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Exposição traz história do samba e sua relação com os trabalhadores

Em novembro de 1916, o compositor Donga (1890-1974) marcou seu nome na história e na música brasileira: registrou na Biblioteca Nacional a partitura da canção “Pelo Telefone”, que havia sido composta em uma roda de músicos num terreiro de candomblé. Assim, ele foi considerado o primeiro samba da história. A partir daí o ritmo tipicamente brasileiro ganhou não só as rodas, mas as gravadoras e rádios de todo o Brasil, conquistando cada vez mais fãs, afinal, “quem não gosta de samba bom sujeito não é”, como canta Dorival Caymmi. Como este ano o samba comemora seu primeiro centenário, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) prestará uma homenagem ao ritmo e aos trabalhadores na exposição fotográfica.

“Os Trabalhadores e os 100 Anos do Samba”, que ficará em cartaz na Avenida Paulista, um dos principais cartões postais da cidade de São Paulo, a partir do dia 1º de maio, em comemoração do Dia Internacional dos Trabalhadores. Também como parte da programação será realizado o seminário com o tema “O Papel dos Trabalhadores em Tempos de Crise”.

Clementina de Jesus. Créditos: Arquivo Agência O Globo.
Clementina de Jesus. Créditos: Arquivo Agência O Globo.

A céu aberto, a mostra não só retrata os ícones do samba, mas também mostrar como o trabalhador era retratado nas canções.

“O samba não é só uma manifestação cultural, mas também um símbolo de luta e inclusão social. Pensamos em uma exposição em que o trabalhador se visse parte dela, se identificasse. Vários sambistas, antes de tudo, em sua maioria, eram trabalhadores: Cartola trabalhou como lavador de carros, Adoniran foi entregador de marmitas e por aí vai. E o palco de tudo isso será, mais uma vez, a Avenida Paulista. Esta é, certamente, uma das maiores exposições do mundo”, revela o presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da União geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah.

Adoniran Barbosa. Créditos: Arquivo de Família.
Adoniran Barbosa. Créditos: Arquivo de Família.

A exposição fotográfica “Os Trabalhadores e os 100 Anos do Samba” contará com 30 mega painéis de 4 metros x 3 metros com fotografias de grandes expoentes do samba e de momentos históricos em que o ritmo contribuiu de forma decisiva para traçar novos caminhos para o trabalhador brasileiro.

Quem passar pela Avenida Paulista irá se deparar com painéis com grandes nomes do samba. A exposição se estenderá por cerca de 1km da via, com início em frente à Caixa Econômica Federal, próxima a Rua Augusta até a Pamplona. As pessoas poderão ver imagens de Donga; Pixinguinha; Clementina de Jesus; Cartola; Noel Rosa; Nelson Cavaquinho; Dona Ivone Lara; Chico Buarque; Beth Carvalho, Ataulfo Alves, entre outros. A produção da exposição é da Maná Produções e Eventos. A curadoria e edição de imagens foi feita pela DOC Galeria | Escritório de fotografia, dos sócios Fernando Costa Netto e Mônica Maia, e a pesquisa da mostra ficou a cargo do jornalista Celso de Campos Jr – autor da biografia de Adoniran Barbosa.