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Exposição “São Paulo: Sinfonia de Uma Metrópole” pode ser conferida na Fiesp

Exposição comemorativa dos 464 anos da capital paulista resgata a fotografia de Theodor Preising na Fiesp a partir de amanhã.

por Revista FHOX

Da Redação

Um nome pouco lembrado nas aulas de história da fotografia brasileira é o de Theodor Preising, o primeiro a introduzir câmeras de pequeno formato para reportagem por aqui. Também registrou as principais cidades brasileiras para cartões postais e percorreu os campos agrícolas do Paraná e São Paulo para documentar culturas como café, algodão, entre outras.

Para resgatar essa dívida, o pesquisador, curador independente de fotografia e diretor da Faculdade de Comunicação da FAAP, Rubens Fernandes Junior, se debruçou sobre o acervo do fotógrafo alemão para a inédita exposição “São Paulo: Sinfonia de Uma Metrópole”, com concepção da Brazimage, que chega ao Centro Cultural Fiesp em 25 de janeiro.

Pode-se dizer que a frase que ouvimos com frequência sobre São Paulo é que essa cidade é de todo mundo. É verdade, embora muitas vezes também passe uma imagem de que não é de ninguém, tamanha a pressa e o desapego de muitos que vêm para cá só para “ganhar dinheiro ou pagar as contas”. A maior metrópole da América Latina reúne todas as culturas.

A maior colônia fora do Japão fica aqui, no bairro da Liberdade. E a de italianos é uma das maiores do mundo fora da Itália. Na verdade, temos gente de todos os estados e mais 90 nacionalidades (150 mil estrangeiros vivem na cidade só a trabalho). Com larga oferta cultural e gastronômica (15 mil bares, 12 mil restaurantes e 1 milhão de pizzas consumidas por dia), temos, sim, sempre muito trabalho.

O livro “Santos – Histórias e Encantos” será lançado no dia do aniversário da cidade, 26/01.

O mais curioso é ver justamente um trabalho que mostra o nascimento de tudo isso. As fotos do alemão Theodor Preising (1883-1962) trazem os primórdios de uma São Paulo que já tinha vocação para a grandeza. É algo que é facilmente notado nos mais de 60 cliques de Preising na exposição. São fotografias em preto e branco feitas entre 1925 e 1940. Produção do fotógrafo alemão para revistas e cartões postais da época.

Praça do Patriarca. (Foto: Theodor Preising)
Carnaval na Av. São João em 1936. (Foto: Theodor Preising)
Cultura de Café – Colheita.(Foto: Theodor Preising)
Imigrantes Asiáticos Porto Santos. (Foto: Theodor Preising)
Imigrantes europeus navio. (Theodor Preising)
Imigrantes europeus navio. (Theodor Preising)

São 61 imagens em preto e branco, do período de 1925 e 1940, que sintetizam o fervor de São Paulo em se tornar uma grande metrópole. Ainda trechos do documentário cinematográfico “São Paulo, sinfonia da metrópole”, que inspirou o título da mostra, exibem justamente a entrada da cidade na modernidade. A produção foi filmada em 1929 e é um documentário sobre a modernidade e o pioneirismo da capital paulista. Na parte fotográfica, registros importantes e históricos da chegada dos imigrantes, a passagem do dirigível Zeppelin e a rotina de lazer em um tempo em que São Paulo parecia mais romântica e ingênua.

Imigrantes Asiáticos Porto Santos. (Foto: Theodor Preising)
Rua XV de Novembro.(Foto: Theodor Preising)

No fim, a rotina de Preising pode até ser imaginada e não difere tanto assim do que os fotógrafos fazem até hoje aqui. Percorrer as ruas e ser surpreendido pelas movimentações de pedestres e as imponentes construções. O caos e o inesperado fazem parte do roteiro diário para quem viva em São Paulo. Sair pelas ruas paulistanas parece que sempre teve esse caráter de uma sinfonia de imagens. A diferença é que Preising revelava as fotos em seu laboratório próprio enquanto (quase todos) os fotógrafos de hoje clicam e publicam as fotos em tempo real. Tecnologias e plataformas à parte, a inquietação de fotografar São Paulo (seja ela pequena ou gigantesca) segue a mesma.

Obviamente, as diferenças e os contrastes hoje são incomparáveis. Basta lembrar que em 1920 (quando Preising começou sua série por aqui) São Paulo tinha pouco mais de 500 mil habitantes. Em 1940 menos de 1,5 milhões. Hoje são 11 milhões só contando a região metropolitana. E só na rua 25 de março passam 400 mil pessoas diariamente.

Naquele tempo eram bondinhos e hoje temos mais de 150 mil motoboys zanzando por toda a parte. Sobre Preising, talvez outro ponto  interessante seja notar que ele também trazia o tino comercial muito característico aos paulistanos. Tinha laboratório fotográfico e vendia câmeras, álbuns e cartões postais. Outra curiosidade é que com o início da Segunda Guerra Mundial, ele foi proibido (assim como outros estrangeiros do eixo Alemanha, Itália e Japão) de fotografar cenas externas urbanas no Brasil e passou a clicar a cena rural e por lá faturou bem para fazendeiros de algodão e café.

O arquivo de Preising conta hoje com 14 mil negativos que pertencem ao bisneto Douglas R. Aptekmann. Enfim, as fotos do alemão fazem parte da história da cidade e sua trajetória se confunde com perfil multicultural e o espírito cosmopolita de Sampa.

São Paulo: Sinfonia de uma Metrópole ficará na Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp até 25 de março de 2018, com entrada gratuita.

Preising (1883-1962) teve uma trajetória de vida pouco comum. Natural de Hildesheim, participou da Primeira Guerra Mundial como fotógrafo. De volta do conflito, foi para a Argentina onde pretendia se estabelecer, mas desistiu e migrou para o Brasil em 1923. Uma de suas primeiras iniciativas comerciais por aqui foi montar um estande no Grande Hotel no Guarujá para venda de câmeras fotográficas. No ano seguinte inaugurava um laboratório na capital onde iniciou a produção de cartões postais. Em 1941, naturalizou-se brasileiro em plena Segunda Guerra Mundial. Chegou a integrar o Departamento Estadual de Informações e aposentou-se no Serviço de Documentação da Reitoria da Universidade de São Paulo.