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Um relato visual para o futuro: dez fotógrafos dialogam por imagens durante a pandemia

Gui Merlino

Durante a pandemia de Covid-19, um curador e um grupo de fotógrafos em diferentes cantos do mundo se reuniram semanalmente para criar um modo de comunicação usando a fotografia como elemento principal. O resultado dessa narrativa visual está no livro Prosa Fotográfica, publicação realizada por financiamento coletivo com curadoria de Renato Negrão, professor, fotógrafo e artista visual. O livro registra a narrativa por imagens realizada nos três meses de reclusão no início da pandemia.

“Mais do que o livro propriamente, a troca e a rede de afeto e apoio que se construiu num momento histórico tão radical de isolamento e solidão são o que mais nos ativeram”, diz Negrão.

Fernanda Fernandes

A ideia surgiu nos encontros semanais virtuais de estudo de poéticas visuais e fotografia contemporânea. Baseado na exposição Talking Pictures: Camera-Phone Conversations Between Artists, que esteve em cartaz no Metropolitan Museum em 2017, Renato propôs ao grupo uma comunicação do ponto de vista visual. A construção de diálogos começava com o envio de uma imagem para o outro, que podia ser inédita ou de acervo individual. O primeiro recebia a resposta do segundo e enviava a um terceiro, que respondia sem ter visto a imagem inicial. O começo da conversa, batizada de “aquecimento produtivo”, não partiu de um tema específico: Renato sorteou a primeira pessoa e deixou que ela escolhesse a imagem para passar para a segunda responder com uma imagem interpretativa e passar para a terceira. A prosa fluiu, ganhou diálogos potentes e fez com que todos se envolvessem.

Vera Resende

O segundo ensaio ou capítulo é sobre o corpo, respondendo a uma questão levantada pelo grupo: por que o corpo nu ainda incomoda? O terceiro ensaio/capítulo teve como mote a discussão em torno do valor da arte. O quarto e último foi sobre a fúria. Renato pediu aos participantes que mandassem por WhatsApp uma palavra que podia ser um sentimento, uma vontade ou uma sensação. Todas as dez palavras foram escritas em pedacinhos de papel e pela plataforma digital Zoom foi realizado um sorteio virtual com todos presentes.

Liana Azevedo

“A fúria de cada um saiu do aprisionamento, todos acharam um jeito de expressar os conflitos e compartilhar a dor, a solidão, a exaustão gerada pelo isolamento”, completa Negrão. Reafirmo que, mais do que o livro, feito em tempo recorde, a experiência humana, a troca usando a fotografia como ferramenta nos salvaram minimamente desse momento terrível e angustiante e nos colocaram em ação coletiva”, finaliza.

Malu Mesquita

O livro será distribuído gratuitamente para instituições culturais públicas e privadas e alguns exemplares serão disponibilizados para venda pelo Instagram @renatonegrao.

Fotógrafos participantes: Claudia Acorinte Costa, Douglas Almeida, Fernanda Fernandes, Giancarlo Ceccon, Gui Merlino, Liana Azevedo, Malu Mesquita, Márcia Celjar, Paulo Henrique Cruz e Vera Resende.