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Maio Fotografia abre 21 de abril no MIS

"O túnel", 1951

 

As exposições desta edição apontam para o potencial de resistência e transformação que cada fotografia traz em si. Seja a resistência ao esquecimento de artistas que moldaram a história da fotografia, como se vê nas fotos de Sandro Miller (“Malkovich, Malkovich, Malkovich: homenagem aos mestres da fotografia”), seja aquela que está em cada ato artístico que ecoa na esfera política. Figura chave da fotografia moderna brasileira, o também cientista e anarquista José Oiticica Filho, traz para o museu suas experimentações e inovações no campo da fotografia na exposição intitulada “JOF”. Já Walter Carvalho monta uma retrospectiva, “Retraço”, que não deixa esquecer que vários ecos do passado estão bastante presentes nos tempos que vivemos. Em “Era preciso esperar para saber”, que traz imagens do Acervo MIS, o curador Ronaldo Entler coloca em pauta a disposição para a crítica, quando as imagens de um acervo vêm a público. Fechando as exposições, “Be Aware”, de Olga Gaia, selecionada pelo programa Nova Fotografia, em que, a partir das imagens, ela cria uma teoria da conspiração para sinalizar que algo está acontecendo neste mundo e devemos prestar atenção.

O Maio Fotografia 2018 vem ainda com uma extensa programação paralela. Entre as atividades estão cursos de fotografia, encontros com os fotógrafos Walter Carvalho e Sandro Miller, visita guiada com os curadores da exposição de José Oiticica Filho (Carlo Cirenza e César Oiticica) e com Ronaldo Entler, uma edição da Foto Feira Cavalete e a Maratona Infantil especial Maio Fotografia.
Abaixo mais informações sobre cada uma das exposições do Maio Fotografia no MIS 2018.

Abaixo mais informações sobre os artistas desta edição.

“JOF”, de José Oiticica Filho
José Oiticica Filho (1906-1964) contribuiu para a inovação da fotografia brasileira nos anos 1950 e início dos 1960 do século 20. Ao lado de Geraldo de Barros e outros expoentes da fotografia modernista brasileira, na década de 1950, tirou a fotografia do pictorialismo que ainda reinava entre os trabalhos fotográficos brasileiros.
Filho de José Oiticica (político, escritor e tradutor) e pai dos artistas plásticos César e Hélio Oiticica, Oiticica Filho aproximou-se da fotografia através de sua principal atividade: entomólogo pesquisador do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Suas primeiras imagens são registros precisos e científicos de mariposas. Bolsista da Fundação Guggenheim, trabalhou durante dois anos no Museu Nacional de Washington (EUA), entre 1948 e 1950. No Rio de Janeiro, integrou o Foto-Club Brasileiro e, em São Paulo, o Foto Cine Clube Bandeirante. Publicou diversos estudos sobre entomologia, realizou dezenas de exposições individuais, participou de numerosas coletivas e conquistou mais de 40 prêmios no Brasil e no exterior.
Sua vasta produção pode ser vista nesta exposição, que apresenta uma seleção de 167 fotografias feitas entre 1942 e 1964: microfotografias científicas realizadas durante seu trabalho como entomologista, a forte atuação nos movimentos cineclubistas, a quebra com o pictorialismo, os experimentos com a abstração, as composições geométricas, as recriações fotográficas a partir de manipulação de negativos.
“JOF” conta com curadoria é de Carlo Cirenza e César Oiticica.

“Retraço”, de Walter Carvalho
As fotografias que compõem esta exposição apresentam um amplo panorama da produção de Walter Carvalho. São cerca de cem imagens produzidas ao longo de quase 50 anos, que constituem, mais que ensaios temáticos, narrativas abertas a partir de suas continuidades e contrastes. O título da exposição, “Retraço”, evoca retrato e, também, resquícios, que são traços da permanência de algo que iniciou sua existência lá atrás e permanece vivo como metáfora ou alegoria daquilo que foi captado pelo olhar do fotógrafo.
Retraço conta com obras da série “JAИUS”, que ocupa o Espaço Redondo do museu, imagens de seu trabalho no sertão nordestino, além de imagens onde o fotógrafo encontra, em diferentes localizações geográficas, formas que se reiteram em nossa memória. Em sua retrospectiva no MIS, Walter Carvalho presenteia o público com imagens inéditas, algumas delas produzidas em suporte colorido, até então nunca utilizado pelo autor.
A curadoria é de Cristiane Almeida e Talita Virgínia, da equipe de Programação do MIS.

