1 mês atrás

A fotografia noturna e iluminada de Rafael Martins

Conheça as possibilidades que a brincadeira com luz traz para as composições do fotógrafo

por Revista FHOX

Se para alguns fotografar exige muita luz, para Rafael Martins, 29, é o escuro que dá a base e o encanto de seus trabalhos. Filho de Marco Aurélio Martins, fotojornalista baiano, antropólogo e professor, Rafael nasceu em Salvador, mas atualmente vive em Recife.

Com um portfólio repleto de imagens que equilibram luz e nitidez, o fotógrafo conta que teve o privilégio de conhecer o universo da imagem ainda muito cedo.

“A fotografia estava na minha casa o tempo todo. Eu tinha direito a estúdio de fotografia e laboratório preto e branco. Um sonho mesmo. Além disso, ver o meu pai trabalhando sempre foi meio fascinante. Gostava do clima, do cheiro das coisas, do aconchego daqueles espaços escuros. Acho que essa tranquilidade que o escuro me traz acabou sugerindo também a  escolha pela fotografia noturna”, conta.

Rafael Martins
Foto: Beatriz Viana

Especialista em registros feitos na noite, o fotógrafo conta que é na ausência da claridade que surgem as possibilidades de fazer suas imagens. Ele compõe cenas com luzes, objetos e pessoas deixando que as informações se somem-se a longa exposição para a captura.

Desde 2013, Martins vem trabalhando na série Alumiar, que já foi exposta em Fortaleza e São Paulo, e faz parte do acervo do Espaço baiano de fotografia Pierre Verger. Em 2013 o fotógrafo venceu o prêmio de fotografia da ONU sobre mudanças climáticas na América Latina e em 2014, realizou a exposição “Vagalumes”, também sobre fotografia noturna, na sala de arte da UFBA.

“Alumiar foi mesmo uma viagem pessoal em busca de um sertão que eu não conhecia. Foi um espaço para conhecer pessoas, inventar fotografias e aprender mais com o silêncio. Continuo fotografando para Alumiar…Gosto de ter alguém comigo durante as fotos, mas acabo fazendo muitas vezes sozinho também”, explica.

Foi por causa da técnica light painting que ele passou a se interessar pelo modo de fotografar. Hoje, ele enxerga a fotografia noturna como qualquer outro campo na fotografia, assim como fotojornalismo e fotografia de casamento.

“Tem muito o que se explorar. E também há possibilidade de diferentes usos e empregos possíveis das técnicas apreendidas. É uma fotografia que exige muito conhecimento técnico. Ou melhor, todos os campos exigem especificamente algum conhecimento. E a fotografia noturna é igual”, relata.

Rafael Martins
Foto: Rafael Martins

O fotógrafo explica que para fazer a fotografia noturna é fundamental usar bom tripé e um disparador no modo bulb. Além disso, é preciso vestir roupas escuras e sempre ter o cuidado em perceber que quem precisa ver a iluminação é o sensor, então você não pode ficar entre a iluminação da lanterna e a câmera.

Outra coisa importante que o fotógrafo destaca é que é preciso ter lanternas com temperaturas de branco diferentes. Além disso, há uma lista de itens de configuração que podem otimizar bastante o trabalho na hora de fotografar.

É preciso ter paciência, saber esperar, pois a fotografia noturna é lenta. Tem outro tempo de elaboração. E coisas como focar, enquadrar e reduzir ruído pode tomar bastante do tempo. Precisam ser feitas com atenção, senão compromete totalmente o resultado.

“Eu voltava de cada noite com uma média de 10 a 15 fotos. Mas havia trabalhado mesmo em cinco cenas no máximo. Quando comecei a fotografar Alumiar eu já tinha aprendido muito da dinâmica do fotografar à noite e pude me concentrar mais nas pessoas e nestes encontros que a fotografia proporciona. Afinal, é o que ela tem de melhor”, finaliza.

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