Apoie a FHOX Impressa e garanta recompensas incríveis!


Hiperfotografias de Jean-François Rauzier no Centro Cultural São Paulo

Exposição apresenta grandes painéis do fotógrafo francês, inspirados em pontos icônicos de quatro capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador

Quem conhece as obras do francês Jean-François Rauzier sabe que ele gosta de mesclar fotografia e manipulação digital para criar novas imagens de tons surrealistas. Cheia de cores e ricas em detalhes, suas obras poderão ser conferidas na mostra Hiperfoto – Brasil, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), a partir de 15 de março.

A curadoria da mostra é de Marc Pottier e a idealização de Bertrand Dussauge. Cerca de 100 trabalhos, entre hiperfotos e hipervídeos – parte deles ainda inéditos, fazem parte de recriações de uma série de espaços da cidade.

Frustrado com as limitações técnicas da fotografia e inspirado por Polaroid, de David Hockney, Rauzier encontrou na digitalização da prática um universo de possibilidades.

É com a sua máquina a tiracolo que ele roda o mundo em busca das particularidades do patrimônio mundial, fotografando de monumentos históricos a detalhes que poucos enxergam. Ele dispara até dez mil cliques, em apenas um dia de trabalho, numa ânsia por retratar todos os ângulos possíveis dos locais.

Mas é de volta ao seu estúdio que o artista dá início a um exaustivo processo de colagens, combinando as imagens umas às outras. Os trabalhos, que também contam com inserções de efeitos visuais, lembram composições cubistas, com inúmeros fragmentos de paisagens.

Nos últimos quatro anos, o artista francês tomou o Brasil como protagonista de seus trabalhos. Neste período, registrou a exuberância do Rio de Janeiro, o sincretismo de Salvador e a arquitetura imponente de Brasília. Na última fase de seu projeto no País, Rauzier decidiu apontar suas lentes para São Paulo, retratando a arquitetura, o cotidiano e as contradições da megalópole.

Em suas caminhadas, o fotógrafo construiu um olhar bastante particular sobre a capital e seus contrastes. “Sem dúvida nenhuma, São Paulo é a metrópole latino-americana que mais se aproxima de Nova York, se dividindo em dois estilos arquitetônicos bastante distintos: se por um lado temos casas e mansões construídas desde o século XIX, do outro, encontramos edifícios monumentais no estilo concretista do pós-guerra”, pontua o Rauzier, chamando atenção para a intensa verticalização que os bairros têm experimentado nos últimos anos.

O fotógrafo recompôs também a Passagem Literária, espaço subterrâneo sob a rua da Consolação que reúne sebos de livros, exposições e, eventualmente, recebe apresentações musicais. O caráter underground do local impressionou o artista, que decidiu retratá-lo em diversos cliques. Os livros e cartazes, representados em perspectivas distintas, formam um grande mosaico colorido.

Hiperfoto – Brasil encerra o projeto iniciado por Rauzier em 2015, reunindo não apenas obras inéditas que retratam São Paulo, mas também amostras do trabalho apresentado nas outras três capitais do País por onde o fotógrafo passou. A exposição, seguirá em cartaz até 6 de maio, levando ao público um registro documental do Brasil do século XXI. Mais do que isso, vislumbra a construção de cidades utópicas e oníricas, onde o belo prevalece.

Serviço: Hiperfoto – Brasil, individual de Jean-François Rauzier

Local: Centro Cultural São Paulo

Endereço: Rua Vergueiro, 1000

Abertura: 15 de março, a partir das 18h

Período expositivo: de 16 de março a 6 de maio

Visitação: Terça a sexta, das 10h às 20h | Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h

Telefone: (11) 3397 4002