Sobre Walter Carvalho
Walter Carvalho (João Pessoa, PB, 1947) é fotógrafo e cineasta brasileiro. Herdeiro do Cinema Novo, formou-se em design gráfico pela Escola Superior de Desenho Industrial do Rio de Janeiro (ESDI). Desde 1972, desenvolve intensa atividade como profissional da imagem: em fotografia, no cinema e na TV. No cinema, foi responsável pela direção de fotografia de “Lavoura arcaica”, “Abril despedaçado”, “Madame Satã”, “Central do Brasil” e “Amarelo manga”. Seu percurso duplo de fotógrafo e cineasta se reflete em seu trabalho autoral, tentando captar momentos e criando “instantes continuados” por toda sua obra. Conta com diversas publicações, como “Contrastes simultâneos” (Cosac Naify), e exposições individuais e coletivas no currículo. Sua obra integra coleções como as do Museu de Arte do Rio (MAR), Maison Européenne de la Photographie (MEP), Coleção Pirelli/MASP e Instituto Moreira Salles. Integra a Photographers Encyclopaedia International.

“Malkovich, Malkovich, Malkovich: Homenagem aos Mestres da Fotografia”, de Sandro Miller
A exposição, com curadoria de Anne Morin, já passou por diversos países como EUA, Rússia, China, Espanha, Hungria e Noruega. São Paulo é a primeira cidade da América Latina a recebê-la.
Sandro Miller conheceu John Malkovich no final da década de 1990, enquanto trabalhava no Steppenwolf Theatre, em Chicago (EUA). Mais de 16 anos depois, Sandro e John ainda trabalham juntos, e essa colaboração pode ser vista neste projeto.
Em 2013, Miller decidiu fazer um projeto em homenagem aos homens e mulheres cujas fotografias ajudaram a moldar sua carreira. Depois de selecionar 35 imagens para recriar, ele entrou em contato com Malkovich, que imediatamente concordou em participar. As peças incluem a mítica fotografia de Che Guevara feita por Alberto Koda; a Green Marylin, um dos inúmeros retratos de Marylin Monroe feito por Andy Warhol; a imagem de Dorothea Lange de uma mãe migrante e a foto icônica de Annie Leibovitz de John Lennon e Yoko Ono na cama, entre muitas outras. A exposição é composta por 61 imagens.

Sobre Sandro Miller
Sandro Miller nasceu em 1958 em Illinois (EUA). Seu trabalho editorial foi apresentado em diversas publicações como Communication Arts, ESPN Magazine, Eyemazing, Forbes, GQ, Graphis, Newsweek, New York Magazine, The New Yorker, Esquireiro Russo e Time. No Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions em 2011, Sandro recebeu o prêmio “Saatchi & Saatchi Best New Director Award” (Melhor Novo Diretor) pelo seu curta “Butterflies” com John Malkovich. Em 2015, Miller foi homenageado com o Prêmio Internacional do Fotógrafo do Ano pela Fundação Lucie pela série “Malkovich, Malkovich, Malkovich: homenagem aos mestres da fotografia”.

 

Acervo MIS: “Era Preciso Esperar para Saber”
“O que proponho nessa exposição é pensar alguns fatores que colocam em risco a memória pretendida por um arquivo”, diz Ronaldo Entler, curador da exposição. “Dentre essas ‘formas de perda’ estão a censura e os vícios de interpretação, as intempéries e a deterioração material, os descaminhos da obra que impedem recuperar seu histórico, e mesmo o excesso de informação que dificulta a ativação do olhar”, complementa. Na exposição, são apresentadas imagens que são tanto efeito ou sintoma desses processos, quanto obras que colocam esses fenômenos em discussão.
O objetivo não é produzir necessariamente um discurso dramático e pessimista em torno disso. “Tomo esse risco como algo inerente ao universo das imagens e das coleções. Por um lado, as imagens têm certa vocação para vagar em certa errância, por outro, elas são persistentes: em sua itinerância, sua hibernação, seu esforço de sobrevivência, elas se transformam, renovam seus sentidos e dialogam com outros tempos para além daquele de sua produção”, explica o curador. Elas ressurgem – para usar uma expressão de Freud – com uma espécie de “retorno do recalcado” justamente no momento de uma urgência. Daí também a ideia de “era preciso esperar para saber”: algumas imagens parecem frágeis diante daquilo que as ameaça, mas são perseverantes e se alimentam desse risco e dessa espera.

Nova Fotografia 2018: “Be Aware”, de Olga Gaia

O projeto “Be Aware” é a segunda série do Nova Fotografia 2018. O projeto, criado em 2012, seleciona por meio de convocatória seis fotógrafos para realizar a primeira exposição individual no MIS. “’Be Aware’ é uma teoria da conspiração em forma de alarme que sinaliza que algo está acontecendo no mundo e devemos prestar atenção”, explica a fotógrafa.

