Exposições 6 meses atrás | Redação

“1968: A Passeata dos Cem Mil”

Primeira exposição de fotografias de Evandro Teixeira abre na Utópica com a presença do fotógrafo em 21 de abril

por Revista FHOX

Em março de 1968, no Rio de Janeiro, em pleno regime militar, a polícia invadiu o restaurante
universitário onde os estudantes protestavam contra o aumento dos preços e no confronto, com
um tiro a queima roupa, matou Edson Luís de Lima Souto, um estudante secundarista de 18
anos de idade. Esse foi o estopim que durante os meses seguintes semeou uma série de manifestações espalhadas pela cidade, violentamente reprimidas pelo exército, a polícia e os grupos paramilitares a serviço do Estado militar. Os protestos culminaram no dia 26 de junho com uma grande marcha que tomou conta do centro da cidade e que ficou conhecida como “A passeata
dos Cem Mil”.

O que acontecia no Brasil era um reflexo de um movimento que se alastrava pelo planeta. 1968
foi o ano em que os jovens, em todos os lugares, confrontaram a autoridade e os costumes: em
Paris, no célebre mês de maio; na primavera de Praga da Checoslováquia; nas manifestações
contra a guerra do Vietnã e pelos direitos civis nos Estados Unidos; nas grandes manifestações
1968: A Passeata dos Cem Mil.

Evandro Teixeira, um dos maiores fotojornalistas brasileiros, então a serviço do Jornal do
Brasil, foi encarregado de cobrir a manifestação. As cerca de 20 fotografias que a galeria
Utópica apresenta são algumas das mais célebres e marcantes da história da luta pelos direitos
civis durante o longo regime militar que se instaurou no Brasil em 1964 e perdurou até
1985. A marcha do exército e a cavalaria contra os manifestantes; a multidão que como um
verdadeiro mar de gente carrega a faixa “Abaixo a ditadura” e os grupos solidários de pessoas
sentadas nas escadas ou de braços dados caminhando, entre os quais se mesclam
artistas e intelectuais como Chico Buarque de Hollanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Clarice
Lispector, Odete Lara, Tônia Carrero, Paulo Autran e Cacilda Becker, entre muitos outros. Essas
imagens, que hoje reverberam mais do que nunca, nos fazem olhar para 1968, 50 anos depois, com o mesmo olhar com que olhamos para o mundo nos dias atuais – o olhar dos jovens que não se conformam, um olhar à procura de um mundo mais justo. O mundo não foi mais o mesmo depois daquele ano, 1968 é um símbolo da luta pela liberdade.

Fotos: Evandro Teixeira
“1968: Passeata dos Cem Mil”

Serviço
UTÓPICA
Rua Rodésia, 26 – Vila Madalena – São Paulo, tel.: (11) 3037-7349
info@utopica.photography
galeriautopica@gmail.com
www.utopica.photography
Facebook: utopicaphotog
Instagram: utopica.photography
Exposição de 21 de abril a 26 de maio de 2018
Terça a sexta, das 11h às 19h; sábados e feriados, das 11h às 17h
Entrada franca

Cavalaria durante a missa, 1968
O líder do movimento estudantil, Vladimir Palmeira, discursa durante a Passeata
dos Cem Mil, Av. Presidente Vargas, Rio de Janeiro, 1968
Na Passeata dos Cem Mil, em primeiro plano (dir. p/ esq.), Paulo Autran, Gilberto Gil, Nana Caymmi e Caetano Veloso, Rio de Janeiro 1968