Exposições 2 anos atrás | Redação

Hospital Colônia de Barbacena é tema de mostra em Minas Gerais

Trabalho coletivo é idealizado pelo artista visual Guilherme Bergamini e terá abertura nesta sexta-feira, dia 19 de maio

por Revista FHOX

O artista Guilherme Bergamini apresenta a exposição “Eu sou, tu és, ele é, nós somos, vós sois, eles são”, que estará aberta ao público no Teatro Marília, de 19 de maio e 11 de junho de 2017, no mesmo período em que será realizada a nova temporada do espetáculo “Nos Porões da Loucura”, baseado no livro de mesmo nome do jornalista Hiram Firmino, que conta os horrores do Hospital Colônia de Barbacena.

Gilherme-Bergamini-1Gilherme Bergamini

A série de Guilherme tem como tema o Hospital Colônia, fundado na cidade mineira em outubro de 1903. O trabalho consiste em onze fotografias preto e branco sobrepostas com pintura do artista plástico Clifford Dutra, que utiliza a técnica mista, sublimação sobre papel e aguada de nanquim, inspirada na fotografia de autoria de Luiz Alfredo Ferreira, repórter fotográfico da extinta revista O Cruzeiro. A exposição traz ainda texto de Luiz Gomide, artista cênico e integrante do elenco da peça Nos Porões da Loucura.

Com o trabalho, Bergamini chama a sociedade para a responsabilidade desse que é conhecido como o holocausto brasileiro. “O que aconteceu no Colônia de Barbacena foi uma tragédia. Seres humanos desprezados pela sociedade e, principalmente, pelo Estado. Uma barbárie que nunca deveria ter acontecido. Provoco o público para refletir sobre esse ocorrido. Acredito que a sociedade como um todo e o Estado são responsáveis por tudo o que aconteceu. Minha intenção é sensibilizar as pessoas para que esse fato não caia no esquecimento”, afirma.

A série também pode ser conferida no site do artista.

Gilherme-Bergamini-2Gilherme Bergamini
 Sobre o Hospital Colônia de Barbacena

Fundado em 1903, o Hospital Colônia de Barbacena foi procurado por diversas famílias que buscavam tratamento para seus “desajustados”. Com capacidade de 200 leitos, estava operando muito acima de sua capacidade normal, com média de 5 mil pacientes por internação na década de 1950.

Os pacientes, oriundos de diversos estados do Brasil, chegavam em Barbacena por trem, em vagões abarrotados, cuja condição desumana fez surgir a expressão “trem de doido” para significar viagem ao inferno. O plano, inicialmente, era atender a pessoas com transtornos mentais, mas acabou tornando-se um campo de extermínio para aqueles que não se adequavam aos padrões normativos da época ou não atendiam aos interesses políticos de classes dominantes, com condições de vida sub-humanas.

Sobre Guilherme Bergamini

Com a fotografia, expressa suas vivências pessoais e visão de mundo, além de usar a arte como meio de crítica política e social. Premiado em concursos nacional e internacional, participou de festivais e exposições coletivas no Brasil, Grécia, França, Portugal, Espanha, Venezuela, México, Chile, Argentina, Equador, Colômbia, Eslovênia, Lituânia, Turquia e Alemanha além de ter fotos publicadas em diferentes veículos de comunicação brasileiros e estrangeiros.