Exposições 2 anos atrás | Redação

Ícone da fotografia de moda mundial, Irving Penn ganha mostra retrospectiva em Paris

A obra de Irving Penn virá para o Brasil no ano que vem!

por Revista FHOX
008-irving-penn-photographer-the-red-listIrving Penn

A exposição foi organizada pelo The Metropolitan Museum of Art (The Met) de Nova York e pelo Grand Palais, em colaboração com a Fundação Irving Penn, vai marcar o centenário do nascimento do artista no Grand Palais, em Paris, a partir desta quinta-feira e até 29 de janeiro.

“É um dos maiores artistas do século XX que escolheu a fotografia depois de ter estudado outras artes. Penn dedicou-se a realizar as melhores fotografias possíveis de naturezas mortas, retratos, moda e beleza e trouxe à fotografia um incrível conhecimento de equilíbrio e forma, cor e luz. Ele era particularmente sensível a coisas a que a maioria dos fotógrafos não eram, como o desenho, as linhas”, descreveu Jeff L. Rosenheim, curador responsável pelo departamento de fotografia do The Met.

068-woman-in-chicken-hat22-lisa-fonssagrives-photo-by-irving-penn-1948-49-the-red-listIrving Penn

Ainda que seja conhecido como o ícone da fotografia de moda, a exposição apresenta imagens experimentais de Irving Penn. “Há um classicismo, mas também um modernismo e até um surrealismo em muitos casos. Há uma luz clássica, mas há também uma apreciação moderna de novas formas de fazer um retrato, novas formas de realizar um nu, uma imagem de moda ou uma natureza morta. Há retratos onde as paredes não estão limpas, o chão tem fibras de carpete. Ele fotografava pessoas conhecidas como se fossem pessoas comuns num ambiente um pouco surrealista”, explica Rosenheim.

selfie111Irving Penn

Ao longo das salas do Grand Palais, de forma cronológica e temática, são retratados 70 anos da carreira de Irving Penn, com 238 fotografias reveladas pelo próprio artista – a grande maioria em preto e branco – alguns desenhos, várias capas da revista Vogue e a cortina que lhe serviu de pano de fundo ao longo de meio século.

067-lisa-fonssagrives-penn-wearing-a-mantel-coat-by-cristobal-balenciaga-irving-penn-vogue-september-1950-the-red-listIrving Penn

A exposição começa com as primeiras naturezas-mortas que Irving Penn fotografou para a revista Vogue a partir de 1943, que ilustram a sua forma de fazer entrar a pintura na fotografia, como “Beef Still Life” e “Still Life with Watermelon”. As naturezas mortas regressam, quase no fim da mostra, com restos de lixo, frutas podres, entre outros.

Há “Retratos Existenciais” de personalidades do mundo da cultura, realizados entre 1947-48 para a Vogue, que mostram Salvador Dali, Marcel Duchamp, Alfred Hitchcock e Truman Capote, e também os “Retratos Clássicos”, realizados nos anos 50 e 60, com celebridades como Audrey Hepburn, Pablo Picasso, Yves Saint Laurent e Francis Bacon, retratados em cenários despojados de adornos, sob um fundo neutro.

050-irving-penn-photographer-the-red-listIrving Penn

“A arte moderna europeia e a arte clássica estavam a ser mostradas nos museus em Nova Iorque e ele estava lá quando Picasso e Matisse emergiram. Mas também gostava de arte antiga, adorava Rembrandt. Ele estudou a história do retrato e o uso da luz. Ele usava a luz natural, de uma janela do norte, algo que aprendeu de Rembrandt”, continuou o comissário.

Destaque, ainda, para a série de fotografias realizadas em dezembro de 1948, em Cuzco, no Peru, onde os habitantes, com trajes tradicionais de lã, se transformaram nos modelos de um fotógrafo cada vez mais atento aos detalhes das texturas, padrões dos tecidos e simplicidade do cenário.

036-twelve-beauties-1947-irving-penn-the-red-listIrving Penn

São também apresentadas imagens “En Vogue” que marcaram a história da moda e da fotografia, realizadas a partir de 1950, quando Penn foi enviado para Paris pela revista Vogue e trocou as passarelas por um pequeno estúdio no último andar de um prédio antigo onde chegava a luz natural. A Cidade Luz, inclusive, foi determinante para o artista que também retratou pessoas comuns na série “Pequenas Profissões”, todos fotografados com o mesmo pano de fundo, a cortina que encontrou em Paris e que utilizou ao longo de toda a carreira.

“Ele trabalhava de forma paciente, era realmente um artista de atelier enquanto a maioria dos fotógrafos do século XX, incluindo alguns que ele adorava, fizeram todas as suas fotografias na rua”, acrescentou Jeff L. Rosenheim, sublinhando que ele era como “um velho mestre da pintura” que “queria controlar tudo no ateliê”, tendo transformado as suas tendas em estúdios nas várias viagens que fez.

056-model-in-balenciaga-vogue-1950-photographed-by-irving-penn-the-red-listIrving Penn

Irving Penn trabalhou mais de 60 anos na revista Vogue e “fez mais capas de revista que qualquer outra artista da sua era”, acrescentou o curador, acrescentando que a exposição “é uma bela lição sobre o trabalho de revelação analógica”, porque as imagens foram feitas “por um mestre e têm uma qualidade incrível.”

“Ele era um grande criador de imagens, ele compreendia as formas, mas também revelava as próprias fotografias. Esta exposição é obrigatória para quem se interesse pela história da fotografia, porque ele imprimia o seu próprio trabalho, ele era um mestre da fotografia mas também um mestre da revelação”, afirmou.

030-irving-penn-balenciaga-sleeve-regine-paris-1950-the-red-listIrving Penn

A exposição Irving Penn esteve, em formato mais reduzido, no The Metropolitan Museum of Art entre abril e julho deste ano, seguindo para a Fundação C/O de Berlim de 24 de março a 01 de julho de 2018 e para o Instituto Moreira Salles de São Paulo, de 21 de agosto a 25 de novembro de 2018.