7 meses atrás

Pedro de Paula retrata o Cambinda Brasileira em série fotográfica

por Revista FHOX

O fotógrafo Pedro de Paula, de 30 anos, trabalha como repórter fotográfico desde 2014. Ele escreveu para Você na FHOX para compartilhar conosco sobre um ensaio fotográfico que produziu na cidade de Nazaré da Mata, em Pernambuco. Um trabalho que retrata a rica cultura regional e nos mostra a beleza do Cambinda Brasileira, o maracatu rural mais antigo do Brasil.

Vale a pena conferir!

Texto e fotos por Pedro de Paula:

Fiz com um grupo de amigos também fotógrafos, uma visita ao maracatu rural do interior Pernambucano. Escolhemos o domingo de carnaval, 11 de março, e fomos a um engenho afastado do Centro da cidade de Nazaré da Mata; e assim realizei o desejo que carreguei durante um bom tempo; que era poder fotografar o Cambinda.

O Cambinda Brasileira é o maracatu rural mais antigo em atividade no País, em 5 de janeiro deste ano (2018), o Cambinda Brasileira de Baque Solto (rural) completou um século de história ininterrupto. Criado numa conversa informal por guerreiros trabalhadores canavieiros do Engenho Cumbe, que fica na cidade de Nazaré da Mata-PE, e legitimado no dia 05 de Janeiro de 1918 por um senhor muito conhecido da região que tinha por nome João Padre.

O município de Nazaré da Mata, conhecido também como “A Terra dos Maracatus” a 69 km da capital Recife, fica na região chamada de Mata Norte do estado de Pernambuco, onde está localizado o Engenho que nasceu o Cambinda, único com sede em área rural.

Vários pesquisadores admitem de forma unânime que o maracatu é a mistura das culturas africana e indígena; já outros, acreditam que é o resultado de manifestações populares – cambinadas, bumba-meu-boi, cavalo-marinho, coroação dos reis negros, caboclinhos, folia de Reis – existentes no interior de Pernambuco.

Leia sobre outro trabalho de Pedro aqui.

Dentre as figuras tradicionais da festa o cabloco de lança é uma das figuras mais emblemáticas e importantes do maracatu rural e do carnaval de rua pernambucano; é conhecido tanto por sua indumentária cheia de cores e brilho, mas também pelos mistérios que carregam.

Sua gola coberta por lantejoulas, chapéu com fitas coloridas lembrando a juba de leão, chocalhos pendurados ás costas, óculos escuros, lenço no pescoço, calça folgada com franjas e desenho de flores, flor de cravo na boca e uma lança nas mãos. Esse é o caboclo de lança andando solitariamente ou em grupo pelas ruas da cidade ou estradas que cortam os engenhos a fora, chamado de guerreiro protetor do maracatu rural.

Já o nome Cambinda vem de um pequeno peixe, pelo fato de que em 1918 o município passou por uma grande crise e a alternativa de subsistência era a pesca; com as tarrafas cheias deste peixe, o nome ficou associado á festa.

O engenho Cumbe é onde tudo começou. Em dias de folga dos trabalhadores rurais, a proprietária do engenho Dona Rosinha permitia que “a brincadeira do maracatu” acontecesse na casa grande, com uma banda formada por instrumentos de percussão e sopro juntamente com os Mestres do apito criando suas melodias e versos improvisados; os mestres só cantam quando a banda para de tocar. Hoje o Cambinda tem no jovem mestre Anderson Miguel, seu principal comandante. Aos 22 anos, Anderson que também é Cirandeiro é o principal símbolo de renovação do Maracatu Rural.

Outros personagens que fazem o maracatu rural de baque solto:

Baiana – Bandeirista – catita – Mestre do apito – Rainha – Rei – terno – Dama do paço – Arreiamá – mateus e catirina.

Para conhecer mais do trabalho de Pedro Paulo, acesse: pedrodepaulafoto.wixsite.com/pedrodepaulafoto

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