A autora deste projeto se apresenta como Olga Gaia, nome que adotou para se proteger da rede de poder que há tempos vem investigando e denunciando. Apesar de todo o mistério que a rodeia, sabemos que Olga nasceu em Londres, em 1963, foi casada com um mafioso, já fez parte do programa de proteção a testemunhas e produz arte com o único intuito de denunciar os feitos daquilo que ela acredita ser uma agência que controla o mundo através dos meios de comunicação.

Programação paralela

21 de abril – Abertura: Ciclo de conversas

15h – Conversa com Walter Carvalho
Local: Auditório MIS (172 lugares)
17h – Conversa com Ronaldo Entler (curador da exposição Acervo MIS: “Era Preciso Esperar para Saber”)
Local: Auditório MIS (172 lugares)
19h – Visita guiada com os curadores da exposição de José Oiticica Filho, Carlo Cirenza e César Oiticica
Local: Espaço expositivo 1º andar

 

“O túnel”, 1951
“Um que passa”
[/media-credit] “Identical twins”, Sandro Miller/Diane Arbus
[/media-credit] “Carnaval”
“Carnaval”

5 e 6 de maio – Foto Feira Cavalete
Horário: sábado das 12h às 20h e domingo das 11h às 19h
Local: Área externa

A Foto Feira Cavalete, organizada pela DOC Galeria – Escritório de Fotografia, é um evento para amantes da fotografia, que reúne fotógrafos, galerias, editoras, selos independentes, artistas visuais e produtores. O objetivo é oferecer todo e qualquer objeto fotográfico: impressões, publicações, fotolivros, fotozines, livros de artistas, caixas de fotografias, fotos soltas e também roupas.
Este ano, a DOC inaugura o Sebo Fotográfico. Lá estarão fotos, máquinas antigas, filmes, livros e outros artigos relacionados à fotografia. Todos podem participar deixando seus produtos em consignação. Para incluir objetos no sebo é necessário apresentar o material até 2 de maio na DOC Galeria.

A Feira Cavalete terá 50 barracas com mais de 150 autores.
Mais informações, feiracavalete@docgaleria.com.br

5 de maio – “1 FOTO 1 HISTÓRIA”
Horário: 16h
Local: Auditório LabMIS
A série “1 FOTO 1 HISTÓRIA” é um projeto da Atraves.tv e da DOC Galeria. Na data, dez fotógrafos convidados contam em cinco minutos a história de uma foto que impactou as suas vidas. Os profissionais selecionados são Tuane Fernandes, Yan Boechat, Drago, Cris Veit, João Wainer, Bruno Bernardi, Rogério Assis, Alexandre Orion, João Machado e Erico Hiller. Este projeto nasceu há um ano quando a DOC Galeria levou ao Auditório do MIS dez fotógrafos para apresentarem no palco um de seus trabalhos. Este projeto batizado “10 FOTÓGRAFOS 10 HISTÓRIAS” inspirou o formato do “1 FOTO 1 HISTÓRIA”.

26 de maio – Ciclo de conversas

15h – Conversa com Sandro Miller
Local: Auditório MIS (172 lugares)

27 de maio – Maratona Infantil especial Maio Fotografia

Cursos de fotografia
O MIS está com inscrições abertas para cinco cursos de fotografia: Uma história social da fotografia (3 de maio a 28 de junho), Fotografia contemporânea (2 a 30 de maio), Fotografia de rua (3 de maio a 21 de junho), Fotografia para câmeras compactas e smartphones (14 a 28 de maio) e Fotografia de paisagens (4 a 18 de junho). Os alunos inscritos nestes cursos ganham um ingresso e participam de visita guiada pelo professor à exposição Maio Fotografia no MIS 2018.

 

serviço
MAIO FOTOGRAFIA NO MIS 2018
Abertura 21 de abril (sábado), às 14h (entrada gratuita)
Data 22 de abril a 17 de junho de 2018
Horário terças a sábados, das 12h às 21h; domingos e feriados, das 11h às 20h
Local Espaço Redondo, Espaço Expositivo 1º andar, Espaço Expositivo 2º andar, Nicho e Foyer do Auditório MIS.
Ingresso R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)

Museu da Imagem e do Som – MIS
Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo | (11) 2117 4777 | www.mis-sp.org.br
Estacionamento conveniado: R$ 18
Acesso e elevador para cadeirantes. Ar condicionado