? Gabi fala que independente da família, todos os nascimentos são cercados de sentimentos: a espera, ansiedade, expectativa, medo, tudo isso junto. Isso faz os pais ficarem imersos nessa nova experiência, independente de ser ou não o primeiro filho.

“Ter um profissional que esteja ali observando e registrando tudo, de forma documental e com sensibilidade, traz a certeza que aquele momento nunca será esquecido. Por duas vezes recebi o feedback de que as fotos fizeram as mães se emocionar muito mais do que no próprio dia do nascimento. E eu acredito que isso tenha a ver com a percepção do todo, que não existe no momento do parto”.

Para Gabi, o mais importante de tudo desses registros está no futuro. Quando os bebês crescerem e começarem a conhecer sua própria história do instante do nascimento, de forma visual e também por áudio, pois a fotógrafa também faz questão de capturar o primeiro choro da criança.